Queda de 7% do PIB e desemprego nos 10%. As previsões do Governo divulgadas aos partidos

Mário Cruz / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio

Queda de 7% no PIB, défice de 6,5% e taxa de desemprego a atingir os 10%. Estas são as previsões macroeconómicas do Governo, que continuou esta terça-feira a ronda com os partidos com assento Parlamentar.

À saída da reunião, que durou cerca de duas horas e meia, o presidente do PSD, Rui Rio, afirmou que o Governo estima que as necessidades adicionais de financiamento vão atingir os 13 mil milhões de euros até ao final do ano, com o PIB a cair 7%.

Rio avançou com estas estimativas no final do encontro com o primeiro-ministro, em São Bento, sobre o Orçamento Suplementar e sobre o Programa de Estabilização Económico e Social, diplomas que o Governo pretende entregar em junho no Parlamento.

“Aquilo que nos foi transmitido é que o Produto Interno Bruto (PIB) terá uma queda em termos reais de 7%, o que é muito. Será 7% se nós medirmos por aquilo que foi o PIB de 2019. Ora, com esta queda, todos os indicadores que se referenciam ao PIB vão ser piores do que é dito”, advertiu o líder social-democrata.

Perante a queda do PIB nesta dimensão em 2020, Rui Rio adiantou que o financiamento adicional exigível pelo Estado Português será “na ordem dos 13 mil milhões de euros“.

“É efetivamente muito dinheiro. O Governo diz que tem uma estratégia no sentido de captar esses 13 mil milhões de euros que são precisos este ano para fazer face a toda a despesa”, declarou o presidente do PSD.

Perante os jornalistas, o presidente do PSD considerou fundamental a capitalização das empresas para responder à crise provocada pela pandemia de covid-19. “É fundamental – e isso estará bem patente no documento do PSD – a existência de uma estratégia para ajudar as empresas a capitalizarem-se. Tanto quanto me foi dado a entender, o Governo também está consciente dessa limitação por parte das empresas”, frisou Rui Rio.

Neste ponto, deixou mesmo um aviso ao executivo socialista: “Se não estivesse consciente dessa necessidade de capitalização das empresas, seria grave”.

Sintonia em algumas propostas

Interrogado se há sintonia entre o PSD e as propostas do Governo constante no futuro programa de estabilização económico e social, o líder social-democrata disse que, neste momento, tem ainda dificuldade em assumir uma perspetiva nesse plano.

“Em algumas propostas, há seguramente sintonia, até porque são demasiado óbvias. Mas, quando se começa a entrar para um campo mais estratégico – e menos de resposta imediata -, isso se terá de ver se existe sintonia”, respondeu.

Pela parte do PSD, além de Rio, estiveram na reunião os dirigentes David Justino e Adão Silva, com o Governo a fazer-se representar por António Costa, pelos ministros de Estado Pedro Siza Vieira (Economia), Mário Centeno (Finanças) e Mariana Vieira da Silva Presidência), e pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

Desemprego nos 10%

Por sua vez, o deputado do Chega que foi também ouvido nesta terça-feira, revelou que o desemprego pode atingir 10% e que o Estado tem de cortar “despesa supérflua”.

André Ventura lamentou que o Governo se prepare para não dar benefícios fiscais, que considerou essenciais para agentes dos setores da restauração e da hotelaria, entre outros, assim como não contemple nas suas medidas “isenções para a Segurança Social”.

“Tivemos um aumento de 70 mil desempregados, numa estimativa que o Governo pensa que pode chegar aos 10% no final do ano. Ou nós estimulamos a economia e cortamos as despesas desnecessárias do Estado, ou não há cenário otimista que resista a isto”.

Num contexto de “enorme redução da receita fiscal, com aumento da despesa social”, o deputado do Chega defendeu depois de um caminho de “apoio robusto à economia e de corte nas despesas necessárias”. “Temos de evitar mergulhar numa crise financeira”, declarou, antes de avisar que não aceitará que o investimento público que o Governo de preparar para fazer “acabe nas malhas da burocracia e da corrupção”.

Questionado sobre que despesas o Governo deve cortar na máquina do Estado, André Ventura destacou o futuro observatório contra a discriminação e contra o racismo “na área da ministra Mariana Vieira da Silva”.

Défice de 6,5%

Já o défice, pode atingir os 6,5%, segundo o presidente da Iniciativa Liberal, que foi também ouvido pelo Governo na manhã desta terça-feira.

João Cotrim Figueiredo considerou que encontrou sinais positivos, mas também outros preocupantes, naquilo que ouviu na reunião com o primeiro-ministro, no que toca à estratégia do Governo para combater a crise provocada pela pandemia.

Questionado se saiu da reunião mais aliviado ou mais preocupado em relação ao futuro, o líder da IL respondeu que “nem uma coisa nem outra”.

“O que ouvimos dá-nos um sinal positivo e um sinal preocupante. O sinal positivo é que me parece que o Governo está suficientemente aberto a ouvir alternativas, para não se fechar em nenhuma reserva demasiado rígida ou ideológica, ou outra”, disse.

Apontando que “há abertura” da parte do Governo para ouvir as opiniões dos partidos quanto ao caminho a adotar, Cotrim Figueiredo confidenciou que esta foi “uma conversa franca”. “Mas, ao mesmo tempo, parece-nos que aquilo que já criticámos durante as primeiras semanas desta epidemia, que era uma certa falta de sentido de urgência e de determinação, continua lá”, criticou.

Para o deputado único da IL, “parece haver ainda demasiada expectativa em relação ao próximo dado, à próxima decisão que vossa vir, por exemplo, da Europa, ao próximo impacto de uma decisão na popularidade”.

“Acho que ainda há demasiado cálculo e demasiada falta de urgência para aquilo que o próprio Governo reconhece que seria ideal, que é colocar aquilo que será um ponto de partida para uma nova fase de crescimento, quer em Portugal, quer na Europa e em outros países, em que temos de chegar a esse momento na linha da frente desses países”.

Na segunda-feira, António Costa ouviu PCP, PEV, PAN e BE.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Sabendo que a Impresa, que detém o ZAP, recebeu 3.5 M€. Expliquem lá, porque que é que uma notícia com um título pesado, que apresenta o resultado de políticas governativas de um governo do PS liderado por António Costa, é apresentada com a fotografia de Rui Rio, líder da oposição, PSD?

    • Caro leitor,
      A Impresa deteve o portal AEIOU entre 2007 e 2011.
      A Impresa não detém nem nunca deteve o ZAP, que nasceu em 2013.
      O ZAP recebeu 0€ (zero euros) de apoio governamental aos media.
      A foto é de um dos líderes de partidos da oposição a quem “o governo divulgou previsões”.

      • Têm de ser mais transparentes e atualizar a informação que existe:
        https://pt.wikipedia.org/wiki/AEIOU_(portal)

        Nada do que dizem aparece para consulta, excepto em notícias sobre a entrada da Impresa.

        Aqui a mesma pessoa avisa a TAP… mas a fotografia não é da TAP:
        https://zap.aeiou.pt/plano-rotas-nao-tem-credibilidade-326722

        Aqui, Marcelo deixa recados ao Governo… a foto não é de ninguém do goveno:
        https://zap.aeiou.pt/marcelo-permite-festa-avante-326697

        Aqui Rio responde a Nuno Artur Silva, mas a foto é de Rui Rio:
        https://zap.aeiou.pt/rio-responde-nuno-artur-silva-325939

        • Caro leitor,
          A nossa transparência não se mede pela maior ou menor atualidade dos dados acerca de nós na Wikipedia — para esse papel, existe a ERC e o seu Portal da Transparência.
          Ainda assim, consta logo no topo da página que citou da Wikipedia que “em janeiro de 2012 a equipa de gestão fez um MBO sobre o projecto e readquiriu o portal AEIOU, que é agora detido pela Cool Beans, Lda”
          Quanto ao levantamento de algumas das nossas peças, qual é exatamente o seu ponto?
          Perdoe-nos, mas escasseia-nos o tempo para dar atenção a implicância gratuita, tempo esse mais útil para melhorar o trabalho que fazemos naquilo em que realmente erramos.

          • É bem… o ZAP é do Norte carago! É de Matosinhos sul! Estamos muito, muito próximos! Muito provavelmente já almoçámos / jantámos em mesas vizinhas.
            O ZAP é Cool… embora sem beans!

      • “O ZAP recebeu 0€ (zero euros) de apoio governamental aos media.”

        É injusto! O ZAP deveria estar incluído nos beneficiários do acordo para os media.
        Se quiserem um porta-voz para negociar com o governo não mandem o Eu! que ele com o seu mau feitio vem de lá com as mãos a abanar.

    • Ai António, António… és mais um “Ventura” a espalhar mentiras e “teorias”!
      Falta saber se é apenas por ignorância e estupidez, ou se haverá algum interesse em espalhar mentiras para tentar desacreditar as notícias que, em Portugal, ainda são minimamente isentas!…

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