No encontro entre Trump e López Obrador, não houve um muro a separá-los. E nem se tocou no assunto

The New York Times POOL / EPA

Os presidentes dos Estados Unidos e do México não falaram sobre imigração, jovens migrantes indocumentados ou questões relacionadas com a fronteira entre os dois países durante o encontro que decorreu esta quarta-feira na Casa Branca.

O chefe do Gabinete Presidencial mexicano, Alfonso Romo, confirmou que estes temas não foram discutidos durante a reunião entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo do México, Andres Manuel López Obrador, noticia a agência Efe. A mesma fonte explicou que apenas o acordo comercial e a pandemia foram discutidos.

O primeiro encontro entre os dois líderes, realizado esta quarta-feira na Sala Oval da Casa Branca, teve como objetivo celebrar a entrada em vigor do novo acordo de comércio da América do Norte.

O novo acordo comercial substitui o Acordo de Livre Mercado da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês), que tinha sido estabelecido em 1994 entre os Estados Unidos e os seus dois principais mercados de exportação.

Este acordo começou a ser negociado em 2017 e já tinha sido assinado pelo México e pelo Canadá, em 2018, constituindo a resposta a uma promessa eleitoral de Donald Trump de renegociar um acordo que considerava danoso dos interesses norte-americanos.

Entre os críticos do novo acordo estão grupos ambientalistas, preocupados com o facto de as novas regras não terem tido em conta as alterações climáticas.

López Obrador agradeceu a Trump por não ter tratado o México como uma “colónia” e por ter respeitado a sua condição de “nação independente”.

“Você não nos tratou como uma colónia, pelo contrário, honrou a nossa condição de nação independente. Por isso, estou aqui para expressar ao povo dos Estados Unidos que o seu Presidente se comportou para com os mexicanos com gentileza e respeito”, destacou López Obrador após o encontro. “Tratou-nos como o que somos, um país e um povo digno, livre, democrático e soberano”.

Viva a amizade entre as nossas nações. Viva os Estados Unidos, viva o Canadá e viva a nossa América. Viva o México, viva o México, viva o México”, sublinhou ainda o líder mexicano durante a declaração conjunta, segundo noticia a agência EFE.

Donald Trump respondeu: “Isto é fantástico, grande trabalho, muito obrigado, muito obrigado senhor Presidente. Um grande trabalho, obrigado”.

López Obrador reconheceu também que os dois países enfrentam atualmente diferenças nas suas relações, mas considerou que ambos escolheram “privilegiar a compreensão”.

À mesma hora do encontro, várias dezenas de pessoas concentraram-se junto à Embaixada dos Estados Unidos na Cidade do México para protestar contra o Presidente mexicano.

“Isto é uma manifestação, não é um protesto. Trump não é uma pessoa agradável para nós, mas López [Obrador] está a destruir este país que tanto trabalho nos deu a construir”, realçou um dos manifestantes, citado pela Efe.

Cerca de 25 pessoas gritaram “fora López” envergando cartazes a acusar o presidente de “criminoso”, “assassino” e “corrupto”.

O muro mandado construir por Donald Trump entre os dois países e a imigração da América Central através do México para os Estados Unidos são duas das questões que separam os dois líderes, mas o assunto nem foi tocado durante o encontro.

A construção do muro com o México foi uma promessa emblemática da campanha eleitoral do magnata do imobiliário em 2016.

A Casa Branca pediu 3,6 mil milhões de dólares em fundos destinados ao Pentágono para auxiliar na construção do muro, depois dos legisladores terem recusado alocar cinco mil milhões de dólares para esse fim. Essa verba seria dirigida a programas do Departamento de Defesa em 26 Estados.

No final de 2018, o muro provocou a paralisação do Governo, devido à ausência dos fundos necessários para a sua construção no Orçamento de 2019. O shutdown prolongou-se durante 36 dias, tempo recorde na História dos Estados Unidos.

Em fevereiro, Trump declarou o estado de emergência nacional na fronteira entre os Estados Unidos e o México. A medida teve como objetivo direcionar milhares de milhões de dólares do Orçamento americano para a construção do muro, depois de o Congresso se ter recusado a desbloquear a verba pedida pelo Presidente.

Em julho, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos confirmou que a Administração Trump tinha à sua disponibilidade 2,5 mil milhões de dólares para o muro.

O Presidente dos Estados Unidos garantiu durante o discurso anual do Estado da Nação, em 5 de fevereiro, que o muro na fronteira com o México terá mais de 800 quilómetros construídos no início de 2021.

ZAP // Lusa

 

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