Vacinação na PSP e na GNR arranca hoje. Ordem exige que todos os médicos sejam vacinados

António Cotrim / Lusa

Arranca este sábado o processo de vacinação das forças de segurança. Vão ser inoculados 20 mil profissionais: 10 mil militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e 10 mil agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP).

De acordo com o jornal Público, que cita um comunicado do Ministério da Administração Interna, a operação, que arranca dois dias depois do início da vacinação dos bombeiros, deverá durar três semanas e inocular 20 mil profissionais: 10 mil militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e 10 mil agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP).

A GNR e a PSP definiram a ordem de vacinação, priorizando quem está “na linha da frente e mais exposto aos riscos do coronavírus”, tendo em conta também elementos das forças que sofrem de comorbilidades ou patologias listadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

O Ministério da Administração Interna considera que o início da vacinação dos elementos da PSP e da GNR “reconhece o papel das Forças de Segurança no combate à pandemia da covid-19, colocando-as entre as prioridades de vacinação dentro das funções essenciais do Estado”.

Em Lisboa e Vale do Tejo, a vacinação vai ser feita num “centro de vacinação conjunto para os guardas e polícias da área”, montado nas instalações do Quartel de Conde de Lippe, na Ajuda”.

O centro contará com a presença de seis elementos do Centro Clínico da GNR e três elementos da Cruz Vermelha Portuguesa e vai permitir que o processo decorra sem que seja exercida mais pressão sobre os serviços de vacinação.

Segundo a nota, a vacinação dos militares e agentes das outras regiões do país será efetuada nos centros de saúde.

Ordem exige vacinação imediata de todos os médicos

A Ordem dos Médicos criou uma petição dirigida ao primeiro-ministro a exigir a “vacinação imediata” de todos os clínicos contra a covid-19, que tinha recolhido, na noite desta sexta-feira, mais de 9.200 assinaturas.

Tendo o bastonário Miguel Guimarães como primeiro subscritor, a petição criada no início da semana refere que “faltam ser vacinados a maioria” dos médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a “imensa maioria” dos que prestam serviço nos setores privado e social.

“Sendo as vacinas contra a covid-19 um bem escasso exclusivo do Estado, não podemos deixar de transmitir a nossa indignação pelo facto de muitos milhares de médicos ainda não terem sido vacinados, estando a ser excluídos no Plano de Vacinação”, lê-se no texto.

Segundo a petição, não vacinar os clínicos representa “limitar o acesso dos doentes a procedimentos diagnósticos e terapêuticos, como consultas, exames ou cirurgias”, uma vez que, “por cada médico que fica doente ou em isolamento profilático, muitos doentes (covid e não covid) ficam com a sua saúde cada vez mais comprometida“.

“Vacinar todos os médicos, de acordo com as prioridades definidas a nível nacional e internacional, é uma questão de ética e de justiça. Preservar a saúde de quem tem o dever e a competência de estar na linha da frente a salvar vidas é defender o interesse público e a saúde do país”, adianta ainda o texto.

Reclamada prioridade de pessoas com deficiência

A Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC) reclamou esta sexta-feira prioridade para as pessoas com deficiência na estratégia de vacinação contra a covid-19, envolvendo também no processo aqueles que os apoiam no quotidiano.

Numa carta a que a Lusa teve acesso, enviada na quinta-feira à ministra da Saúde, Diretora-Geral da Saúde, Coordenador do Plano Nacional de Vacinação covid-19 e com o conhecimento da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, a FAPPC expressa preocupação pelo “facto de as pessoas com deficiência não estarem incluídas nos grupos classificados como prioritários – 1.ª ou 2.ª fase”.

Sublinhando estar a reclamar um direito para “as pessoas com deficiência e não em exclusivo para as pessoas com paralisia cerebral”, a federação, considerou “inegável” que estas, “por limitação física ou mental, correm um maior risco de contrair covid-19”.

“É inegável, também, que algumas pessoas com deficiência não conseguem (nem podem!) respeitar as conhecidas regras de distanciamento e higienização, por exemplo… Ou que de tais regras nem chegaram a ter conhecimento – pela dificuldade de comunicação e ausência de informação adequadamente acessível”, alerta a FAPPC.

A federação argumenta ainda que a paralisia cerebral “abrange um vasto espectro de situações clínicas”, salientando que “aproximadamente 10% das pessoas com esta patologia têm um quadro clínico complexo, de extrema vulnerabilidade e com grave défice neuromotor”.

Além disso, um número significativo “tem menos de 50 anos e não reside em instituições, não estando, assim, abrangidas pelos critérios de priorização aplicados na vacinação”.

“A evidência científica demonstra que, quando infetadas com a covid-19, as pessoas com deficiência têm maior probabilidade de desenvolver mais sintomas graves, com risco de morte”, acrescenta.

A vacinação contra o novo coronavírus arrancou a 27 de dezembro, abrangendo primeiro profissionais de saúde diretamente envolvidos na resposta à pandemia, seguindo-se os profissionais e residentes em lares de idosos e unidades de cuidados continuados.

A primeira fase do plano de vacinação inclui também profissionais das Forças Armadas, forças de segurança e serviços considerados críticos, titulares de órgãos de soberania, idosos com 80 ou mais anos e pessoas 50 ou mais anos e com doenças associadas.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro alertou que Portugal vai receber menos de metade das vacinas contra a covid-19 que estavam previstas para o primeiro trimestre deste ano, um problema não está na distribuição nem na falta de recursos humanos para administrar a vacina, mas sim “fora de Portugal”.

Maria Campos, ZAP // Lusa

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