Sondagens, sondagens, sondagens. O que esperar da noite eleitoral

Para além do poder local, muito está em jogo nas próximas eleições autárquicas, com algumas direções nacionais a fazerem depender o seu futuro do resultado alcançado no domingo. Enquanto as urnas não abrem, uma ronda pelas principais e mais recentes sondagens possibilita algumas leituras. 

Sondagens, sondagens, sondagens. Aparentemente há-as para todos os gostos, com várias cores e formatos. Desvalorizadas por uns — leia-se, Rui Rio —, essenciais para outros — leia-se, os estrategas, analistas políticos e diretoras de campanha —, as sondagens são já um clássico dos períodos eleitorais, ocupando espaço mediático em jornais e televisões nos meses, semanas e dias que antecedem a ida às urnas.

Mais ou menos fiáveis e com mais ou menos surpresas, estão também a marcar, como não poderia deixar de ser, a campanha que decorre atualmente, pelo que podem dar algumas luzes sobre os resultados que poderão ser anunciados no domingo à noite.

Em Lisboa, Medina deverá continuar rei — mas sem absolutismos

Na última das sondagens reveladas para as autárquicas do próximo domingo, a vitória de Fernando Medina é dada como certa. O estudo de opinião realizado pelo Centro de Sondagens da Universidade Católica Portuguesa (Cesop) atribui ao candidato socialista (apoiado pelo Livre) 37% das intenções de voto, com Carlos Moedas, candidato do PSD, a reunir 28%.

A CDU deverá conseguir 11% da votação, com o Bloco de Esquerda muito próximo, conquistando 7% das intenções de voto. A surpresa chegará através da Iniciativa Liberal, que com 5% das intenções de voto, poderá eleger um vereador e equilibrar o jogo de forças entre esquerda e direita na maior autarquia portuguesa. O PAN e o Chega, por sua vez, conseguem ambos 3%, pelo que não deverão ter assento no executivo municipal.

Num outro estudo de opinião, produzido pela Aximage, Medina conquistou 67% do potencial de voto — outro parâmetro de análise, focado em quem tem a intenção de voto decidida e em quem ainda está a considerar votar num determinado candidato —, ao passo que Carlos Moedas se ficou pelos 47%. João Ferreira, da CDU, está no terceiro lugar da tabela, com sete pontos a separá-lo de Beatriz Gomes Dias, do Bloco de Esquerda.

Da Ribeira até à Foz, quão alto pode voar Moreira?

Em linha com o que acontece em Lisboa, no Porto pouco ou nada se altera. Rui Moreira, independente, deverá continuar ao leme da segunda maior autarquia do país, reunindo 45% das intenções de voto.

O PS, com Tiago Barbosa Ribeiro, deverá, também de acordo com um estudo de opinião produzido pelo Cesop, com 17% das intenções de voto, superiorizar-se ao PSD, já que Vladimiro Feliz, antigo vice de Rui Rio quando este comandava a invicta, consegue apenas 14% — uma melhoria, ainda assim, face ao último ato eleitoral.

Ilda Ferreira deverá conseguir renovar o único mandato da CDU (7%), assim como o Bloco de Esquerda (4%). Seguem-se o PAN e o Chega, os dois com 3%. Com menos de 1% das intenções de voto deverão ficar o Livre, o PPM, o Volt Portugal e o Ergue-te.

Coimbra: suster a respiração até ao último voto?

Na cidade dos estudantes, onde o PS detém atualmente a liderança da autarquia, o cenário é de equilíbrio, com o PSD, em coligação com o CDS, nós Cidadãos, PPM, Aliança, RIR e Volt, a beneficiar de um ligeiro avanço. De facto, José Manuel Silva deverá conseguir, segundo a sondagem do Cesop, 35% dos votos, seguido de Manuel Machado, candidato dos socialistas, com 33%.

Ainda assim, um dado a ter em conta é a margem de erro do estudo de opinião, que aponta para uma variação da votação para o candidato do PSD entre os 31 e 39% dos votos e para o candidato entre 29% e 37% — na ficha técnica do estudo de opinião é possível verificar que a taxa de resposta foi de 50%, um número baixo.

O movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), que conta com o apoio do Bloco de Esquerda, deverá conseguir um resultado entre os 8 e os 14%, com a Universidade Católica a apontar para um cenário confiável na ordem dos 11%.

Segue-se a CDU, que continuará, com 7% das intenções de votos, a eleger um vereador — com a margem de erro a consagrar ainda a possibilidade, nos cenários mais negativos, de esta representação ser perdida.

Entre os partidos mais pequenos, o Chega não deverá ir além dos 4% e a Iniciativa Liberal, dois estreantes em lides autárquicas que mesmo assim ficam acima do PAN (2%).

Viseu: pode o Cavaquistão pintar-se de rosa?

Seria uma hipótese irreal há alguns anos, mas a possibilidade de o PS conquistar a autarquia de Viseu é encarada cada vez com mais otimismo nas hostes socialistas, que têm apostado tudo no que foi durante décadas a fio um bastião social-democrata incontestável. No entanto, na sondagem realizada pela Eurosondagem para o Jornal do Centro, o PSD, com Fernando Ruas como candidato, consegue, ainda assim, 45,9% das intenções de voto, contra os 22,5% do PS, cuja lista é encabeçada por João Azevedo, uma diferença muito significativa.

A Iniciativa Liberal pode, mais uma vez, ser a grande surpresa, com o estudo da opinião a atribuir-lhe 3,7% das intenções de voto, o que faria do partido estreante em autárquicas a terceira força política em Coimbra. Segue-se o Chega, com 3,2% das intenções de voto, o CDS, com 2,9%, e só depois os restantes partidos da esquerda. O Bloco de Esquerda deverá conquistar resultados na ordem dos 2,4%, ao passo que a CDU se fica pelos 2,2%. O PAN não deverá ir além dos 1,5%.

Figueira da Foz: voltar onde se foi feliz?

Foi das candidaturas mais controversas e contestadas, nomeadamente nos tribunais, mas o independente Santana Lopes deverá mesmo conquistar a presidência da Figueira da Foz, segundo uma sondagem do Instituto de Ciências Sociais/ISCTE.

Com 47% das intenções de voto, o antigo primeiro-ministro, autarca, líder do PSD e fundador do Aliança tem entrada quase assegurada no lugar mais importante do executivo municipal, o qual já presidiu entre 1997 e 2001.

O principal prejudicado com a candidatura de Santana será mesmo o PSD que vê o resultado conseguido há quatro anos, com 28% e três vereadores eleitos, cair drasticamente para os 8%, isto segundo a sondagem, o que não lhe garantiria qualquer assento no executivo camarário.

Já o PS, com Carlos Monteiro, como candidato, consegue 35% das intenções de voto. A CDU conquista 3% das intenções de voto, com Bernardo Reis, seguida do Chega, com João Paulo Domingues, a não passar do 1%.

Um ponto relevante deste estudo de opinião consiste no facto de 30% dos inquiridos ter referido que não sabem em quem vão votar — um número, mais uma vez, considerável, face à sua dimensão, e que apela à cautela.

Em Almada, a disputa faz-se à esquerda e sem maiorias

O município de Almada configura outro dos pontos de interrogação à entrada do fim-de-semana decisivo. Segundo os estudos de opinião, Inês de Medeiros (PS) deverá sair vencedora, com resultados muito semelhantes aos conseguidos há quatro anos, ou seja, sem maioria e a necessitar do PSD para governar o município.

Ainda assim, o Cesop não descarta a hipótese de Maria das Dores Meira, candidata da CDU e atual autarca de Setúbal, ser a mais votada — tudo devido à margem de erro (3,9%).

De acordo com a sondagem, o PS deverá conquistar 33% dos votos e a CDU 29%. No entanto, a margem para os socialistas está entre os 29 e os 37%, ao passo que a dos comunistas é de 25 a 33%. A coligação Almada Desenvolvida, constituída por PSD, CDS, Aliança, MPT e PPM reúne 13%, pouco além dos 14,08% alcançados pelo PSD em 2017.

O Bloco de Esquerda, com Joana Mortágua a liderar a lista, deverá conseguir um resultado na ordem dos 9%, o que representaria uma queda ligeira face a 2017, quando conquistou 9,64% dos votos. Segue-se o PAN, com 5% das intenções de voto — uma subida, relativamente há quatro anos, o Chega, também com 5%, e a Iniciativa Liberal, com 2%.

Na Amadora, o tremor pode ser ligeiro

Foi uma aposta de Rui Rio, muito contestada por sinal, e chegou com promessas de que iria fazer “tremer o sistema“.

No entanto, Suzana Garcia, candidata dos sociais democratas à Câmara da Amadora deverá ficar muito longe da eleição e até de conseguir ameaçar a maioria absoluta do PS — uma possibilidade que a sondagem do Cesop deixa em aberto.

De facto, a coligação Dar Voz à Amadora, constituída por PSD, CDS, Aliança, MPT e PDR deverá conquistar um resultado na ordem dos 22%, face aos 43% obtidos pelos socialistas, liderados por Carla Tavares, autarca atualmente em exercício de funções.

A CDU, segundo o estudo de opinião, surge como terceira força política, com 11% das intenções de voto, seguida do Bloco de Esquerda, com 5% das intenções, menos dois pontos percentuais do que em 2017, o que significa que os bloquistas correm sérios riscos de não conseguir manter o mandato que têm atualmente.

A Iniciativa Liberal pode esperar um resultado na ordem dos 4%, ao passo que o Chega deve conquistar 3% dos votos, um resultado semelhante ao do PAN.

  ARM //

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13 COMENTÁRIOS

  1. Todos já conhecemos todos. Todos mentem quando governam. É hora de mudar, mais não seja para nos voltarmos a arrepender, mas votar nos de sempre nunca mais. Chega de mentiras e de corrupção.

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