Afinal, Portugal pode atingir linha vermelha em poucas semanas

Num relatório conhecido este fim de semana, as autoridades de saúde previam mais de dois meses até Portugal atingir a linha vermelha. Contudo, os números atualizados revelam um crescimento mais rápido da incidência da infeção.

Um relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), conhecido no sábado, estimava que Portugal podia atingir uma taxa de incidência de 120 casos por 100 mil habitantes daqui a dois ou mais meses.

No entanto, segundo a TSF, Portugal pode chegar à linha vermelha muito mais cedo do que foi previsto pelas autoridades de saúde – possivelmente, já na próxima semana.

A incidência da infeção é um dos dois principais indicadores, a par com a taxa de transmissibilidade R(t), que podem fazer travar ou reverter as medidas de desconfinamento.

Esta segunda-feira, o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) já revelava um aumento do R(t) e da incidência. No entanto, Carlos Antunes, perito da equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que tem colaborado com as autoridades, explicou ao matutino que o cálculo tem uma semana de atraso.

Numa semana, de acordo com a DGS, a incidência passou de 63 para 70 novos casos por 100 mil habitantes e o R(t) de 0,98 para 1,04. Estes números revelam um “ritmo de aumento do R(t) de uma centésima por dia e de dia 5 até dia 12 de abril serão sete centésimas”.

“À data de hoje, 1,04+0,7 dará 1,11 o que confere com o valor que eu também estimo de 1,09, dentro da magnitude de 1,10 que será aquilo que estaremos a assistir atualmente”, disse, em declarações à TSF.

Isto significa que Portugal pode atingir a linha vermelha muito mais cedo do que o esperado. “O parâmetro está a evoluir muito rapidamente e cálculo à data de hoje com uma duplicação de casos a cada 20 dias”, havendo mesmo a “probabilidade elevada de chegarmos aos 120 casos por 100 mil habitantes já na próxima semana“, afirmou.

O especialista acrescentou que pode ser altura de pensar se devemos ou não continuar o processo de desconfinamento. “Começa a preocupar, primeiro porque a tendência está consolidada. Segundo porque para inverter essa tendência teria de acontecer algo para reduzir ou retrair esses contágios e o que acontece é exatamente o contrário”, justificou.

Contudo, apesar de o país verificar uma tendência crescente do número de novos casos a nível nacional, nem tudo são más notícias. Segundo o Público, graças à vacinação, esta realidade não é a mesma para todos os grupos etários da sociedade.

Neste momento, o ritmo de contágio está a aumentar em todas as faixas etárias exceto na de pessoas com mais de 80 anos, de acordo com Milton Severo, epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

O especialista adiantou que o grupo em que 85% das pessoas já foi inoculada com, pelo menos, uma dose de vacina contra a covid-19 é o único em que o surgimento de novos casos está a diminuir. A vacinação é a justificação para este comportamento.

“O que se nota é que todas as faixas etárias estão em crescimento exceto a dos mais de 80 anos. Aí continua a decrescer. Tendo em conta que começaram a subir as outras e esta não, a grande diferença entre elas é a vacinação”, disse Milton Severo.

Já em relação à letalidade, o investigador do ISPUP adiantou que também houve uma redução de 50% na faixa etária dos 80 ou mais anos, passando de cerca de 25% a 1 de fevereiro para 12%.

A diminuição é mais acentuada do que a verificada em outros grupos: na faixa etária dos 60 aos 69 anos, por exemplo, a redução foi de apenas 20% (de 2,7% para 2,2%).

  Liliana Malainho, ZAP //

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