SIM ganhou com 72%. Deputados aprovam abertura de impeachment de Dilma

Marcelo Camargo / Agência Brasil

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou este domingo a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A votação atingiu os 342 votos favoráveis necessários para dar continuidade ao processo de afastamento da presidenta.

O deputado Bruno Araújo, do PSDB de Pernambuco, deu o 342º voto a favor do seguimento do processo impeachment, atingindo o mínimo de dois terços dos 513 parlamentares que compõem a Câmara dos Deputados que eram necessários.

O SIM à ao impeachment obteve um total de 367 votos a favor – cerca de 72% dos deputados.

137 dos deputados votaram NÃO, 7 abstiveram-se e 2 estiveram ausentes.

O processo de impeachment passa agora para o Senado do Brasil, precisando nesta câmara de uma maioria simples dos 80 senadores para ser aprovado.

A sessão foi aberta às 14h locais pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB.

Após discursos do relator da Comissão Especial do Impeachment, deputado Jovair Arantes, do PTB, de líderes partidários e representantes da minoria e do governo, a votação começou por volta de 17h45.

Os deputados foram chamados a votar de acordo com a ordem definida no regimento interno da Câmara, da região Norte para a Sul do país. O primeiro a votar foi o deputado Abel Galinha, do DEM, que disse “sim” ao impeachment.

A discussão do parecer sobre a abertura de processo de impeachment de Dilma, que antecedeu a sessão de hoje, começou na última sexta-feira, durou mais de 43 horas ininterruptas e tornou-se a mais longa da história da Câmara dos Deputados.

Antes de chegar ao plenário, na Comissão Especial do Impeachment, o relatório de Arantes pela admissibilidade do processo foi aprovado com placar de 38 votos favoráveis e 27 contrários.

O pedido de impeachment, assinado pelos juristas Miguel Reale Jr., Janaína Paschoal e Hélio Bicudo, foi recebido por Cunha em dezembro de 2015.

O pedido teve como base o argumento de que Dilma terá cometido crime de responsabilidade através de uma “pedalada fiscal”, um atraso na entrega aos bancos públicos do pagamento de benefícios sociais, que ficaram conhecidos.

Os autores do pedido também citaram a abertura de créditos suplementares ao Orçamento sem autorização do Congresso Nacional como motivo para o afastamento da presidente.

Na votação do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, estiveram presentes 480 dos 503 deputados que compunham a Câmara na altura.

O resultado da votação na altura  foi de 441 votos favoráveis ao impeachment, 38 contrários. Houve 23 ausências e uma abstenção.

“Em nome” de Deus, do aniversário dos filhos e da República de Curitiba

Ao fim de mais de seis horas, a multidão que acompanhava a sessão na Câmara dos Deputados que decidiu pela abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff no centro do Rio de Janeiro começou a abandonar o local.

Grande parte afirmou estar dececionada com o resultado da votação, mas em especial com os discursos dos deputados que citaram Deus e parentes para justificar os votos contra o mandato de Dilma.

“As pessoas estão justificando impeachment por questão da própria família, de religião e isso é um absurdo completo”, queixou-se Jucilene Nogueira, uma jovem que trouxe os três filhos pequenos para assistir à votação.

“As pessoas acham que o espaço de discussão política é no Congresso, o Palácio do Planalto, e esquecem que política é o dia a dia”.

Para Fernando Mendes, professor, a justificação dos deputados, que na sua maioria mencionaram Deus ou a própria religião, além da família – em alguns casos, nomeando parentes, como netos -, é uma tentativa de “se abster de uma responsabilidade individual” e de eventual reação de eleitores contrários ao impeachment.

“Eles se apoiam nessas instituições para não dar as verdadeiras razões de se votar contra a democracia“.

O vendedor João Arno, que também foi assistir à votação no bairro da Lapa, responsabilizou ainda os grupos de media que agiram de maneira imparcial, para influenciar a opinião pública e pressionar os deputados.

“Essa influência da mídia na política se resumiu nessa polarização que matou o verdadeiro debate sobre a democracia”, disse, antes de criticar o próprio governo por não ter aprovado leis para democratizar o setor. “Faltou a regulação dos meios”.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, foi criticado e vaiado várias vezes. Arguido na Operação Lava Jato, é acusado de ter recebido luvas e de ter contas ilegais fora do Brasil.

“A liderança de Cunha torna a votação de hoje ilegítima”, afirma Nina Bolkay. “É uma frustração. E ainda teve esses votos que citaram a família, minha mãe, meu pai”, criticou. Segundo a bailarina, o que estava verdadeiramente em causa – a existência de crime de responsabilidade pela presidente – ficou em segundo plano.

Antes mesmo de os deputados chegarem aos 342 votos necessários para dar continuidade ao impeachment, o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), admitiu que o governo tinha perdido a votação. Ele disse que a derrota é “provisória”, e que ainda há chances de reverter a situação no Senado, por onde o processo vai tramitar.

Voltar às ruas é mesmo o plano da bibliotecária Denise Batista. Apesar de dececionada, voltará a mobilizar-se. “Espero que a gente continue lutando. Ainda tem o Senado. Temos que ter esperança em fazer valer a decisão do povo nas urnas”.

O professor Joaquim Nogueira, pensa da mesma forma. “Viemos para cá com a família inteira para ver o governo ser defendido pelos representantes do povo e estamos vendo uma cambada de canalhas discursar. Isso é um golpe e a única forma de lutar na democracia contra isso é ficar mais forte”, disse. “Não vamos nos desesperar”.

ZAP / ABr

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3 COMENTÁRIOS

  1. A noticia do Impeachment agora dada é facciosa e mal intencionada, até parece que a esmagadora maioria dos manifestantes estavam por Dilma.
    É MENTIRA!
    Mais de 2/3, até pelo que se pode ver pelas manifestações, querem Dilma afastada.
    Estas entrevistas refletem bem a caracteristica do esquerdista, bloquista e petista, só é bom, justo e democrata o que serve os seus interesses, e tudo o que não caiba no seu entendimento, religião, familia e esforço individual, é hipocrita, anti-democratico e fantasioso.
    Não espanta que não entendam que se vote por um Brasil que acreditam melhor sem PT, na esperança dos seus filhos e netos terem uma vida melhor.
    Sim, é nobre e despretensioso, votar pelos seus e pelos brasileiros que foram à rua dizer “Não, já chega! Queremos o Impeachment”

  2. Numa enxurrada de imbecilidades, algo ainda mais imbecil do que intitular a Presidente do Brasil de “Presidenta” (pormenor literato que talvez ajude a entender o Brasil) é artigos como este fazerem eco dessa burrice…

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