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Desigualdades na vacinação. Alemanha, França e Israel ignoram OMS e avançam com terceira dose

Stephanie Lecocq / EPA

Emmanuel Macron, Angela Merkel em Cimeira da UE na Bélgica

A OMS queria uma moratória na vacinação nos países ricos até fim de Setembro, mas França, Israel e Alemanha estão a ignorar o pedido. Espanha está também a considerar a terceira dose.

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A Organização Mundial da Saúde apelou a que os países ricos não avançassem com uma terceira dose enquanto a taxa de vacinação dos países mais pobres não fosse mais alta, mas Alemanha, França e Israel estão a ignorar o pedido.

A decisão de avançar com a terceira dose realça mais uma vez as grandes desigualdades nas respostas à pandemia e o açambarcamento das vacinas pelos países ricos enquanto as nações em desenvolvimento têm um processo de vacinação mais atrasado.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta quinta-feira que o país vai avançar com a administração de uma terceira dose para pessoas com doenças de risco e idosos a partir de Setembro.

“Uma terceira dose provavelmente será necessária, não para todos imediatamente, mas em qualquer caso para os mais vulneráveis e os mais idosos”, anunciou Macron na sua conta oficial do Instagram.

Segundo o Ministério da Saúde da Alemanha, o país vai dar a terceira dose da vacina a idosos e residentes de lares também a partir de Setembro.

Naftali Bennett, o primeiro-ministro de Israel, apelou num comunicado a que os israelitas mais velhos tomem uma terceira dose depois de no mês passado o governo ter começado a dar doses de reforço.

“Quem tem mais de 60 anos e ainda não recebeu a terceira dose da vacina está seis vezes mais susceptível à doença grave e – Deus nos livre – à morte”, afirmou Bennett.

Israel tem estado na linha da frente da vacinação desde o início do processo e o primeiro-ministro acredita que a decisão do país de dar a terceira dose da Pfizer pode dar importantes dados preliminares sobre o combate à variante Delta.

Em relação ao apelo da OMS, Bennett refere que Israel tem apenas 9.3 milhões de habitantes e que, por ser um país pequeno, a sua decisão de dar a dose de reforço “não afecta significativamente o abastecimento mundial”.

Espanha tenciona também avançar com a administração de uma terceira dose das vacinas Pfizer/BioNTech e Moderna, apesar de ainda não ter anunciado uma data.

Desigualdades acentuam-se

Estes anúncios surgem pouco depois de o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ter pedido que se adiasse a vacinação de adolescentes nos países ricos, a fim de dar prioridade às populações mais frágeis nos menos desenvolvidos.

“Compreendemos a preocupação dos governos em proteger as suas populações da variante Delta, mas não podemos aceitar que os países que esgotaram a maior parte das suas reservas de vacinas continuem a administrar ainda mais, enquanto as populações mais vulneráveis do mundo permanecem desprotegidas”, criticou na quarta-feira.

O diretor-geral da OMS explicou que a moratória na vacinação seria até ao final de Setembro. O objectivo é que pelo menos 10% da população de cada país esteja totalmente vacinada antes de se avançar para doses de reforço, embora tenha reconhecido que será difícil atingir essa meta.

Segundo dados da OMS, os países ricos administraram cerca de 50 doses por cada 100 habitantes em Maio, tendo esse número duplicado desde então. Já os países mais pobres só conseguiram administrar 1.5 doses por cada 100 pessoas.

Enquanto a Europa tem mais de metade da sua população vacinada e os Estados Unidos têm cerca de 70%, apenas 2% das pessoas em África estão totalmente vacinadas e 5% receberam uma dose.

  AP, ZAP //

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