União Europeia não vai renovar contrato com AstraZeneca e Johnson & Johnson

Daniel Leal-Olivas / EPA

A União Europeia não vai renovar os contratos da vacina contra a covid-19 com empresas como Astrazeneca e Johnson & Johnson no próximo ano.

A notícia da decisão de não renovação dos contratos da vacina contra a covid-19 no próximo ano com empresas como Astrazeneca e Johnson & Johnson foi avançada pelo jornal italiano La Stampa esta quarta-feira, que cita fonte do Ministério da Saúde italiano.

Segundo o jornal, a Comissão Europeia decidiu que os contratos com as empresas produtoras de vacinas com vetor viral válidas para o ano em curso não serão renovados. As vacinas contra a covid-19 da AstraZeneca e da Johnson & Johnson enquadram-se neste tipo de vacinas.



Por outro lado, Bruxelas vai focar a sua atenção nas vacinas que usam tecnologia mRNA, como Pfizer/BioNTech e Moderna.

Esta decisão surge numa altura em que a Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA) e o Centro para o Controlo de Doenças (CDC) dos Estados Unidos pediram uma pausa imediata no uso da vacina da Johnson & Johnson, depois de terem sido detetados seis casos de coágulos sanguíneos.

Em causa estão seis mulheres norte-americanas, com idades entre os 18 e os 48 anos, que receberam esta vacina de dose única e desenvolveram coágulos sanguíneos. Uma delas morreu e outra foi hospitalizada em estado grave no Nebraska.

Em conjunto, os cientistas da FDA e do CDC vão agora analisar possíveis ligações entre a vacina e o desenvolvimento dos coágulos sanguíneos. Depois, a FDA decidirá se autoriza a administração da vacina em todos os adultos ou se a toma será limitada, tal como aconteceu com a vacina da AstraZeneca.

Nesse mesmo dia, a Johnson & Johnson informou que a distribuição da vacina contra a covid-19 vai ser atrasada na Europa.

Portugal deveria receber esta quarta-feira as primeiras 30 mil doses da vacina.

70% dos adultos da UE vacinados no verão

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) considera ser “concretizável” ter 70% dos adultos da UE vacinados contra a covid-19 até final do verão, apesar dos “muitos obstáculos” na campanha de vacinação europeia.

“É claro que [as metas estipuladas pela Comissão Europeia] são realizáveis, mas requerem um grande esforço de todos e faremos o nosso melhor para ajudar”, disse, em entrevista à agência Lusa, o responsável pela unidade de Emergência de Saúde Pública do ECDC, Piotr Kramarz.

Questionado sobre o objetivo de vacinar 70% dos adultos da UE até final do verão ou o de atingir a imunidade de grupo em julho – conjugando a vacinação com a recuperação e consequente imunização à doença -, o responsável admitiu que “existem muitos obstáculos que podem interferir” com estas metas.

“Mas faremos o nosso melhor para chegar tão perto ou exceder este objetivo“, reforçou o também chefe-adjunto do programa de doenças do ECDC.

Dados do ECDC revelam que, até ao momento, foram administradas pelos países europeus quase 87 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 de um total de mais de 110 milhões de doses que chegaram aos Estados-membros da UE.

A ferramenta online do ECDC para rastrear a vacinação da UE, que tem por base as notificações dos Estados-membros, indica que, em termos percentuais, só 6,9% da população adulta da UE já está totalmente inoculada (com as duas doses), enquanto 16,8% recebeu a primeira dose da vacina, ainda longe da meta dos 70% estipulada pela Comissão Europeia.

“A taxa de vacinação média está próxima dos 7% para a administração completa e perto dos 17%, quando se pensa numa dose e é muito mais elevada, claro, para as populações prioritárias como os indivíduos mais velhos, [já que] entre 60 e 70% das pessoas com 80 anos de idade receberam pelo menos a primeira dose e mais de 40% as duas”, elencou.

Bruxelas esperava ter chegado a 31 de março com 80% da população com mais de 80 anos vacinada, bem como com 80% dos profissionais de saúde, mas em ambos os casos as metas falharam, havendo agora foco nos objetivos estipulados para o verão.

“Devo dizer que cada vez mais países estão a entrar na fase de vacinação em massa e há cada vez mais doses de vacinas a chegar [à UE] e mais vacinas a serem aprovadas, pelo que esperamos realmente que a situação melhore e que as taxas de vacinação aumentem mais rapidamente do que antes”, afirmou Piotr Kramarz.

Atualmente, estão aprovadas quatro vacinas na UE: Pfizer/BioNTech (Comirnaty), Moderna, Vaxzevria (novo nome da vacina da AstraZeneca) e Janssen. Nesta contabilização do ECDC entram, além das vacinas aprovadas na UE, outras duas como a chinesa Sinopharm e a russa Sputnik V, cada uma com 1,1 milhões de doses administradas apenas na Hungria.

Para o segundo trimestre do ano e após um primeiro muito abaixo do esperado, a expectativa do executivo comunitário é que cheguem 360 milhões de doses à UE, principalmente da Pfizer/BioNTech (200 milhões), da Vaxzevria (70 milhões de um total de 180 milhões inicialmente acordadas), da Janssen (55 milhões) e da Moderna (35 milhões).

Maria Campos, ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. E por que razão não se abre as portas a outras possíveis boas vacinas? O que se tem feito para saber dos seus efeitos? Parece um negócio de compadres!

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