Sondagens colocam Marina Silva em possível segunda volta contra Dilma

José Cruz / ABr

Marina Silva, segundo nome da lista encabeçada por Eduardo Campos para as eleições presidenciais no Brasil

Marina Silva, segundo nome da lista encabeçada por Eduardo Campos para as eleições presidenciais no Brasil

A primeira sondagem sobre a corrida presidencial realizada depois da morte do candidato Eduardo Campos, do Partido Socialista Brasileiro, foi publicada nesta segunda-feira pelo instituto de pesquisa brasileiro Datafolha e aponta a presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, com 36% das intenções de voto.

No cenário em que Marina Silva (PSB) ocupa a vaga deixada por Campos, que pode ser confirmada oficialmente até quarta-feira, a ex-senadora aparece com 21% das intenções de voto, seguida pelo candidato do PSDB, Aécio Neves com 20%. Tendo em conta a margem de erro de dois pontos percentuais, Marina e Aécio aparecem em empate técnico na segunda colocação e iriam disputar uma das vagas para a segunda volta.

Entre os demais candidatos, Pastor Everaldo (PSC) soma 3% das intenções de voto. Zé Maria (PSTU) e Eduardo Jorge (PV) aparecem com 1%. Luciana Genro (PSOL), Rui Costa Pimenta (PCO), Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Mauro Iasi (PCB) não chegaram a 1%.

Se Dilma e Marina disputassem hoje uma segunda volta, ocorreria um empate técnico: a ex-senadora teria 47% dos votos, contra 43% da presidente. Numa disputa com Aécio, Dilma venceria por 47% contra 39%, de acordo com a pesquisa.

Na última sondagem divulgada pelo Datafolha em meados de julho, quando Campos era o candidato do PSB, Dilma tinha 36% das intenções de voto diante de 20% de Aécio e 8% de Campos. Também o número de votos nulos ou em branco caíram 5 pontos percentuais em relação à última sondagem, ainda com Campos, onde esse grupo somava 13% e, agora, recuou para 8%. Indecisos eram 14%, caindo para 9% nesta pesquisa.

Fazendo contas por alto, pode-se dizer que Marina “ajudou” alguns indecisos a tomar a decisão de votar pelo PSB. Numa sondagem realizada em abril, Marina obteve 27% dos votos, o que sugere que ainda tem potencial para crescer. Segundo o Datafolha, 8% dos brasileiros que não votam nela hoje são receptivos ao seu nome – ou seja, são votos possíveis de serem conquistados.

O Datafolha também ouviu eleitores em um cenário sem nomes para substituir Campos. Nessa simulação, Dilma tem 41% das intenções de voto, Aécio aparece com 25%, Pastor Everaldo com 4%; Zé Maria, Eduardo Jorge, Luciana Genro e Rui Costa Pimenta somam 1% cada. Brancos e nulos somam 13% e indecisos 12%.

Projeções de sucesso de Marina são precipitadas

É preciso cautela para analisar as sondagens que apontem a colocação da ex-senadora Marina Silva numa segunda volta das eleições presidenciais, já que os resultados podem refletir efeitos emocionais passageiros gerados pela morte do ex-candidato à Presidência Eduardo Campos, de acordo com analistas ouvidos pela BBC.

Para Roberto Romano, professor de filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, o desempenho de Marina reflete uma espécie de “recall”.

“Ela foi muito bem votada em 2010, é uma figura conhecida e tem essa aura de alguém que não iria repetir procedimentos perniciosos da política nacional”, disse ele à BBC Brasil.

Segundo Romano, eleitores do centro-sul do Brasil têm a tendência de votar em candidatos “que supostamente vão modificar a estrutura moral da política brasileira”. “Foi assim com Jânio Quadros, Fernando Collor de Melo e o PT – ainda que nos três casos essa expectativa tenha se mostrado ilusória”.

Para o professor, Marina também parece contar com o apoio de boa parte dos manifestantes de junho de 2013, sobretudo os mais jovens, que estariam insatisfeitos com as opções eleitorais até aí colocadas e votariam nulo.

“Esse setor parece disposto a rever o voto caso Marina seja candidata.”

Ainda assim, o especialista diz que só nas próximas semanas, passado o efeito da morte de Campos, será possível projetar com mais precisão as hipóteses da candidata, natural do estado do Acre.

Máquina partidária e questões de perfil

Orlando Brito / PSDB

Aécio Neves, candidato à Presidência do Brasil pelo PSDB

Aécio Neves, candidato à Presidência do Brasil pelo PSDB

Para Antonio Carlos Mazzeo, professor em Teoria Política da Universidade Estadual Paulista (UNESP), um importante obstáculo para a campanha de Marina é a “fragilidade” de seu partido em comparação com as máquinas partidárias por trás de seus principais adversários, Dilma e Aécio.

Além disso, a ex-senadora terá muito menos tempo de antena que os seus maiores concorrentes. De acordo com as indicações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marina contará com apenas 2 minutos e 3 segundos nas propagandas exibidas às terças, quintas e sábados, enquanto Dilma terá 11 minutos e 24 segundos e Aécio, 4 minutos e 35 segundos.

A duração do tempo de antena é proporcional ao número de deputados federais dos partidos que apoiam as candidaturas.

“O tempo de antena na televisão vai influenciar o desempenho de Marina, assim como as suas entrevistas e participação em debates”, diz Mazzeo.

Para Maria do Socorro Braga, professora de ciência política da Universidade de São Paulo (USP), para resistir aos ataques dos adversários, Marina terá de apresentar um programa de governo que satisfaça os eleitores que desejam mudanças.

“Ela só vai conseguir ter consistência e manter o eleitorado se esse programa estiver de acordo com o que estão a reivindicar.”

Roberto Romano diz ainda que, mesmo que consiga superar todos esses obstáculos, Marina ainda verá testada a sua personalidade. “Ela tem um perfil bastante autoritário, o que é uma virtude mas também um problema.”

Segundo o especialista da Unicamp, Marina é capaz de manter princípios e definir as suas ações com base em doutrinas, mas “na política não há apenas uma ética ou moral”.

“A política é a arte de adequar as múltiplas perspectivas éticas. E ela parece muito rígida nessa linha”, diz.

“Não digo que deva transformar-se num político tradicional, mas, se atenuar esse perfil autoritário, evidentemente Marina pode consquistar as boas graças do partido. E com uma boa campanha, um bom esquema de propaganda e persuasão, talvez consiga de facto chegar à segunda volta, o que será uma situação complicada para Dilma Rousseff”, conclui.

ZAP / ABr / BBC

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