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Regresso ao escritório: como gerir o retorno ao trabalho presencial na empresa

O regresso às instalações físicas não é um simples “voltar ao passado”. Para muitas equipas, trata-se de reaprender rotinas, redescobrir o espaço e renegociar dinâmicas.

O primeiro passo é definir um calendário claro: comunicar datas, fases e critérios de prioridade evita rumores e ajuda cada pessoa a organizar-se.

Paralelamente, vale a pena mapear quais processos continuam eficazes em formato remoto – reuniões de alinhamento rápido, por exemplo – e mantê-los online, reduzindo deslocações desnecessárias e preservando a flexibilidade conquistada.

Outro ponto fulcral é a preparação do espaço. Muitas organizações subestimam detalhes aparentemente menores, como iluminação, climatização e acústica, que acabam por ter impacto directo na produtividade.

Antes de abrir as portas, realize um diagnóstico: equipamentos actualizados, zonas de colaboração bem sinalizadas e protocolos de segurança (higiene, ventilação, acessos) revistos transmitem confiança e profissionalismo.

Manter a equipa satisfeita com o retorno ao trabalho presencial

O elemento emocional não pode ficar de fora. Depois de dois anos (ou mais) de teletrabalho, regressar pode gerar ansiedade.

Estabeleça, portanto, canais de escuta activa – caixas de sugestões, reuniões 1:1, inquéritos rápidos – para identificar receios e expectativas. Quando os colaboradores percebem que a liderança considera as suas ideias, sentem-se parte da solução.

Para além da escuta, cuide do conforto físico: renovar mobiliário desgastado por cadeiras de escritorio e PC ajustáveis reduz fadiga, favorece a postura correta e demonstra preocupação genuína com a saúde ocupacional. Além disso, adapte políticas de conciliação.

Horários híbridos, liberdade para gerir consultas médicas ou assuntos pessoais e, sempre que possível, um ou dois dias de trabalho remoto por semana atenuam o choque e reforçam o sentimento de autonomia.

Gestos simples, como celebrar metas alcançadas com pequenos eventos internos ou oferecer formação contínua, alimentam o compromisso colectivo.

Principais problemas com o fim do teletrabalho

Apesar dos benefícios da convivência presencial, deslocações longas, custos de transporte e menores janelas para a vida pessoal ganham destaque entre as queixas mais comuns. Some-se a isso a possível sensação de retrocesso: muitos profissionais temem perder a liberdade de gerir o próprio tempo.

Um segundo desafio é a adequação do espaço físico às equipas híbridas. Salas que antes acomodavam projectos fixos agora precisam de layouts flexíveis, capazes de receber pessoas diferentes a cada dia.

Há ainda o risco de criar duas “velocidades” internas: quem está sempre no escritório pode ter mais visibilidade do que quem mantém parte da rotina online.

Para evitar a assimetria, defina rituais inclusivos – reuniões híbridas com ecrãs e microfones adequados, documentação clara e acessível a todos e critérios de avaliação baseados em resultados, não em presença.

Incentivos para o trabalho presencial

A solução não passa por impor a presença, mas por tornar a experiência no escritório genuinamente atraente. Pacotes de mobilidade – parcerias com transportes públicos, estacionamento partilhado ou subsídios para bicicleta – reduzem o impacto financeiro e facilitam o acesso diário.

O ambiente físico deve ser um aliado: áreas de foco silencioso, zonas de pausa acolhedoras e mobiliário ergonómico minimizam o desgaste e aumentam a sensação de conforto.

Para além disso, iniciativas que reforcem a dimensão social elevam o valor da convivência: workshops internos, almoços temáticos e programas de mentoria estimulam a aprendizagem informal e fortalecem os laços entre equipas.

Combinar essas ações com benefícios de bem-estar, como sessões de alongamento guiado, parcerias com ginásios ou dias dedicados à saúde mental, envia a mensagem de que a empresa cuida das pessoas de forma holística.

Quando o espaço oferece valor tangível e experiências que não se reproduzem remotamente, estar presente deixa de ser obrigação e transforma-se numa escolha consciente.

Equilíbrio estratégico e evolução contínua

Gerir o retorno ao trabalho presencial é um exercício de equilíbrio entre eficiência operacional, satisfação individual e sustentabilidade a longo prazo. Empresas que planeiam a transição com transparência, ajustam políticas às novas expectativas e investem num ambiente físico atractivo colhem equipas mais coesas e motivadas.

Não se trata de escolher entre o remoto e o presencial, mas de integrar o melhor de ambos para construir uma cultura de confiança, colaboração e resultados robustos.

Para solidificar esse cenário, é essencial monitorizar indicadores de bem-estar e desempenho de forma contínua, transformando feedback em melhorias concretas no espaço físico, nas práticas de liderança e nos benefícios oferecidos.

A análise regular de dados — absentismo, rotatividade, produtividade, satisfação — permite calibrar iniciativas antes que problemas ganhem escala e reforça a mensagem de que o escritório é um organismo vivo, em constante evolução para servir melhor as pessoas e o negócio.

aeiou //

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