Perante críticas de PSD, CDS e Chega, Bloco defende que manifestações antirracismo foram “ordeiras”

Bloco de Esquerda / Flickr

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins

O Bloco de Esquerda defendeu esta segunda-feira que as manifestações de sábado contra o racismo foram “ordeiras e pacíficas”, apesar de admitir que o número de pessoas foi “muito superior” ao previsto pela organização.

“Não podemos dizer que as regras não foram respeitadas”, afirmou a deputada do BE Beatriz Gomes Dias, no parlamento, em resposta a críticas das bancadas do PSD, do CDS-PP e do Chega, que consideraram que as manifestações não cumpriram as regras de distanciamento social recomendadas devido à pandemia de covid-19.

“O número de pessoas que se mobilizaram por esta causa foi muito superior àquela que os organizadores pensavam e previam, os organizadores tiveram todos os cuidados para garantir as regras estipuladas pela Direção Geral de Saúde (DGS)”, disse, salientando que foram distribuídas máscaras a gel desinfetante a quem não tinha.

Beatriz Gomes Dias foi também desafiada a demarcar-se, em nome do BE, da mensagem exibida num cartaz de um dos manifestantes em que se lia “polícia bom é polícia morto”.

“É evidente que o BE se demarca de afirmações que têm aquele teor, mas estas afirmações não traduzem de forma nenhuma o que foi o espírito daquela manifestação”, defendeu, lamentando que, “na presença de milhares de cartazes” a apelarem a valores da igualdade e da paz, os deputados de PSD, CDS-PP e Chega tenham escolhido destacar este na Assembleia da República.

Na sua declaração política, o BE defendeu que os milhares de pessoas saíram no sábado às ruas de Lisboa, Porto e Coimbra fizeram-no “contra um sistema, contra uma cultura de opressão, que desprotege as pessoas racializadas”.

“A mobilização de milhares de pessoas contra o racismo e a violência policial expressa, de uma forma inequívoca, a indignação e a revolta por mais uma vida negra, por todas as vidas negras, que foram brutalmente terminadas por agressões perpetradas por agentes de segurança, por representantes do estado, que têm o dever de proteger todos os cidadãos e todas as cidadãs”, apontou.

A deputada do BE defendeu que as manifestações de sábado prestaram não só homenagem ao afro-americano George Floyd, asfixiado por um polícia nos Estados Unidos, mas “a todas as pessoas negras que foram mortas pela brutalidade policial ou que sofrem quotidianamente os efeitos do racismo”, citando o nome de vários jovens negros que terão sido mortos em Portugal “pela polícia em circunstâncias que ainda estão por apurar.

“Afirmar que as vidas negras importam é exigir políticas públicas que reconheçam e removam os obstáculos colocados pelo racismo institucional. Trata-se de convocar a própria democracia a cumprir-se, a assumir o compromisso por uma sociedade mais justa que nos deve mobilizar a todas e a todos”, afirmou, defendendo que o parlamento não pode refugiar-se no “silêncio e na inação”.

Se a condenação do racismo foi unânime nos oitos pedidos de esclarecimento suscitados por esta declaração política, a deputada do PSD Catarina Rocha Ferreira criticou igualmente “a aglomeração totalmente irresponsável e imprudente em termos de saúde pública” que considerou ter sido a manifestação de sábado e a postura de alguns dos participantes com “mensagens que incitam ao ódio”.

Na mesma linha, o líder parlamentar do CDS-PP, Telmo Correia, lamentou que alguns tenham aproveitado a ocasião para “instigar ao ódio”, salientando que “as vidas dos polícias também contam”, e desafiou o BE a garantir que foram cumpridas as regras de distanciamento social.

O deputado único do Chega, André Ventura, considerou que para o BE existe “racismo bom e racismo mau”, lamentando que não tenham citado os nomes dos que foram “assassinados por pessoas de etnia cigana”, enquanto o líder e representante único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, acusou bloquistas de também terem um discurso discriminatório, mas contra investidores privados e bolsistas.

Pelo contrário, a deputada socialista Isabel Moreira realçou a importância da manifestação de sábado “em que as pessoas se uniram de forma pacífica para exigirem políticas de igualdade”, e desvalorizou que “pessoas isoladas” tenham exibido cartazes “absolutamente condenáveis”.

António Filipe, pelo PCP, fez também uma “condenação inequívoca” da frase contra a polícia exibida num cartaz – dizendo que o partido conta com as forças de segurança na luta contra o racismo -, e salientou que o passado dos comunistas “não tem mas nem meio mas” na luta contra o racismo e quaisquer formas de discriminação.

Pelos “Verdes”, a deputada Mariana Silva saudou a indignação “justa, compreensível e até saudável” dos manifestantes, admitindo que a marcha pode ter comportado riscos: “Mas há causas na vida que justificam que se corram certos riscos”.

Bebiana Cunha, do PAN, salientou que o “racismo mata e retira direitos” e defendeu que a postura não pode ser “cruzar os braços”, lamentando que não se possa “contar com todos os deputados” para esta causa.

// Lusa

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. O BE já começa a tornar-se inconveniente com algumas posições que vai assumindo e esta é uma delas. Eu digo até que o BE é o Chega da esquerda extremista. Liderado por uma Catarina Martins muito arrogante e vaidosa e isso paga-se caro em política. Quanto à canalha merdosa das manifestações é po-los em trabalhos forçados, talvez assim aprendam o que é a vida. Racismo? Eles é que fazem o racismo, é uma ideia a alimentar pois com isso também se ganha dinheiro. Se em Portugal houvesse racismo nunca Joacina Kattar teria tido lugar na Assembleia da República onde está sentada a chular o erário público!

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