Vacina da Pfizer tem mais de 90% de eficácia (e pode ir além do combate à covid-19)

ZAP // Rawpixel

Ao contrário das vacinas tradicionais, a vacina da Pfizer é baseada em material genético mRNA e faz com que o corpo produza anticorpos que protegem contra a infeção. Caso os resultados preliminares se verifiquem, “será a primeira vacina a ser bem sucedida com este princípio”.

A Pfizer e a BioNTech anunciaram esta segunda-feira que a sua vacina é mais de 90% eficaz na prevenção de infeção por covid-19, sete dias após a toma da segunda de duas doses. Como estas são espaçadas por três semanas, a equipa responsável explica que a proteção será alcançada 28 dias após o início da vacinação.

Além disso, segundo avança o The Guardian, não foram encontradas preocupações com a segurança e a proteção contra a infeção foi testada em pacientes de uma ampla variedade de origens étnicas – uma consideração importante, dado que grupos de minorias étnicas e negras parecem estar em maior risco de contrair o vírus.



Notícia é animadora, mas deve ter-se cautela

Num momento em que os casos do novo coronavírus não param de crescer, a maioria dos especialistas concorda que os resultados do estudo Pfizer/BioNTech são uma notícia animadora e excelente, mas o otimismo deve vir com uma nota de cautela: os resultados são preliminares e os testes ainda não foram concluídos.

Até agora, entre os 43 538 participantes na terceira fase de testes foram identificados 94 casos de covid-19 positivos, uma percentagem de eficácia superior a 90%.

Ainda há, no entanto, muitas dúvidas. Não se sabe por quanto tempo irá durar a proteção, se irá funcionar em quem já esteve infetado e se impedirá as pessoas de apanhar o vírus e de o transmitir ou se apenas reduzirá a gravidade dos sintomas.

Por outro lado, existem desafios logísticos, visto que a vacina precisa de ser armazenada a -80ºC, o que significa que mesmo em países desenvolvidos pode haver dificuldades na sua distribuição.

“Esperamos ansiosos por partilhar dados adicionais acerca da eficácia e segurança gerados por milhares de participantes nas próximas semanas”, disse Bourla.

“Os dados até agora apontam para uma eficácia de 90%. É um bom número, de facto, sobretudo porque outras vacinas, alternativas, apontam para níveis de eficácia bastante mais baixos, da ordem dos 60%. Mas estamos a falar de um anúncio baseado em dados não finais”, disse Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, ao Diário de Notícias.

Mas afinal como funciona a vacina?

Tradicionalmente, as vacinas usam o vírus enfraquecido ou inativado para desencadear uma reação imunitária (uma opção que também está a ser seguida, por exemplo, no caso da vacina chinesa).

Já no caso da vacina desenvolvida pela farmacêutica norte-americana o princípio de ação é diferente – esta é baseada em material genético mRNA, que é introduzido no corpo humano, fazendo com que as células produzam a proteína e, consequentemente, com que o corpo produza anticorpos que protegem contra a infeção.

“Aquilo que se utiliza é uma parte do genoma do vírus, uma parte do código genético do vírus, que está codificado em RNA (e não como está nas células, em DNA). Essa molécula de RNA vai levar a que algumas células do nosso organismo produzam uma proteína que é típica do vírus e que vai ser reconhecida pelo sistema imunitário como sendo uma proteína estranha”, explica Miguel Castanho.

“Essa presença da proteína acaba por educar o sistema imunitário para reconhecê-la como algo de estranho, que deve ser eliminado. Se o sistema imunitário voltar a entrar em contacto com a proteína, desta vez porque ela está agarrada ao vírus, é desencadeada uma resposta imunitária”, conclui.

A tentativa de desenvolver vacinas deste tipo já aconteceu antes, mas se se confirmarem os resultados preliminares agora avançados, esta será a “primeira vacina a ser bem sucedida com este princípio”.

Além disso, há “outras a ser desenvolvidas que utilizam o mesmo modo de ação, portanto é legítimo esperar que outras que usam o mesmo modo de ação também o serão“, disse Miguel Castanho, referindo-se à possibilidade de outras vacinas terem também a possibilidade de ser bem-sucedidas.

“O primeiro conjunto de resultados dos testes realizados na fase 3 fornece evidência inicial acerca da capacidade da nossa vacina a prevenir a covid-19“, disse o presidente e CEO da Pfizer, Albert Bourla, em comunicado.

“Estamos um passo significativo mais perto de fornecer às pessoas em todo o mundo um avanço muito necessário para ajudar a pôr fim a esta crise de saúde global”, acrescentou.

O investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, por outro lado, considera que “há bons indícios, mas ainda não há provas” – a eficácia da vacina da Pfizer é uma boa notícia (e até pode ir mais além do combate ao Sars-CoV-2), mas é preciso esperar pelos resultados finais dos testes para tirar conclusões.

“A prova dos nove ainda vai a meio”, adverte. “Primeiro, porque não são resultados finais, segundo porque a vacinação vai demorar um tempo considerável a atingir uma dimensão que consiga ter impacto concreto sobre a pandemia”.

“Estamos a falar de 700 milhões de pessoas na Europa, 300 milhões nos Estados Unidos, sete mil milhões de pessoas em todo o mundo. A tarefa de dar duas doses da vacina vai demorar muito tempo“, explica Miguel Castanho.

A Pfizer e a BioNTech fecharam um contrato com a União Europeia em setembro que prevê a venda de 200 milhões de doses da vacina, ampliável em mais 100 milhões de doses, a distribuir proporcionalmente entre os vários países da UE. Considerando o número total de 300 milhões, caberá a Portugal uma percentagem de 2,3% – 6,9 milhões de vacinas.

Além da Pfizer a União Europeia também já fechou acordos com a AstraZeneca/Oxford (também para 300 milhões de doses), o consórcio Sanofi/GSK (igualmente 300 milhões) ou a alemã Curevac (225 milhões, sendo que esta é uma vacina que assenta no mesmo princípio de ação da da Pfizer), além de outras três vacinas atualmente em testes.

No total, a União Europeia firmou contratos para 1200 milhões de doses de vacinas (acordos que estão dependentes do êxito das vacinas).

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12 COMENTÁRIOS

  1. A Pfizer compra tudo e todos para divulgar os seus resultados muito provisórios, e convencer as pessoas de que a sua vacina é a solução do problema. Mesmo tendo que manter as ampolas da vacina a 80 graus negativos! E pouco se fala da vacina russa cuja taxa de imunização é superior a 90%! Está-se tudo a preparar para comprar a vacina cara americana e desprezar a vacina barata russa…

    • Vê-se. Os resultados diários na Rússia, onde afirmaram já ter a vacina há mais de um mês, estão aí todos os dias à vista de todos. Olhe… tenha juízo.

    • Tenho a solução para si. Emigre para a Rússia! Pelos seus posts é óbvio que não está satisfeito com o mundo Ocidental, aliás, é mais que óbvio que admira a Rússia e tudo o que esse país tem para oferecer. Do que está à espera?

    • Vá depressa para a Rússia vacinar-se e leve consigo todos os seus amigos do PC e do BE. Que bem que voces ficavam lá…

  2. Do que estou à espera? Que pessoas como o senhor aprendam a distinguir a realidade da propaganda. De onde é que lhe vem o medo da Rússia? Da CNN, da BBC e do Economist?…

    • Não! De tudo o que fizeram no passado, e do estado em que deixaram a Europa de Leste. Vivo nos EUA, conheço vários imigrantes da antiga URSS e outros países do Bloco de Leste. Ninguém tem absolutamente nada de bom a dizer da Rússia. Não percebo como é que ainda há em Portugal quem defenda esse regime.

      • Éverdade que os grunhos americanos não sabem qual é a diferença entre a União Soviética e a Rússia, mas os portugueses, mesmo os que vivem nos EUA, deviam ser um bocadinho mais esclarecidos.

        • A me$da é a mesma, só o cheiro é que muda. Mas quem sabe mesmo do que fala é quem lá viveu. Certo, nos tempos da URSS, mas se acha que agora é tudo uma maravilha, tenho uma ponte para lhe vender. Os vícios são os mesmos. Vou confiar na palavra de quem lá viveu, em detrimento de um tipo na internet que acha que sabe mais que os outros.

          • Ser preconceituoso deve ser uma das coisas que aprendeu nesses maravilhosos Estados Unidos que é o país com maior população prisional por milhão de habitantes de todo o mundo…

    • Concordo, isto não é uma questão politica, para quem não gosta da vacina Russa, e dá como exemplo os casos positivos nesse pais, lembro que os chineses espalhados pelo mundo, incluindo os que estão no nosso pais estão a deslocar-se à China em massa para ser vacinados, alguêm fala desta situação? ou do sussesso da China em relação à pandemia? alguêm têm duvidas que a vacina que vamos comprar vái vir dos EUA ou Alemanha? independentemente da sua eficácia em relação a outras vacinas? isto é apenas a minha opinião, respeito quem têm opinião diferente!

    • Mete mais tabaco nisso!!!

      1º A vacina é pura propaganda do Putin.

      2º A Russia é um grande país, pelas suas gentes e não pelo regime que por lá governa. OP sonho do teu BE e dos camaradas do PCP.

      3º Como já disseram, vai colar cartazes do BE para a Rússia e fica em uma “Glavnoe Upravlenie Lagerei” qualquer. Leva a Catarina e o Gerónimo contigo.

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