Na Rússia, os médicos na linha da frente não são aplaudidos das janelas. Enfrentam desconfiança e hostilidade

Alejandro Garcia / EPA

Em muitos países, os profissionais de saúde na linha da frente do combate ao novo coronavírus são apreciados e até aplaudidos das janelas. No entanto, na Rússia, a história é diferente.

De acordo com a CNN, os profissionais de saúde não são aplaudidos pelos grandes riscos que correm ao tentar combater a pandemia na linha da frente. Na verdade, enfrentam medo, desconfiança e até hostilidade.

Tatyana Revva, especialista em terapia intensiva no hospital central da cidade de Kalach-on-Don, no sul da Rússia, partilhou um vídeo no final de março com a Doctors Alliance, um grupo de defesa alinhado à oposição política da Rússia, sobre a falta de equipamentos. Quando o vídeo se tornou viral, a profissional de saúde foi chamada à polícia.

“Fui chamada à polícia e dei um depoimento com um advogado, mas outra declaração contra mim foi enviada ao escritório do promotor”, contou Revva, em declarações à CNN.

Revva disse que os investigadores verificaram a disponibilidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) e ventiladores no seu hospital. “A verificação foi realizada um mês depois de eu sinalizar os problemas. Pode imaginar-se quanto foi comprado num mês após a agitação do vídeo”, explicou. Revva não foi multada pela polícia, mas teme retaliação profissional.

Na Rússia, vagueiam rumores e teorias da conspiração de que o novo coronavírus foi inventado pelos médicos para controlar a sociedade; que os médicos estão a esconder a verdadeira extensão das vítimas do público; e que o pessoal médico está a atribuir falsamente mortes ao covid-19 para receber mais dinheiro do governo.

A desinformação é predominante na televisão russa e na Internet. De acordo com a CNN, especialistas de media dizem mesmo que estas teorias estão a correr a confiança do público nos médicos.

Alexandra Arkhipova, antropóloga social em Moscovo, disse à CNN que a desconfiança da profissão médica reflete uma desconfiança mais ampla do Estado. Enquanto alguns russos veem os médicos como heróis, muitos veem-nos como “traidores ou vilões” a participar em planos para controlar as pessoas.

“O povo [russo] não acredita em medicina estatal, apenas acredita em médicos que conhece pessoalmente”, disse Arkhipova, referindo-se ao sistema público de saúde da Rússia.

O desespero dos médicos russos que enfrentam desdém público e a pressão esmagadora no trabalho emergiram como tema sombrio na pandemia da Rússia após uma série de mortes misteriosas: um médico de ambulância da linha de frente, Alexander Shulepov, sofreu ferimentos graves na cabeça depois de cair de uma janela e dois outros médicos morreram em circunstâncias semelhantes.

Como se não bastasse, o novo coronavírus também está a matar os profissionais de saúde russos – cerca de 100 até agora. Relatórios oficiais dos media estatais admitem que milhares de trabalhadores médicos estão infetados com covid-19.

Porém, os profissionais de saúde, céticos em relação às figuras do governo, compilaram a sua própria lista de colegas que morreram a combater a pandemia: mais de 300.

Desde o início da pandemia, a Rússia registou mais de 379 mil infetados e 4.142 mortes por covid-19.

ZAP //

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