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Sem surpresas, Medina mantém Lisboa, mas sem maioria absoluta. Costa e Pedro Nuno juntos em ação de campanha

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa , Fernando Medina, intervém durante apresentação do seu programa de recandidatura à CML

As sondagens apontam para uma vitória de Medina, ainda que com um resultado inferior ao de 2017. A grande surpresa na capital será a Iniciativa Liberal, partido que poderá eleger um vereador e inclinar o tabuleiro para a direita.

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Fernando Medina, que em 2015 assumiu a liderança da Câmara de Lisboa após António Costa renunciar à presidência da autarquia para se lançar numa corrida interna ao cargo de secretário-geral do PS, deverá ser reeleito para um segundo mandato com 37% das intenções de voto, seguindo-se, a nove pontos percentuais, Carlos Moedas, com 28%.

Tal como aponta o Público, caso estes números do Centro de Sondagens da Universidade Católica Portuguesa (Cesop) se concretizem, Medina piora face a 2017 — nas eleições autárquicas desse ano obteve 42% dos votos. Trata-se também de um resultado menos conseguido para PSD e CDS, que chegaram, nas últimas autárquicas, com candidaturas independentes aos 31% — com Assunção Cristas, sozinha, a obter 20% dos votos.

Mais à esquerda, a CDU obterá, segundo a sondagem em causa, 11% da votação, o que configura uma melhoria face ao resultado conquistado em 2017 — obteve 9,5% —, ao passo que o Bloco de Esquerda deverá conseguir números semelhantes aos de há quatro anos.

A grande novidade chega do Iniciativa Liberal, que com um resultado estimado na casa dos 5% pode antecipar a eleição de um vereador. Já o PAN e o Chega, por sua vez, não deverão conseguir entrar no executivo municipal.

Desta forma, e tal como como aponta o Público, não são expetáveis grandes mudanças na maior autarquia do país — com o PS, que atualmente tem 8 vereadores, a conseguir, segundo a sondagem supra referida, entre sete a nove. Neste último cenário, Fernando Medina conseguiria a maioria absoluta, mas o Cesop ressalva que este é um cenário muito pouco provável.

O PSD e o CDS, atualmente com seis vereadores, podem antecipar a eleição de cinco a seis vereadores, enquanto a CDU deverá manter os dois que tem no mandato corrente ou, no pior cenário, perder um. O Bloco de Esquerda não deverá ir além do único vereador que já tem. Como tal, a Iniciativa Liberal pode configurar mesmo a principal e única novidade e, desta forma, aumentar a representação da direita.

Fernando Medina, segundo estes resultados, terá de fazer acordos após as eleições, com o Bloco de Esquerda (atual parceiro de governação) a perfilar-se como melhor opção e João Ferreira, da CDU, a assumir publicamente que também está disponível para negociar — apesar de também ter feito saber que não venderá barato o seu apoio.

Reunida a santíssima trindade?

Poucas horas antes da publicação desta sondagem, Fernando Medina esteve acompanhado de António Costa e Pedro Nuno Santos numa ação de campanha carregada de significado — Pedro Nuno e Medina são apontados como dois dos prováveis sucessores de Costa.

O trio esteve no Cais do Sodré, onde Medina discursou e deu a conhecer as suas ideias para a cidade, sobretudo em matéria de mobilidade, mas também destacou o bom ambiente que se vive nas hostes socialistas.

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“Nós gostamos de estar ao lado uns dos outros, somos camaradas, temos uma visão partilhada sobre muitas matérias e, por isso, ao contrário de outros partidos em que se discute muito a sua secessão e o que é que estas eleições significarão sobre o poder interno de um partido, aqui não”, afirmou Medina.

Segundo o Expresso, a ação ficou marcada pelo “calculismo” e por muitos gestos de “cerimónia”, o que poderá evidenciar a precaução dos três atores políticos em “não ferir sentimentos“. Posteriormente, António Costa e Pedro Nuno Santos seguiram, juntos e de comboio, para a próxima ação de campanha. Durante a viagem, Costa corroborou o discurso de Medina e fez a sua análise ao que acabara de acontecer.

“É mesmo uma leitura do presente: o PS está todo junto a trabalhar no que importa que é a resolução dos problemas dos portugueses e para melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento do nosso país”, explicou Costa.

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