Um pouco por todo o mundo, protesta-se contra o “passaporte da escravidão” às vacinas

Tim Dennell / Flickr

Protesto contra o confinamento na cidade inglesa de Sheffield

O fim-de-semana foi marcado por manifestações em Itália, na Grécia, na França, no Reino Unido e na Austrália contra as proibições a quem não tem certificados de vacinação ou testes PCR.

Vários governos têm apertado as restrições ou imposto a necessidade de certificados de vacinação para várias actividades, e há muitos cidadãos descontentes.

Segundo os organizadores do World Wide Rally for Freedom, este fim-de-semana estavam marcados protestos em 180 cidades no mundo.”As restricções autoritárias do coronavírus prejudicaram as nossas vidas mais do que qualquer vírus, e mesmo se os efeitos do vírus forem piores, as limitações às nossas liberdades são injustas e ilegais”, defende o grupo.



Em França, 160 mil pessoas saíram às ruas para acabarem com a “ditadura da saúde” e o “apartheid” que acreditam que as novas medidas do “tirano Macron” estão a criar. No país é preciso ter certificado de vacinação ou um teste PCR com a validade de 48 horas para muitas actividades quotidianas, como ir a restaurantes, ir ao cinema ou andar de comboio.

As concentrações em Paris foram junto à Torre Eiffel e vários protestantes adornaram coletes amarelos. Houve também vários desacatos entre manifestantes e a polícia, que usou canhões de água e gás lacrimogénio e acabou por fazer 71 detenções.

Emmanuel Macron, respondeu aos protestos durante uma visita ao Haiti. O presidente francês afirma que as medidas são para “proteger a população” e apelida de “irresponsáveis” e “egoístas” aqueles que não querem ser vacinados. Recorde-se que Macron já disse estar a ponderar tornar a vacinação obrigatória, visto que a França é um dos países europeus com um movimento anti-vacinas mais forte.

Roma e Milão foram das cidades italianas mais abaladas por protestos semelhantes, dado que agora o “passaporte de escravidão” é também obrigatório para frequentar restaurantes e bares. Três mil pessoas reuniram-se na Piazza del Popolo, na capital italiana, e muitas estavam sem máscara.

Já em Milão, nove mil manifestantes concentraram-se na Piazza del Duomo para insultar o primeiro-ministro, Mario Draghi, apelar pela “liberdade” e comparar as limitações de quem não tem o certificado à discriminação dos judeus no tempo dos nazis. Bolonha, Palermo ou Nápoles também acolheram protestos.

Milhares de pessoas também protestaram em Londres, Manchester e Birmingham, apesar de a Inglaterra já ter levantado todas as restrições e acabado com a obrigação de usar máscara. Os manifestantes acreditam que a aplicação covid do governo limita os seus movimentos, já que 600 mil pessoas foram alertadas para se isolarem numa única semana.

A comentadora de extrema-direita Katie Hopkins, que foi deportada da Austrália depois de se gabar da sua intenção de quebrar a quarentena, esteve presente na Trafalgar Square.  Os teóricos da conspiração David Icke e Piers Corbyn também participaram no protesto.

Kate Sherimani, uma ex-enfermeira que foi expulsa por negar a existência da covid-19 e incentivar as pessoas a não serem vacinadas, discursou contra os profissionais de saúde e foi bastante criticada nas redes sociais.

“Perguntem a quem dá as vacinas se já houve alguma morte. Perguntem-lhes do que é feita e registem os nomes deles e enviem-mos. Nos julgamentos de Nuremberga, os médicos e enfermeiros foram julgados e foram enforcados“, afirmou Sherimani.

A polícia de Londres acabou por deter um manifestante por atirar uma garrafa aos agentes. “A violência não vai ser tolerada. Encorajamos o resto dos protestantes a continuar a sua demonstração pacificamente”, escreveu a Comandante Catherine Roper no Twitter.

Em Dublin, na Irlanda, cerca de 1500 pessoas juntaram-se com cartazes contra as vacinas e caminharam pela cidade a gritar pela “liberdade”.
Um manifestante disse que o programa de vacinação é “genocídio“. “Se as pessoas estão a bater às vossas portas então têm de se proteger da agulha porque está a chegar para vocês e para os vossos filhos. Estão a chegar para vos matar“, acrescentou.
Mas este não é só um fenómeno europeu. Na Austrália, dezenas de protestantes foram presos depois de fazerem uma marcha não autorizada em Sydney. “Acorda, Austrália!”, diziam vários sinais. Os manifestantes queriam também o fim dos “confinamentos férreos” que são impostos quando há pequenos surtos localizados.

Apesar de ser uma das formas mais eficazes de prevenir doenças, os movimentos contra a vacinação não são de agora e têm ganhado mais voz nos últimos anos, tendo havido um aumento de surtos de doenças como o sarampo devido ao cepticismo. Recorde-se que só desde em Maio, a vacinação em Portugal já evitou 700 mortes por covid-19.

AP, ZAP //

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20 COMENTÁRIOS

  1. A este artigo falta mencionar as manifestações que ocorreram em Portugal, e que estranhamente estão a passar ao lado da comunicação social, e falta explicar que os cépticos em causa são-no em relação à vacina do COVID e não às vacinas mais “tradicionais” como a vacina do sarampo, por exemplo, com décadas de provas dadas. E se não está a ser possivel vacinar as crianças com essas vacinas, tétano, varíola, etc, é porque os enfermeiros dos centros de saúde um pouco por todo o mundo foram desviados para as task forces para dar a vacina do COVID. Não há enfermeiros disponiveis para as convencionais. Não há enfermeiros para se fazer um penso, temos que recorrer ás urgências, Tanto para noticiar…. e se calhar tão pouco tempo… porque imagino que não seja por falta de vontade.

    • O pior são cépticos dos media “tradicionais” e que depois se vão “informar” nos Facebook’s das Internet’s!….

      • Concordo, é por isso que eu faço as minhas pesquisas, leio medias tradicionais de fontes disitintas e desprezo totalmente o Facebook (ok, de vez em quando vou lá dar os parabéns a um amigo quando recebo a notificação)

      • Talvez se os media tradicionais contassem a história toda, em vez de parecerem porta-vozes da OMS e do Estado, as pessoas não sentissem necessidade de procurar informações noutros lados.

        • Qual “historia toda”?
          A de que Terra é plana ou que as vacinas tem chips?!
          Se os media tradicionais, com o escrutínio que tem, já deixam a desejar, imagina a “informação” das Internet’s, onde qualquer totó escreve o que lhe apetece (sem qualquer critério ou consequência) – ainda há pouco andavam por aí uns retardados chamados “jornalistas pela verdade” que nem jornalistas eram… ou a seita dos “médicos pela verdade”, onde supostos médicos eram contra ciência (e a favor de crenças)…
          Qual é o problema da OMS ou do Estado?
          O bruxo de Fafe, o gajo que vende Calcitrin no Goucha, o Choy da Agulhas, os “cientistas” com a 3ª classe incompleta ou outros vigaristas do mesmo género, são mais confiáveis?

          • Só para lembrar… Foi o Estado, a reboque da Igreja, que condenou o outro por dizer que a terra não era plana… Ou seja, foi um “bruxo de Fafe” que deu a volta à história.Digo eu, que aprendi isso ainda antes da 3ª classe. Se não houvessem bruxos de Fafe como Cupérnico ainda estariamos na idade da Pedra. Sobre a OMS basta pesquisar pelo seu lider (em sites com informações oficiais) ou visitar o seu pais de origem para perceber qual é o problema. Sobre se é pró vacina eu nao estou a argumentar a favor ou contra, mas se quer ser respeitado por ter tomado a vacina, talvez seja melhor respeitar quem nao a quer tomar. E esse para mim, é um grande problema. Não estamos longe do tempo em que o racismo será uma brincadeira de criança, comparado com o que váo fazer a quem não tomar esta vacina.

            • Portanto, não foi o foi o Estado, mas sim a Igreja – que mandava no Estado!
              Comparar o Copérnico com o Bruxo de Fafe é mesmo muito, muito “forçado”… muito mesmo!!
              O Copérnico era um cientista; o bruxo de Fafe é um vigarista!!
              Nessa analogia o bruxo de Fafe representa a Igreja; não o Copérnico, que representa a ciência.
              Não sei quem é o “líder” da OMS; nem quero saber.
              Isso é completamente irrelevante para a questão.
              A ciência não faz de “biografias” ou de “argumentos de autoridade”.

  2. Para andar de mota sou obrigado a usar capacete, para andar de carro sou obrigado a usar cinto de segurança, para andar de barco sou obrigado a usar colete salva vidas, etc….. Uns percebem o porquê destas obrigatoriedades outros não, tal como na sociedade existe pessoas sensatas e outras idiotas.

    • Correto, falta dizer que as noticias são isto mesmo, “um pouco por todo o mundo” e é verdade, a maioria não está contra, mas sim a favor, é mesmo um pouco por todo o mundo.

    • Está enganado chefe. Se você quiser, não usa capacete nem cinto. Se tiver algum acidente e se aleijar, não pode reclamar. E ao usar não está a vacinar-se com algo que lhe pode dar problemas imediatos e a longo prazo. A não ser que você seja vidente ou cartomante e saiba o seu futuro.
      E os protestos são contra as proibições.
      Mas já que você é tão cumpridor e percebe o porquê das obrigatoriedades, explique-me por favor a lógica de um vacinado, que pode apanhar o virus e transmiti-lo, ter um certificado que o permite, entre várias coisas, ir a um restaurante e viajar?. Imagine, você com a vacina e com o certificado, apanha o virus e vai viajar. Leva o virus na “bagagem”, vai transmiti-lo no local para onde vai e quem sabe, trazer uma variante consigo e que depois vai espalha-la nos restaurantes, onde você pode ir sem fazer um teste porque tem o certificado. Pode-me explicar com lógica?.
      E já agora, pessoas idiotas é a tia.

      • Tal como dito anteriormente uns percebem outros não…… Mas paço a explicar:existe varias alternativas, não vacinar e continuarmos em sucessivas mutações, vagas e confinamentos aumentando as restrições ou proibições, ou vacinar continuando a haver casos mas de menor gravidade não perturbando o SNS possibilitando gradualmente o alivio nas proibições e fim dos confinamentos. Relativamente a lógica de um vacinado poder viajar ou entrar no restaurante,
        1º-Prende-se com o facto de que em teoria e visto ainda não haver estudos em contrario, um vacinado ter uma carga viral mais reduzida fruto da acção do aumento de anticorpos específicos por ele desenvolvido com a vacina, e assim um poder de transmissão mais reduzido.
        2º- Um vacinado terá em caso de contagio salvo algumas excepções um quadro clínico mais leve não pondo em risco a resposta do SNS.

        • Você começa mal quando diz que temos duas alternativas e uma sendo, não vacinar. Aqui ninguém está a dizer para não se vacinarem. Estas obrigações do certificado é que são uma bela merda e não têm lógica nenhuma.
          Se o vacinado pode ser contaminado e transmitir o virus e você diz que terá um cenário clinico mais leve, qual é o problema dos não vacinados?. Se a maioria das pessoas estiver vacinada, onde é que o SNS estará perturbado?. Viu as noticias do numero de hospitalizações em UCI em 2019 2 2020?.
          E já agora você devia informar-se como é que as variantes se formam. Agradeça ás vacinas. Quando você se auto-medica para a gripe o que é que vai acontecendo ao seu sistema imunitário e ao virus?. Vai-se habituando e numa próxima gripe, o virus mutou e o remédio já não é tão eficaz.
          Os vacinados que têm a merda do certificado e vão viajar, podem transmitir o virus com o mesmo poder de transmissão e mais, podem trazer para cá as variantes.
          E se você acha que se mesmo que toda a população se vacinasse, que o virus desaparecia, então está a delirar.

        • Continuando na ironia convido-o a ler estes livros ” Clinical Virology Manual” e ” Principles of Virology ” vai ver que são ricos em piadas que se enquadram perfeitamente no tema.

  3. Existem algumas preocupações que eu considero genuínas, e não quero de modo algum dizer que devemos ser pró ou contra a vacina do virus. Apenas quero dizer que uma decisão forçada por uma farmaceutica, por um governo, por uma sociedade, é muito diferente de uma escolha individual, esclarecida, tendo lido um pouco sobre o assunto e formado a sua opinião. Temos:

    1. Vacinas ainda em fase de teste, passa para a fase seguinte, que não é a última, algures em 2023 a ser dada aos milhoes
    2. Nenhum CEO de uma farmaceutica, ou governo, ou organização de saúde dizem que estas vacinas não têm efeitos a longo prazo, alias a Janssen já adicionou mais um efeito negativo pesado possivel, embora numa percentagem ínfima, mas já acrescentou mais.
    3. Basta ver um ou outro documentário sobre o assunto para percebermos que em paises como os EUA os testes a fármacos, próteses, e outros bens medicos não são feitos com o mesmo rigor e qualidade de um filme do Spielberg.
    4. É impressionante como governos se lançam em campanhas de vacinação a jovens fazendo pressão gigantesca, quando as respectivas DGS ainda não se pronunciaram sobre o assunto. Algo está errado.
    5. Acreditarão todos em imunidade de grupo quando essa não é possivel com virus mutantes? Se fosse possivel diria que já teriamos estirpado a gripe normal… mas como sabem todos os anos ela volta. Como voltará este.
    6. Não fará mais sentido testar, testar, verificar o nível de anticorpos das pessoas, e agir de acordo? Com um certificado, com uma vacina, tudo se pode fazer, em particular transmitir o virus por onde quer que se vá. Que é o que se deve em primeira análise evitar.
    7. Por último, para nao maçar, ando há semanas largas a tentar ver como vacinar a minha filha de 10 anos com a vacina da mesma idade. Ainda não consegui. Está tudo ocupado a vacinar outras coisas. Fico satisfeito com a eficácia do nosso Vice Almirante e acho que devemos aproveitar essa produtividade noutros pontos, faz falta, mas ninguém se pergunta “a que preço”? Onde acham que estavam as centenas de enfermeiros? Fizeram clones?

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