Documento do século XIV arrasa o Sudário de Turim: fraude clara e patente

// Dianelos Georgoudis/ Wikimedia

Um documento medieval recentemente descoberto está a abalar crenças centenárias sobre o Sudário de Turim, o famoso pano de linho que muitos acreditam ter envolvido o corpo de Jesus. Um dos estudiosos mais respeitados da Idade Média considerou-o uma fraude deliberada.

Muito antes de nos últimos anos estudos científicos terem começado a lançar dúvidas, a autenticidade do famoso Sudário de Turim foi liminarmente rejeitada por Nicole Oresme, teólogo normando do século XIV que mais tarde se tornou Bispo de Lisieux.

Num documento recentemente descoberto, Oresme descreveu o Sudário como um “engano claro e patente”, que teria sido orquestrado por clérigos para obter donativos dos fiéis.

A análise de Oresme, detalhada num artigo publicado na quarta-feira no Journal of Medieval History, é agora a rejeição formal mais antiga que se conhece da autenticidade do Sudário — precedendo relatos anteriores por décadas.

O Sudário de Turim apresenta uma imagem ténue da frente e das costas de um homem, coincidindo com as representações tradicionais de Jesus crucificado.

Mas o ceticismo tem crescido ao longo do tempo. Estudos modernos, incluindo uma análise 3D recentemente conduzida pelo especialista em reconstrução facial brasileiro Cícero Moraes e publicada  na Archaeometry, sugerem que o pano foi colocado sobre uma escultura e não sobre um corpo humano.

A datação por radiocarbono indica também que o linho teria origem no final do século XIII ou XIV — séculos depois de Jesus.

Nicolas Sarzeaud, historiador na Université Catholique de Louvain e autor principal do artigo, afirma que a avaliação de Oresme é notável pela sua racionalidade. “Ele aplicou pensamento crítico a um relicário amplamente venerado, avaliando a credibilidade das testemunhas e rejeitando alegações sem evidência”.

Andrea Nicolotti, especialista de referência no Sudário na Universidade de Turim, considera a descoberta “mais uma prova de que, mesmo na Idade Média, as pessoas reconheciam o Sudário como falso”.

O Sudário continua a ser atualmente um dos relicários mais famosos do Cristianismo, sendo exibido apenas ocasionalmente.

Mas o ceticismo acerca da sua autenticidade é centenário, e a análise de um estudioso que avaliou milagres com a razão em vez da devoção vem agora reforçar as dúvidas que foram sendo colocadas. E em verdade, a fama do Sudário de Turim pode ter sobrevivido à fé na sua genuinidade.

ZAP //

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