OMS vai indemnizar vacinados com efeitos adversos (e recomenda estudo sobre primeiras pistas do vírus)

unisgeneva / Flickr

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta segunda-feira a criação de um programa que permite indemnizar pessoas vacinadas contra a covid-19 que tenham reações adversas graves, evitando que recorram a tribunais, um meio moroso e caro.

O programa, inédito, abrange apenas pessoas oriundas dos 92 países elegíveis (mais pobres) para vacinas financiadas pelo mecanismo de distribuição universal e equitativa Covax, codirigido pela OMS.

A iniciativa, sem custos para os beneficiários, é subsidiada pelos financiadores do Covax, por intermédio de uma pequena taxa adicionada a cada dose de vacina distribuída até 30 de junho de 2022.

Em comunicado, publicado na página da organização na Internet, a OMS refere que se trata de “um procedimento rápido, justo e transparente” para indemnizar possíveis lesados da vacinação, que tenham “efeitos adversos raros, mas graves”.

A OMS assinala que, apesar de as vacinas para a covid-19 adquiridas ou distribuídas pelo Covax terem uma “aprovação regulamentar” ou “autorização de uso de emergência” que confirmam a sua segurança e eficácia, podem, “em casos raros”, como “acontece com todos os medicamentos”, provocar “reações adversas graves”.

Até 31 de março será disponibilizado um portal com informações sobre o programa e a forma de acesso às compensações.

Na habitual videoconferência de imprensa, a OMS indicou que 200 milhões de doses de vacinas foram já administradas no mundo, sem qualquer “sinal de alarme” em termos de segurança.

Esta segunda-feira, o diretor da OMS acusou “certos países ricos de minar” o sistema de distribuição equitativa de vacinas contra a covid-19, o Covax, ao persistirem na abordagem direta aos fabricantes para ter acesso ao imunizante.

“Alguns países ricos estão atualmente a abordar fabricantes para garantir o acesso a doses adicionais de vacinas, o que tem efeito nos contratos com o Covax, e o número de doses alocadas ao Covax foi reduzido por causa disso”, criticou Tedros Adhanom Ghebreyesus durante uma conferência de imprensa conjunta por videoconferência com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

OMS recomenda estudo mais aprofundado sobre o vírus

O grupo de especialistas OMS) ue visitou a China para estudar a origem da pandemia da covid-19 vai recomendar um rastreamento “mais profundo” dos contactos do primeiro paciente conhecido.

De acordo com a televisão norte-americana CNN, os especialistas também querem saber mais sobre a cadeia de fornecimento de quase uma dúzia de comerciantes no mercado de Huanan, na cidade de Wuhan, que se acredita ter desempenhado um papel fundamental na propagação da doença, no final de 2019.

As recomendações do painel da OMS seguirão vários pontos-chave da investigação, segundo fontes familiarizadas com o relatório preliminar citadas pela CNN.

Em primeiro lugar, os especialistas vão solicitar mais detalhes sobre o histórico de contacto do paciente tratado no dia 8 de dezembro de 2019, em Wuhan – o primeiro caso confirmado pelos cientistas chineses. Trata-se de um funcionário de escritório, na casa dos 40 anos, que não fez viagens, nem tem histórico de contactos com outros infetados.

Este paciente esteve com a equipa da OMS e, no final da reunião, indicou que os seus pais visitaram “um mercado local de produtos frescos em Wuhan”, e não o mercado de Huanan.

Peter Daszak, membro da equipa da OMS, observou que os cientistas chineses garantiram que os pais do paciente testaram negativo para a doença, mas não parecem ter rastreado os contactos deles naquele mercado.

Cientistas independentes disseram à CNN que os especialistas chineses deveriam ter realizado uma investigação mais aprofundada sobre as origens do vírus há vários meses.

Jake Sullivan, o conselheiro de segurança nacional do Presidente dos EUA, Joe Biden, disse no domingo que a China não forneceu “dados importantes suficientes” sobre a origem e subsequente disseminação do coronavírus.

“Eles estão prestes a publicar um relatório sobre as origens da pandemia em Wuhan, na China, sobre o qual temos dúvidas, porque não acreditamos que a China tenha disponibilizado dados suficientes sobre as origens, sobre como a pandemia começou, na China, e depois em todo o mundo”, disse o funcionário à CBS News.

Em 9 de fevereiro, a missão da Organização Mundial da Saúde (OMS), que investigou a origem do novo coronavírus em Wuhan, afastou a possibilidade de o vírus ter tido origem num laboratório. “Não estou em posição de dizer como o covid-19 veio a este mundo. Estou apenas em posição de pedir à OMS que faça o seu trabalho”, apontou.

ZAP // Lusa

 

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