Plano de vacinação pode prolongar-se até março de 2022. Normalidade pode regressar já no próximo verão

Portugal vai receber 22,8 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 que chegam para imunizar toda a população, mas o processo vai decorrer em três fases, a última das quais poderá prolongar-se até ao primeiro trimestre de 2022.

De acordo com o plano apresentado ontem, a população que não está incluída nos grupos prioritários apenas deverá começar a ser vacinada a partir de Julho de 2021.

Os cidadãos terão que dar o “seu consentimento esclarecido”, depois de serem informados sobre as “precauções”, as “contra-indicações” e a possibilidade de ocorrência de “reações adversas”, ainda que estas sejam “raras ou muito raras”, especifica-se no documento da DGS.

Na primeira fase, que pode ir de Janeiro a Abril, serão vacinadas 950 mil pessoas, incluindo residentes e trabalhadores em lares, pessoas internadas em unidades de cuidados continuados, doentes crónicos a partir dos 50 anos, profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados e profissionais das forças armadas e forças de segurança.

Numa segunda fase incluem-se as pessoas a partir dos 65 anos saudáveis, que não residam em lares ou em unidades de cuidados continuados e cidadãos entre os 50 e os 64 anos com outras patologias consideradas menos graves. Esta segunda fase deverá decorrer no segundo trimestre de 2021 mas pode estender-se até Julho.

Finalmente, na terceira fase será imunizada a restante população, mas esta fatia da população só começará, assim, a ser vacinada a partir de Julho.

O primeiro momento de vacinação vai decorrer em exclusivo nos locais onde habitualmente são administradas as vacinas do plano nacional, ou seja, nos os centros de saúde. Estão previstos cerca de 1200 pontos.

Numa fase subsequente, poderá ser necessário uma expansão da rede de pontos de vacinação, admitiu o especialista Francisco Ramos, sem adiantar mais detalhes.

Num cenário otimista, será possível vacinar as 950 mil pessoas da primeira fase até ao final de Fevereiro, o que em media dá 16 mil pessoas por dia (contando com os fins-de-semana).

Toda a operação está dependente do ritmo de abastecimento das doses e a calendarização prevista no plano estende-se até ao primeiro trimestre de 2022. De acordo com o plano, nos primeiros três meses do próximo ano está prevista a chegada de mais de quatro milhões de doses de vacinas, no segundo, serão mais de 7,5 milhões, e no terceiro, quase 8 milhões. Por fim, no último trimestre de 2020 chegarão mais de dois milhões, estando ainda prevista a entrega de mais cerca de 1,5 milhões no primeiro trimestre de 2022.

O plano pode ter que ir sendo ser alterado, uma vez que o ritmo de abastecimento vai depender da aprovação das várias vacinas.

Para garantir uma comunicação eficaz, haverá “um local na Internet” onde poderá ser consultada toda a informação relevante e vão ser criadas linhas telefónicas de apoio à população em geral e para os profissionais de saúde.

Na reunião no Infarmed, na manhã de quinta-feira, os especialistas afirmaram que “a pandemia dá sinais de estabilização” e que o pior já terá passado, por agora. O pico de novos casos foi atingido no dia 25 de novembro, estando o índice de transmissão a nível nacional em 0,99.

Nos internamentos ainda é esperado um aumento e estima-se que haverá, no total, 6500 mortes até ao final do ano.

Os peritos admitem, ainda assim, que no verão será possível começar a retomar a normalidade.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. O título deste artico é incongruente: se “até Março de 2020” como é que podemos regressar à normalidade no próximo verão (julgo que referem o verão de 2021) ou estarão a referir-se ao de 2022?

    Vejamos!

    • Caro leitor,
      O regresso à normalidade não implica necessariamente que toda a população nacional ou planetária esteja vacinada. Após uma dada percentagem de população vacinada, a taxa de transmissão do vírus reduz-se para valores que poderão permitir o regresso a (alguma) normalidade.

      • Eu diria mesmo total normalidade. Doenças como o sarampo e outras também não estão totalmente erradicadas. Mas havendo grande parte da população vacinada (muito embora agora haja para aí umas correntes de malucos contra a vacinação) obtém-se uma proteção praticamente total enquanto grupo. E é isso que deverá acontecer no mundo quando 65% a 75% da populaçao estiver vacinada.

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