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Marques Mendes sobre a vacinação jovem. “Se a DGS mudar para agradar ao Governo, mata a sua credibilidade”

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PSD / Flickr

Luis Marques Mendes

Marques Mendes acredita que a DGS vai acabar por mudar as normas na vacinação dos jovens saudáveis entre 12 e 15 anos. O comentador antecipa também uma vitória socialista nas autárquicas.

No seu habitual espaço de comentário televisivo, Luís Marques Mendes analisou a divisão entre os especialistas relativamente à vacinação de jovens entre os 12 e 15 anos e a posição da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Actualmente, a DGS recomenda a vacinação nesta faixa etária apenas para jovens com doenças de risco, como cancro ou diabetes. Os jovens saudáveis têm de aguardar pela task force para serem vacinados.

Recorde-se que o receio de miocardite, uma inflamação no coração das crianças, é um dos motivos de quem é contra a vacinação dos jovens entre os 12 e 15 anos. No entanto, outros peritos argumentam que é preciso inocular esta faixa etária para que se alcance a imunidade de grupo.

Segundo o comentador, a pressão política do Governo e do Presidente da República, que a própria DGS já teve de corrigir publicamente, vai acabar por levar à mudança das normas, apesar de estar em causa uma questão “técnico-científica” e não “política”.

A DGS não vai poder aguentar por muito tempo a pressão política a que tem sido sujeita. Mas espero uma coisa: quando a DGS mudar de posição, que o faça na base de razões de carácter técnico e científicas. Se a DGS mudar para agradar ao Governo, ao PR, à task force. Isso era matar toda a sua credibilidade“, afirmou, citado pelo Expresso.

O conselheiro de Estado refere também que a DGS podia ter explicado melhor as razões que levaram ao primeiro parecer, porque pode ter dado a ideia de que a vacina é “arriscada para a generalidade” dos mais jovens.

Marques Mendes relembra que a divisão entre os especialistas não é limitada a Portugal e que as opiniões também contrastam na União Europeia numa matéria que é “melindrosa e delicada”.

“Cá dentro, veja-se a Ordem dos Médicos. O Bastonário é a favor da vacinação, o responsável pela área de pediatria da Ordem é contra. Na UE, a divisão é também muito grande: 11 países, liderados pela França, são a favor da vacinação de menores sem restrições; três são contra, incluindo Portugal, enquanto 13 não têm posição“, referiu.

Vários países, como França, Alemanha ou Israel, já anunciaram que vão avançar com uma terceira dose da vacinação, indo contra o apelo da OMS de que se desse prioridade aos países mais pobres antes de se administrar doses de reforço. Marques Mendes considera a dose de reforço “inevitável” devido aos “interesses comerciais” das farmacêuticas.

“Por um lado, as farmacêuticas que aumentaram recentemente o preço das vacinas, em média, 20%. Por isso, interessa-lhes que haja uma terceira dose. E mais tarde uma quarta e uma quinta. Este é um bom negócio. Por outro lado, a UE já comprou 900 milhões de doses para 2022 e 2023. Se a UE as comprou, não é para as deitar fora”, disse.

Marques Mendes faz também um balanço positivo do processo de vacinação em Portugal, que atingiu a meta de 70% da população com pelo menos uma dose antes do esperado. “À escala global, estamos numa excelente 11.ª posição. O próximo grande objetivo é atingir 90% da população com pelo menos uma dose e 70% com vacinação completa na primeira semana de Setembro. Aí podemos estar na imunidade de grupo”, concluiu.

Autárquicas e Programa Nacional de Investimentos

Sobre as eleições autárquicas, o comentador prevê uma vitória para o PS, que deve continuar a “ter mais votos, mais Câmaras e a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses”. No entanto, relembra que o partido de António Costa está em risco de perder as autarquias de Coimbra e Almada.

Para o PCP, antecipa uma “boa prestação”, com os objectivos de recuperar Almada e Barreiro e segurar Évora e Setúbal. O partido deve também continuar a aprovar os Orçamentos do Estado e garantir a “estabilidade”.

À direita, Marques Mendes antecipa disputas na liderança do PSD e CDS. Os sociais-democratas devem recuperar entre 10 a 20 Câmaras perdidas no “resultado catastrófico” de 2017.

“Rui Rio fará o discurso de que o PSD está em recuperação e os críticos dirão que o resultado foi “poucochinho” e que a crise é maior, correndo o PSD o risco de passar de um grande partido para partido médio”, explicou, citado pelo Expresso.

No caso do CDS, o conselheiro garante que o eurodeputado Nuno Melo vai desafiar Francisco Rodrigues dos Santos e avançar na corrida à liderança.

Luís Marques Mendes comentou também os atrasos na distribuição dos 45 mil milhões de euros do Programa Nacional de Investimentos 2030, segundo o Expresso. Apesar de ser “importante acelerar” a bazuca e abrir concursos para distribuir as verbas, o “Governo devia andar depressa em tudo”.

“Portugal vai receber também dinheiro do Programa 2030, uma verba superior ao PRR, e esse está atrasado”, afirmou o ex-líder do PSD, reforçando que o atraso é “grave” e que não se pode dizer que a razão é o Plano de Recuperação e Resiliência porque “não é”.

“Há duas coisas muito estranhas: uma é a oposição que devia chamar a atenção disto e parece estar de férias, a banhos, quando isto é uma questão essencial e não uma mera politiquice. A segunda questão é que o Governo tinha a obrigação de dar um esclarecimento e uma explicação ao país”, rematou.

  AP, ZAP //

4 Comments

  1. O advogado pequenino que faz de conta que é comentador a falar de credibilidade quando ele, no mesmo programa, jurou a pés juntos que o BES era sólido!…

    • Visto o exemplo Inglês … não se pode dizer que não tenha razão.

      Só acho estranho que os media que deram tanto impacto ao comentadores que previam o novo fim do mundo quando se anunciou a remoção das restrições e das mascaras (interior e exterior) no Reino Unido, agora não liguem nenhuma ao facto de os números terem seguido uma direção oposta e estarem a baixar….

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