Uma estratégia controversa que acabou por dar frutos. Suécia pode ter evitado o pior da crise

Jonas Ekstromer / TT News Agency

O primeiro-ministro da Suecia, Stefan Löfven

A Suécia adotou uma estratégia muito controversa para lidar com a pandemia de covid-19, mas pode ter-lhe valido um caminho mais fácil para sair da crise económica.

A Suécia, que foi muito criticada por ter recusado estratégias de confinamento no início da pandemia de covid-19, está a ser elogiada pelos economistas, que afirmam que é hoje um dos países europeus que melhor se terá saído no segundo trimestre – pelo menos, no que diz respeito à evolução da economia.

O país vai publicar, esta terça-feira, dados preliminares sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho. No entanto, economistas consultados pela Bloomberg, e citados pelo Jornal de Negócios, antecipam uma contração de 7%.

Não há dúvidas que, a verificar-se, esta é uma queda histórica para o país nórdico, mas é uma travagem muito inferior à registada por outros países europeus e pelos Estados Unidos. “Acreditamos que a queda do PIB no segundo trimestre provavelmente terá sido cerca de um terço do observado na Zona Euro”, disse David Oxley, economista da Capital Economics.

Ainda assim, há o reverso da medalha: a Suécia tem uma das maiores taxas de mortalidade do mundo (56,4 por 100 mil habitantes) e a economia parece não ter um desempenho muito superior ao das vizinhas Dinamarca e Noruega, que impuseram confinamentos rigorosos no início da crise sanitária.

A confirmar-se, a quebra do PIB deste país nórdico terá sido cerca de metade da descida registada pelos países do euro, que viram a economia contrair 15% no segundo trimestre deste ano, segundo os dados do Eurostat, revelados na passada sexta-feira.

O Negócios realça que a queda histórica foi superior ao previsto (-14,5%) e compara com a contração homóloga de 3,1% registada nos três meses anteriores.

ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Realmente, quando se coloca a vida das pessoas em risco em nome da economia, mal vai esse país. A Suécia tem um governo que é uma vergonha, que não teve peias em deixar morrer pessoas com Covid, em nome de não parar a economia. Shame on you…

    • Vale a pena relembrar que o COVID19 ainda não passou, a Suécia já algum tempo que controlou o número de mortos, o resto da Europa se está a preparar para a segunda vaga, a Espanha está outra vez a confinar grande parte da população.

      Assim que para já, apesar do elevado número de mortos, a estratégia parece não ter sido má.
      Considerar que outros países da Europa tiveram números superiores apesar do intento das notícias de não falar neles porque seguiram as políticas de confinamento e subsídios, sendo eles a prova de talvez não tenham sido a opção correta.

      Por outro lado, estamos apenas a falar de número de mortos por covid, falta contabilizar as mortes causadas pelo cancelamento de consultas, pelo confinamento e ainda outros factores, mas como o jornalismo de investigação está confinado e a viver ás custas de subsídios, temos apenas o jornalismo de propaganda política que se fica pelos comunicados governamentais e os ataques fáceis á Suécia, Brazil e EUA.

      • Parabéns pela lucidez – infelizmente em Portugal há poucos adultos – só criancinhas assustadas e de pouca reflexão – e só daqui a uns 10 anos. olhando para a desgraça causada à nossa e futuras gerações, conseguirão começar a perceber o que o Senhor diz.

  2. Não há dúvida que os nórdicos são mesmo frios a tomarem decisões. Vejam a sua frieza em relação aos problemas dos povos do sul que decidiram e, muito bem, proteger os seus velhinhos, (Uma enorme fonte de sabedoria)!Eles só fazem cálculos à economia! Será que uma vida humana não vale mais do que um barril de petróleo? Nós não devíamos ter entrado no barco com estes agiotas , calculistas e desumanos!! Consomem as nossas riquezas e poupanças e ainda se autointitulam de frugais!!!!!!!

  3. A Suécia tem a vantagem da baixa densidade populacional. Mesmo assim, é o que se vê. Havendo uma segunda vaga, esta afetará todos nós, Suécia incluída. Se for semelhante à da Gripe Espanhola, os mais jovens serão mais atingidos o que não será para estranhar tendo em conta o reinício das aulas. Mas espero que não aconteça nada disso, nem a nós, nem aos suecos, nem a ninguém. Exceto os talibans e os alqaidas e essa gente transviada.

  4. Não sei se os que defendem a política economicista da Suécia se também defendem a política economicista do PCP que angaria, na Festa do Avante, metade dos seus fundos. Aliás, quase podia apostar que se o PCP estivesse no governo, a estratégia de combate à pandemia não divergiria muito da seguida pelos suecos. Tudo em nome, claro está, da defesa dos postos de trabalho e da manutenção do nível salarial dos trabalhadores.

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