Nota artística: encosta, encosta

 

O primeiro clássico da Coronaliga. Mas, esperam os responsáveis, o último em que o som proveniente das bancadas foi…

O som do silêncio…ou nem por isso. Porque aquelas colunas do Estádio de Alvalade debitavam um som que se devia ouvir em Almada. São as discotecas futebolísticas que se tornaram normais, sobretudo nos estádios dos maiores clubes. Qual será o objetivo? Animar a meia dúzia de diretores que está lá dentro ou criar dores de cabeça?

Antes do duelo, o evangelista Amorim enalteceu, e com lógica, a grande diferença entre os plantéis atuais de Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto: tinha anunciado que os jogadores portistas deveriam ter mais jogos nas competições da UEFA do que os jogadores sportinguistas acumulam no principal campeonato português. Deve ser quase isso, sim: o plantel azul e branco tem cerca de 900 jogos na liga portuguesa e o plantel verde e branco não chega aos 300 na mesma prova. Será que isso iria fazer diferença no relvado?

A diferença que se notou no relvado foi a presença de Palhinha. O médio, mesmo sendo sempre jogador do clube, não representava o Sporting desde o dia 8 de Abril de 2018. Há mais de dois anos e meio. Será que tinha saudades?

Vamos lá ao jogo. Vamos ver no que isto dá. Deve haver estudo mútuo, para já… Golo! Oito minutos, golo. O Nuno voltou a marcar, tal como no evangelho em Portimão. O Santos.

Ainda antes da meia hora, Alex Telles foi recordado. Não houve homenagem ao brasileiro que rumou a Inglaterra mas houve um cruzamento muito bem executado pelo seu substituto, Zaidu. Uribe agradeceu e empatou.

Não esperemos muito mais porque, em cima do intervalo, vimos novo golo portista. O nome do autor da bela jogada não foi surpreendente: bastava ter visto as notícias em Portugal, ao longo da semana passada, para perceber que o Corona estava forte.

Espera aí, Robbie, espera aí!

Pensei que o intervalo ia chegar logo a seguir mas ainda há tempo para uma grande penalidade no outro lado! E expulsão! E protestos! Pronto. Já temos a festa toda, o clássico está a ser clássico.

Bem, o FC Porto já defrontou um rival de Lisboa com menos um jogador, durante a maioria do jogo, e safou-se. Até ganhou uma taça. Será que…

Ai, espera. O árbitro está a ouvir música nos auscultadores. Afinal não é penálti. Nem há cartão vermelho. Alguém cantou que o árbitro estava errado.

Ei… Agora quem protesta são os verdes. Pois, o evangelista é evangelista mas também se enerva. Até o filho de Deus se enervou tantas vezes naquele banco, e de que maneira. Pensou que ia empatar a partida e que iria jogar a segunda parte toda com mais um jogador. Afinal, nem empate, nem superioridade. De repente, o seu mundo ficou ao contrário… E foi expulso.

Primeira parte interessante, repartida, com momentos de emoção. Mesmo retirando estes nervos nos instantes finais, já tinha havido emoção e algum espetáculo, antes. Será que o segundo tempo vai ser igual?

Não foi. Mas houve um momento que viria a fazer a diferença: quando um desaparecido Jovane saiu para Vietto entrar. Veio das bancadas o grito do evangelista, a anunciar esta decisão logo aos 10 minutos.

A bola parou mais vezes, as interrupções acumularam-se, o equilíbrio manteve-se. Pairou a ideia de que os visitantes tinham o cenário controlado mas, no último quarto de hora, o Sporting aproximou-se mais e, mesmo perto do fim, o tal Vietto veio trazer aos pontos o que se viu no relvado: divisão. Terceiro golo proveniente de um ressalto, neste jogo. Mas todos contam.

Será que ainda vai haver mais um penálti que não é penálti? Não. Acabou.

Rostos contentes, sorrisos visíveis do lado do leão. Rostos desapontados, cabeças abaixadas do lado do Dragão. Como disse o treinador portista no final do encontro: “O Sporting pode estar contente, eu não”.

Ah, pois, isto é um clássico. Agora vêm aí as clássicas declarações.

Um treinador a dizer que os outros estão contentes e ele não. O outro treinador a dizer que os outros não estão contentes mas ele está orgulhoso.

E depois vem um presidente queixar-se dos homens que levam apitos para os estádios. “Se os soldados não prestam, encostam-se!” – reclamou o líder de Alvalade.

Entendo. Mas, por falar em encosta, e já que o outro rival ganhou no dia a seguir, agora está mais difícil encostar no líder.

Mesmo que um destes protagonistas ainda tenha um jogo em falta.

Ai, não falemos em faltas!

NMT, ZAP //

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