Marinha cria protótipo de ventilador de baixo custo. Custa 1.500 euros, mas falta quem o faça

José Sena Goulão / Lusa

A Marinha deu esta terça-feira a conhecer o protótipo de um ventilador mecânico de baixo custo que foi criado pelos militares e pode vir a ser “produzido em massa” em Portugal, caso surjam empresas interessadas.

“Este ventilador compreende os quatro modos de ventilação mais usados do ponto de vista de cuidados intensivos e já o fizemos a pensar na comunidade médica e também na parte da sustentação do Serviço Nacional de Saúde”, avançou o tenente Tiago Lança, que faz parte da equipa que criou o projeto.

Em declarações aos jornalistas, na Base Naval de Lisboa, em Almada, no distrito de Setúbal, o responsável indicou que a Marinha “não irá produzir o ventilador”, mas está a fazer a parte conceptual para “abrir o leque às indústrias parceiras da Marinha ou empresas que estejam interessadas em desenvolvê-lo”.

Foram quatro militares da Célula de Experimentação Operacional de Veículos Não-Tripulados que tiveram a ideia de desenvolver este protótipo de um ventilador mecânico de baixo custo que ajude no combate à pandemia da covid-19.

O projeto foi desenvolvido em três semanas e, segundo Tiago Lança, a próxima “batalha” será “atingir níveis de fiabilidade e fazer a certificação” para que possa vir a ser “produzido em massa”.

“Neste momento estamos a finalizar a parte eletromecânica e do desenho do interface que ainda está a ser programada. A nossa ideia é colocarmos o protótipo numa versão final nas próximas duas ou três semanas para iniciar o processo de certificação”, adiantou.

Segundo o responsável, o equipamento produzido teve um custo de cerca de 1.500 euros, mas “para poder escalar há mais alguns custos”.

Para os militares, este projeto foi um “desafio” porque costumam desenvolver outro tipo de engenharias, mas já estão a conseguir frutos porque tem havido “muito interesse por parte dos parceiros da Marinha”.

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, visitou hoje a Base Naval de Lisboa para ver o centro de acolhimento para doentes de covid-19, mas ficou também a conhecer o novo projeto, que considerou “um trabalho notável de inovação”.

“Temos aqui um exemplo excelente de inovação das Forças Armadas, que têm de se adaptar em qualquer situação de conflito e perante o inesperado. Tivemos uma situação muito inesperada e verificámos que as Forças Armadas souberam adaptar-se e estão a criar as circunstâncias para responder da melhor maneira”, apontou.

No entanto, o ministro não conseguiu precisar se o equipamento poderá ser produzido em Portugal porque ainda “está no processo de certificação” e não se sabe “qual é a possibilidade de fabrico” destes ventiladores em larga escala.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Afinal as nossas forças armadas , não só contribuem , para o ataque ao covid 19 , com mostram , que
    o combate , também se faz tecnicamente e agora esperemos que haja algum industrial, que não olhe só para o umbigo , e deite mãos a obra .
    Bem hajam

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