/

10 de Junho. Num elogio à “arraia-miúda”, Marcelo deixou politiquices de lado e Costa pediu regresso dos emigrantes

3

Mário Cruz / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante a tradicional mensagem de Ano Novo, 1 de janeiro de 2022.

Marcelo Rebelo de Sousa fez um discurso voltado para o povo, a “arraia-miúda” que construiu Portugal, no seu discurso do 10 de Junho, deixando recados políticos de fora. Já António Costa, que não esteve presente por doença, enviou uma mensagem para o Reino Unido, pedindo o regresso dos jovens emigrantes a Portugal.

As comemorações do 10 de Junho deste ano realizaram-se entre Braga e Londres, destacando-se a ausência de António Costa por doença.

Em Braga, a abrir as celebrações, o Presidente da República fez um elogio ao povo português, “a arraia-miúda” que construiu Portugal e se espalhou pelos oceanos e que “se desdobrou em dois” na independência do Brasil.

É o povo português a razão de sermos o que somos e como somos, de sermos Portugal, viva o povo português, vivam os portugueses de ontem, de hoje e de sempre onde quer que façam Portugal. Viva o nosso querido Portugal”, declarou na cerimónia militar comemorativa do 10 de Junho, na Avenida da Liberdade, em Braga.

Num discurso de aproximadamente 15 minutos, Marcelo Rebelo de Sousa deixou de fora politiquices, apostando no elogio ao povo e à História de Portugal, referindo-se à Constituição de 1822 e à independência do Brasil.

O Chefe de Estado também assinalou a Cimeira dos Oceanos que terá lugar em Lisboa no fim deste mês, defendendo que “só é possível em Portugal porque o mesmo povo português escolheu o oceano como seu destino“.

A segunda parte das comemorações do 10 de Junho decorreu no Reino Unido com a presença do ex-primeiro-ministro e antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso.

“É impressionante que agora tenhamos aqui tantos portugueses da comunidade mais jovem que possuímos espalhada pelo mundo“, observou o Presidente da República.

“Vós estais em todos os domínios da vida e das áreas deste grande país nosso aliado há séculos, século e século, querido aliado que é o Reino Unido“, acrescentou Marcelo dirigindo-se à comunidade portuguesa.

O Presidente da República realçou depois a ação no Reino Unido de portugueses que são enfermeiros, professores, investigadores, quadros de gestão e economia – uma novíssima geração “ligada em rede à geração mais antiga”.

Enfermeiro que cuidou de Boris condecorado

No âmbito das comemorações do 10 de Junho em Londres, Marcelo condecorou vários cidadãos portugueses que residem no Reino Unido, entre os quais o enfermeiro Luís Pitarma, conhecido por ter cuidado de Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, quando esteve hospitalizado com covid-19.

Pitarma foi condecorado com a Ordem de Mérito com o grau de Oficial.

“É o reconhecimento do esforço e do trabalho árduo feito ao longo destes anos. Sinto-me orgulhoso do trabalho que fiz e da condecoração que recebi”, disse o enfermeiro à agência Lusa.

Pouco depois de receber alta do hospital de St. Thomas, em Londres, onde esteve internado uma semana em abril de 2020 devido à covid-19, Boris Johnson publicou um vídeo na rede social Twitter a agradecer aos profissionais de saúde que considerou lhe terem salvado a vida, destacando o português, a quem chamou “Luís, de Portugal”.

Neste evento de celebração do Dia de Portugal em Londres com a comunidade portuguesa, também foi distinguido o bailarino Marcelino Sambé, com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada com o grau de Cavaleiro.

A coordenadora-geral do Ensino no Reino Unido, Regina Duarte, fundadora da Escola Anglo-Portuguesa de Londres, e a académica Susana Frazão Pinheiro foram feitas comendadoras da Ordem de Instrução Pública.

O Presidente da República também anunciou, em Londres, que vai condecorar a título póstumo a pintora Paula Rego com o Grande Colar da Ordem de Camões, distinção que será formalmente entregue em Lisboa.

A pintora Paula Rego, uma das mais aclamadas e premiadas artistas portuguesas a nível internacional, morreu na manhã de quarta-feira, em Londres, aos 87 anos de idade.

Costa pede a jovens emigrantes para regressarem

Na ausência de António Costa das celebrações do 10 de Junho em Londres, foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, quem representou o Governo.

Cravinho leu o discurso que Costa deveria ter feito, referindo que o executivo alargou medidas como o Programa Regressar e o IRS Jovem, para atrair “jovens portugueses que concluíram a sua formação superior” no “Reino Unido e pretendam trazer de volta esse conhecimento para Portugal”.

“Espero que estas comemorações também sirvam para identificarmos áreas em que se possam encontrar sinergias entre o trabalho desenvolvido aqui e aquilo que se faz em território nacional”, continuou.

“O sucesso dos portugueses além fronteiras reflete-se também em Portugal. O sucesso do nosso país representa também ele oportunidades para a nossa diáspora”, vincou.

Neste sábado, Marcelo Rebelo de Sousa tem visitas previstas à Escola Anglo-Portuguesa de Londres e ao Royal Brompton & Harefield Hospital. Também almoça com representantes da comunidade portuguesa ligados às artes e vai visitar o Imperial College no último ponto do programa oficial até agora definido.

  ZAP // Lusa

3 Comments

  1. Parece impossível o 1º maior Partido Político da Oposição não se indignar com o facto de num espaço de 24 horas, numa ação por mais evidente concertada, começar a faltar Obstretas pelo País fora, justificando uma ação idêntica á manifestação ucraniana de exposição de carrinhos de bebés sem bebés,não se pode criticar Putin e agir desta forma, requer um levantamento popular urgente da população em protesto com a comunicação social dependente do capital Privado que tem de servir seus acionistas bem como identidades como Ordem dos Médicos Enfermagem, etc. Tudo tem um limite os portugueses tem de agir e exigir que os tribunais tenham coragem de julgar estes casos como crimes organizados por quem os pratica, matam bebés na Ucrânia que está em guerra, em Portugal não pode ser admissível seja porque razão seja,por ganhos mesquinhos, guerras partidárias,ou interesses de grupo,de um dia para o outro tanta falta de Obstretas só é possível por ação concertada, e isso tem de ser considerado crime por os atores,a justiça tem de ser capaz

  2. Bem …referir-se ao Povo Português em termos de “arraia miúda” , pode ter varias interpretações menos respeitosas !…Quanto a condecorar o Sr. “Luis de Portugal” por ter tratado o Sr. Boris , convido-o a fazer o mesmo aos que dão o litro aqui em Portugal , assim que lhe podia ter dito que em Portugal também precisamos de (Heróis) !!!!!

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.