R(t) sobe a um ritmo “preocupante”. Especialista aconselha Governo a ponderar suspensão da 3.ª fase

Patricia De Melo Moreira / EPA

Esta terça-feira, especialistas e governantes voltam a reunir-se  no Infarmed para analisar a evolução da pandemia e a terceira fase do desconfinamento.

Em declarações ao Diário de Notícias, Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências (FCL) da Universidade de Lisboa, defende que o valor do R(t) continua a aumentar a um ritmo “significativo e preocupante”.

“Não é o valor em si que é preocupante, mas o ritmo da sua evolução”, explicou o especialista, acrescentando que “o R(t) está a subir desde meados de fevereiro e sempre ao mesmo ritmo, uma centésima por dia”. Com o desconfinamento, “nós estamos a potenciar ainda mais essa subida”.

As cautelas têm de ser tomadas agora e quem decide tem de pensar no que vai fazer, porque no dia 19, data para a terceira fase de desconfinamento, o R(t) já deve estar em 1.18″, afirmou.

Isto significa que, se não forem tomadas medidas a tempo, num “ápice a multiplicação de casos que agora, de acordo com o nosso método, está a 21 dias passará para os 14 dias”.

Carlos Antunes defende que a evolução da doença deve fazer soar os alarmes. “O R(t) está a subir diariamente. O valor reportado ontem pela DGS já está desatualizado, é de 5 de abril, portanto de há sete dias, já que a análise do INSA tem um atraso. Nesta segunda-feira já deve estar em 1,11, mas este valor só deve ser reportado pelo INSA no próximo relatório, no dia 17.”

“Ou seja, e mais uma vez, quando chegarmos à próxima segunda-feira, dia 19, e se for tomada a decisão de se manter o calendário de desconfinamento, que prevê a reabertura dos ensinos secundário e universitário e dos restaurantes já teremos um R(t) muito superior (1.18)”, explicou.

A reabertura das atividades previstas a 19 de abril vai potenciar ainda mais o aumento do R(t), porque haverá aumento da mobilidade. “O valor de 1.04 ainda não é preocupante, só o é para quem tem de tomar decisões e tem de pensar para daqui a uma ou duas semanas. Quem tem de decidir tem de pensar como quer que a situação evolua: se no sentido de desanuviar ou no sentido de aumentar a pressão”, sustentou.

O especialista considera, portanto, que devem ser ponderados três cenários neste momento: “se se suspende a terceira fase do desconfinamento por uma ou duas semanas, se se abre todas as atividades ou não, e até se se deve regredir nalgumas áreas que abriram.”

Dados não espelham impacto das esplanadas

Os dados que vão ser apresentados esta terça-feira no Infarmed “ainda não espelham o impacto da segunda fase do desconfinamento, o impacto da abertura das escolas dos 2.º e 3.º ciclos e das esplanadas”.

“Este só vamos ficar a saber nesta semana e só serão confirmados pelos indicadores na próxima semana”, disse Carlos Antunes.

Questionado pelo diário sobre se poderemos voltar a ter uma vaga com a intensidade de janeiro, Carlos Antunes diz que não. “Uma nova vaga sim, mas não com a intensidade do último pico da doença, só se houvesse uma inércia política para tomar decisões, mas acredito que serão tomadas.”

À Renascença, Gustavo Tato Gomes, vice-presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, mostrou-se preocupado com a subida do índice de transmissibilidade R(t) e defendeu regras mais apertadas para as esplanadas.

“Possivelmente, ter-se-á que repensar o número de pessoas por mesa, ter-se-á que definir um rácio de mesas por metro quadrado e objetivar a distância mínima de dois metros entre cada mesa para a área da esplanada de cada café e de cada restaurante”, disse.

Na reunião desta terça-feira serão analisadas as medidas a tomar a partir do dia 19 de abril, altura em que está previsto o início da terceira fase de desconfinamento.

Depois da reunião do Infarmed, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai ouvir os partidos com assento parlamentar sobre a renovação do estado de emergência até ao final do mês.

Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP //

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