“Vemo-nos em tribunal”. Ricardo Araújo Pereira responde com jogo para “salvar” Neto de Moura

Ricardo Araújo Pereira - Oficioso / Facebook

Ricardo Araújo Pereira na Mixórdia de Temáticas

Ricardo Araújo Pereira juntou-se este domingo aos humoristas e políticos que já respondem a Neto de Moura depois de o juiz ter anunciado que tenciona processar 20 pessoas que o criticaram.

O polémico juiz Neto de Moura, autor de acórdãos que desvalorizam a violência doméstica e que tenciona processar, por ofensas à honra pessoal e profissional, quem fez comentários nos jornais, televisões e redes sociais às suas recentes decisões, voltou a estar na berlinda do humor de Ricardo Araújo Pereira.

No programa de domingo à noite “Gente que não sabe estar”, da TVI, o humorista não poupou nas piadas – principalmente contra Neto de Moura.

“Gostava de ser julgado pelo próprio Neto de Moura. Porque ele sentiu-se agredido por mim e ele costuma estar do lado dos agressores“, explica Ricardo Araújo Pereira.

“Mesmo que eu vá preso não é grave. Não vou encontrar na prisão nenhum desses crápulas que batem nas mulheres, porque o juiz Neto de Moura deixou todos cá fora“, continuou Ricardo Araújo Pereira.

O humorista caracterizou Neto de Moura como “um juiz que apela ao poder de encaixe das mulheres no que toca a socos, mas que tem dificuldade em encaixar paródia.” No programa, deixou ainda um conselho: “Para as próximas mulheres a serem julgadas pelo juiz, basta dizerem ‘Meritíssimo, ele realmente deu-me várias tareias, nada a dizer, mas contou-me três anedotas que me amesquinharam tanto… Fiquei mesmo macerada’.”

Mas não se ficou por aí. Ricardo Araújo Pereira apresentou um jogo online, “Salva o Neto”, cujo objetivo, é ajudar o juiz a “escapar à censura social e a chegar a casa limpinho para escrever mais acórdãos infames​”.

“A opinião pública manda imundas calúnias, aqui representadas por cocós. Se o Neto de Moura se abrigar debaixo do Conselho Superior da Magistratura, não leva com cocó, porque eles protegem-no. Se carregares na barra de espaço, ele atira uma moca com pregos e destrói os rabos”, explicou Ricardo Araújo Pereira a uma criança da plateia.

Quando o jogo é concluído com sucesso, a mensagem que aparece no ecrã é “Parabéns. Ganhaste. Graças a ti, o juiz ilibou mais um vil agressor. Boa!”. Em caso de derrota, diz apenas “Vemo-nos em tribunal, rabos!”

Já este sábado no programa “Governo Sombra”, Ricardo Araújo Pereira tinha voltado a criticar Neto de Moura: “Eu gostava de estar cinco minutos numa sala escura com o juiz, só para termos uma conversa sobre o que constitui violência a sério. Eu não sei se este juiz não precisava de cinco minutos comigo, acho que eram pedagógicos e até medicinais. Mas depois, se calhar, precisava de um internamento numa sala toda ela almofadada”.

Jogo “Salva o Neto” apresentado no programa da TVI “Gente que não sabe estar”

Bruno Nogueira e João Quadros também já responderam

O juiz Neto de Moura disse que também iria processar os humoristas Bruno Nogueira e João Quadros por, alegadamente, difamarem o seu caráter, e estes afirmaram que iriam responder “em sede própria”.

Bruno Nogueira e João Quadros esperaram por esta segunda-feira pelo programa da TSF “Tubo de Ensaio” para responder. Neste segmento, os dois humoristas voltam a satirizar os acórdãos assinados pelo juiz e pela decisão de processar aqueles que o criticaram.

A sátira começa na apresentação quando Bruno Nogueira, que dá voz aos textos de João Quadros, cumprimenta as “pessoas e também o excelentíssimo Neto de Moura”.

Pouco depois, o humorista pede desculpa aos ouvintes por ter passado “anos a construir uma carreira” que o levasse “a ser processado por pessoas com valores morais apurados”, mas acabou “processado pelo juiz Neto de Moura”. “Merecíamos todos melhor”, lamenta ironicamente o humorista.

Bruno Nogueira dirige-se depois diretamente ao facto de Neto de Moura querer processar os que o criticaram. “Antes fazer parte da lista negra deste senhor do que da lista violácea de mulheres agredidas por maridos, amantes ou ex-maridos e ex-amantes que tiveram de passar pelas suas mãos em decisões e acórdãos”, atira o humorista.

“Para Neto de Moura, a dor e humilhação manifestam-se mais no ser humano quando lhe beliscam o ego do que quando agridem a soco uma mulher“, em referência a um acórdão revelado a semanada passada em que o juiz decidiu retirar a pulseira eletrónica a um homem condenado por agredir a soco a mulher.

Nogueira reconhece que o juiz está no seu direito de se sentir ofendido e confessa que se Neto de Moura não se sentisse ofendido era sinal de que os humoristas não estavam a fazer bem o seu trabalho. “Eu também me sinto ofendido com o que o senhor escreve nos seus acórdãos”, acrescenta.

“Um juiz que trai o Código Civil e usa o preconceito da Bíblia e até leis de 1886 não tem qualquer probidade moral para ser juiz, quanto mais para dar lições de moral seja a quem for”, consideram Bruno Nogueira e João Quadros.

“A Associação de Juízes acha que enxovalhámos o doutor Neto de Moura quando basicamente quase só fizemos citações do acórdão”, lembra ainda o humorista antes de afirmar que espera que seja julgado por um juiz competente e “não por alguém como o senhor que descobriu o fogo há quinze dias”.

Associação de Juízes defende Neto de Moura

Para Manuel Soares, presidente da direção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses,o “direito de crítica não permite o insulto”, considerando que “houve abuso e exagero na forma como o criticaram”.

“Uma coisa é dizer que o juiz não tem condições para exercer as suas funções, outra é achincalhá-lo”, chega a proferir. Estará em causa “o direito à honra”. “Um juiz também tem direitos, não é apenas um saco de pancada”, diz.

A linha seguida por Manuel Soares é bastante idêntica à do advogado de Neto de Moura, escreve o Expresso. Ricardo Serrano Vieira tinha dito ao jornal que o objetivo era “processar todos os que extravasaram os limites da liberdade de expressão” e que “ultrapassaram o que é aceitável no Estado de Direito”.

O juiz desembargador Joaquim Neto de Moura quer processar por ofensa à honra quem fez comentários nos jornais, televisões e redes sociais. Algumas figuras públicas já foram identificadas, como os comediantes Ricardo Araújo Pereira e Bruno Nogueira, os comentadores Joana Amaral Dias e a Media Capital.

Neto de Moura quer avançar para ações judiciais contra as personalidades ou empresas  com pedidos de indemnização, apesar de ainda não ter um valor definido.

Neto de Moura é criticado por ter justificado a manutenção de pena suspensa para um homem que tinha agredido a sua mulher com uma moca de pregos por esta lhe ter sido infiel. “O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem”, afirmou o juiz, adiantando que há sociedades “em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte“.

Para o juiz desembargador, a agressão em causa não era suficientemente grave, pois “na Bíblia podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com morte”.

Após estas considerações, o Conselho Superior de Magistratura (CSM) abriu um inquérito disciplinar que, depois da conversão em processo disciplinar, terminou com uma condenação – uma advertência escrita.

Recentemente, Neto de Moura viu-se envolvido numa segunda polémica por ter retirado a pulseira eletrónica a um homem que tinha sido condenado em segunda instância a pena suspensa pelo crime de violência doméstica e ao pagamento de 2.500 euros à sua ex-companheira.

A mulher foi várias vezes agredida, tendo ficado com um tímpano furado. Neto de Moura defendeu que a decisão do Tribunal Judicial de Matosinhos não estava bem fundamentada.

MC, ZAP //

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9 COMENTÁRIOS

  1. É uma vergonha um país verdadeiramente democrático e moderno ter um juiz como Neto de Moura autorizado a continuar as suas funções de magistrado.
    Quando todos queremos combater a violência doméstica, vem um JUIZ atenuar-lhe a gravidade?
    Só pode ser engano!

  2. Gostei sobretudo da afirmação de Manuel Soares, presidente da direção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, considerando que “houve abuso e exagero na forma como o criticaram” (ao Juiz Neto de Moura). Acrescentando ainda “Um juiz também tem direitos, não é apenas um saco de pancada”. Não percebi muito bem esta última referência ao saco de pancada. Estaria a referir-se ou a fazer um paralelismo com as mulheres que são alvo de violência doméstica por parte dos maridos abusadores?

  3. O problemas dos tribunais Portugueses é quando entram para a Magistraturas são pobres e remediados e a meio caminho já tem fortunas em dinheiro e imobiliário … de onde vem esses fundos certamente que o dizem que a vida está cara e tem de trabalhar horas extras e sábados … etc. Não se admirem porque os advogados de gabarito estudaram direito com eles , apenas porque tinham liquidez montaram escritórios de advocacia , onde se fazem pagar por hora por quase 5000 euros . Quem não tinha massa mas boas notas ficava a depender de vencimento do Estado … Não era de admirar que muitas indemnizações chorudas e milionárias decididas sejam depois a dividir por alguns … até porque todos os tipos e tipas que decidem em Tribunais … são todos compadres e amigos … deveriam obrigatoriamente todos os anos entregarem declarações de bens e afins , os tribunais são do povo ele só administram as leis aprovadas na Assembleia da República em pró do povo e esses lugares Medievais não são propriedade privada daqueles que pensam que tomam posse administrativa dos locais e leis suas … conclui-se : Muita gente que trabalha hoje na justiça devia estar presa !

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