Dois anos após Pedrógão. Casas estão quase concluídas, mas nova floresta ainda está longe

Paulo Cunha / Lusa

Dois anos após o incêndio de Pedrógão Grande que provocou 66 mortes, 90% das habitações encontram-se concluídas, mas ainda está longe o caminho para a gestão de uma nova floresta.

Segundo os dados disponibilizados pelo gabinete do secretário de Estado da Valorização do Interior, das 259 intervenções em habitações, 90% estão concluídas (233 obras finalizadas), sendo que 61 dizem respeito a novas construções e 172 a reconstruções parciais.

O Governo atribuiu em apoios e prestações sociais, por morte (inclui reembolso de despesas de funeral, subsídio por morte e de funeral), 54.834 euros, a um universo de 61 familiares das vítimas.

Foram ainda apoiadas com isenção de pagamento de contribuições 26 entidades e cinco trabalhadores independentes, e atribuídos 38.327 euros a 58 agregados familiares, por perda de bens, rendas, despesas de amortização de habitação, medicamentos, transporte e outros.

Já em relação às medidas de apoio de emergência pós-incêndio, foram apoiados, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, 7.643 agricultores, que registaram prejuízos até 1.053 euros, sendo que o Fundo Revita apoiou 14.980 agricultores que tiveram prejuízos entre os 1.054 euros e os 5.000 euros.

Segundo a Secretaria de Estado da valorização do Interior, estes apoios totalizaram 51,5 milhões de euros, “justificando uma taxa de execução de 100%”.

No âmbito do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020, foram recebidas 602 candidaturas, 540 das quais com parecer favorável, sendo que foram disponibilizados 15,8 milhões de euros.

Em relação à emergência florestal, foram abertos concursos no âmbito do PDR 2020 e enviados 117 pedidos de apoio para contratação, correspondendo a uma despesa pública de 15,27 milhões de euros.

No capítulo dos incentivos financeiros específicos para apoio ao restabelecimento da atividade económica e das indústrias afetadas pelos incêndios, os dados avançados apontam para 327 empresas apoiadas, sendo o valor do investimento total aprovado de 164,2 milhões de euros, dos quais 88,3 milhões de euros correspondem a despesa pública.

A Secretaria de Estado da Valorização do Interior explica ainda que, paralelamente aos apoios de emergência, o Governo tem lançado um conjunto de apoios específicos dirigidos ao Pinhal Interior.

De acordo com os dados disponibilizados, até ao momento foram lançados avisos que correspondem a 276 milhões de euros de investimento público, o que “representa mais de 550 milhões de euros do investimento total”.

No documento disponibilizado à agência Lusa, a Secretaria de Estado da Valorização do Interior adianta que o Governo, desde 2017, “tem vindo a combater as debilidades há muito identificadas”.

“Desde logo, cumprindo as recomendações das Comissões Técnicas Independentes e dos especialistas em matéria de ordenamento, prevenção, planeamento, reforço da proximidade com as populações e melhor comunicação e informação”, lê-se no documento.

Prevenção e combate aos incêndios

O Governo anunciou várias medidas para a prevenção e o combate aos incêndios, a maioria decidida no Conselho de Ministros extraordinário de 21 de outubro de 2017 e com base nas recomendações do primeiro relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios de Pedrógão Grande.

Em relação à prevenção houve uma atenção muito redobrada” nestes dois últimos anos, disse à agência Lusa o presidente do observatório, Francisco Rego, sublinhando que, tanto a população em geral, como os poderes públicos, tiveram em conta as lições de 2017.

Francisco Rego frisou que, a nível da prevenção, “houve de facto lições aprendidas” e há melhorias, mas “há alguns elementos essenciais que não se alteraram”.

O especialista explicou que, depois dos incêndios, “muita da vegetação rebentou”, nomeadamente os eucaliptais e os pinhais, mas a gestão florestal dessas áreas e a possibilidade de reconversão para espécies “menos inflamáveis e mais interessantes do ponto de vista de prevenção dos incêndios “não avançaram com força suficiente”.

Não estamos a caminho de uma nova floresta mais diversificada e mais prevenida em relação aos incêndios. Esse é um aspeto que só funciona a médio e longo prazo, mas se não se avança desde já também não se tem respostas a médio e longo prazo”, sustentou.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Governo prepara rede de abastecimento de emergência de combustíveis

O objetivo é criar um "sistema logístico alternativo de distribuição de combustíveis". Em Abril, a greve dos camionistas fez com que muitas bombas ficassem sem combustível. O secretário de Estado da Energia diz que está a …

Mário Centeno pode vir a suceder a Christine Lagarde no FMI

Um dia depois de Christine Lagarde ter apresentado oficialmente a carta de demissão do cargo de diretora administrativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), os ministros das finanças da Alemanha, Itália e França estão a discutir …

Votação inédita com um deslize da AR TV. Direita e Esquerda alinhadas no caso CGD

O relatório final da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi aprovado por unanimidade. É a primeira vez que todos os partidos se juntam, no mesmo lado da barricada, num inquérito …

Rui Rio afasta Hugo Soares das listas para as legislativas

O presidente do PSD, Rui Rio, afastou o antigo líder parlamentar do partido Hugo Soares das listas para as legislativas de outubro, escreve o i esta quinta-feira. De acordo com o diário, Hugo Soares não deverá …

Segurança de Notre Dame demorou 30 minutos a chamar bombeiros

O primeiro alerta de "fogo" terá surgido no painel de controlo do monumento às 18h18 locais, no dia 15 de abril, mas só 25 minutos depois foram verificar se algo se passava na cobertura da …

EUA revelam preocupação com desenvolvimento de armas nucleares russas

Os EUA demonstraram esta quarta-feira preocupação com o desenvolvimento de armas nucleares não estratégicas por parte da Rússia, numa reunião com uma delegação russa, na Suíça, para tentar “reduzir mal-entendidos”. A reunião em Genebra, que juntou …

Bastonário dos Médicos diz desconhecer acordo sobre Lei de Bases da Saúde

O bastonário da Ordem dos Médicos disse hoje desconhecer o acordo parlamentar sobre a Lei de Bases da Saúde e considerou "no mínimo estranho” que os portugueses não tenham acesso a um documento tão importante …

OMS decreta estado de emergência global devido ao Ébola na República Democrática do Congo

A epidemia de Ébola que se faz sentir na República Democrática do Congo foi considerada esta quarta-feira uma emergência global de saúde pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros …

Os Vikings podem ter fumado canábis enquanto exploravam a América do Norte

A descoberta do pólen de canábis perto de um assentamento Viking na Terra Nova levanta a questão sobre se os vikings fumavam ou comiam canábis enquanto exploravam a América do Norte. Os investigadores também encontraram evidências …

Marcelo confessa que vai ter “verdadeiramente saudades” da atual composição do Parlamento

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confessou esta quarta-feira que vai ter "verdadeiramente saudades" da atual composição da Assembleia da República, salientando a centralidade inédita do parlamento na atual legislatura. Por ocasião do final …