“Aprender com o que corre menos bem”. Marcelo, Temido e Graça Freitas desvalorizam confusão da Champions

Manuel Fernando Araújo/ Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa não quis comentar a explicação dada pelo primeiro-ministro ao que correu mal na final da Champions no Porto. Já Marta Temido e Graça Freitas desvalorizam e esperam que a lição tenha sido aprendida.

Na Eslovénia, o Presidente da República optou por não comentar a resposta de Costa às suas críticas à final da Champions.

Não comento nada sobre Portugal. Nem o que foi dito, nem o que se passou”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, citado pelo Expresso, defendendo ainda que o desconfinamento deve ser feito de forma “equilibrada, sem facilitismos nem alarmismos”.

Depois de ter criticado indiretamente o Governo por ter dito que tudo na final da Champions funcionaria num circuito fechado – “Não é possível dizer que os adeptos vêm em bolha e depois não vêm em bolha”, afirmara no domingo – o Presidente não quis comentar a reação do primeiro-ministro ao que reconheceu ter corrido pior.

Reconhecendo que, estando o país a viver a fase de verdadeiro desconfinamento, durante “um mês e meio, dois meses” é normal haver “fundamentalismos dos dois lados”.

Marcelo garante que defende a linha moderada, “de equilíbrio entre saúde e economia”, e mostra-se convicto de que “o desconfinamento vai continuar, já não é possível voltar atrás, o mais difícil está feito e não vamos estragar o que deu tanto trabalho a fazer”.

“Todos temos de aprender”

Por sua vez, a ministra da Saúde não quis comentar as críticas de Pinto da Costa a propósito da Champions, sublinhando que o importante em relação ao que se passou é “retirarmos as necessárias consequências em termos de saúde pública”.

“Neste momento não vou fazer qualquer comentário” sobre situações ligadas com a Champions, afirmou esta segunda-feira Marta Temido, acrescentando apenas que “todos temos de aprender com o que corre, porventura, menos bem”.

Sobre as críticas que o presidente do Futebol Clube do Porto dirigiu ao Governo, a propósito do que considerou ser uma “dualidade de critérios”, por permitir a entrada de estrangeiros no estádio do Dragão, Temido disse aos jornalistas não ter ouvido.

O “importante”, concluiu, é “retirarmos as necessárias consequências em termos de saúde pública.

Questionada sobre se os estádios vão voltar a ter público, a ministra foi vaga, dizendo que “precisamos de apreciar cuidadosamente as regras pelas quais nos vamos continuar a reger nos próximos tempos”.

“Tenho a certeza de que todos os portugueses já compreenderam que há um conjunto de regras que temos de continuar a seguir e que a circunstância de outros não as cumprirem não deve ser – não é de certeza – um alibi para o que gostávamos de fazer, mas um mal maior para chegarmos onde é preciso”, rematou.

“Não é por regras não terem sido cumpridas que isso nos dá um passaporte para incumprir”

Ainda sobre os festejos da Liga dos Campeões, a diretora-geral da Saúde reconhece que “há sempre falhas nestes processos”, mas considera que os adeptos ingleses, “de um modo geral, terão cumprido as regras”.

Ainda assim, Graça Freitas afirma que, “se houve maus exemplos, isso não nos dispensa de cumprir as regras”.

A responsável da DGS diz que, enquanto espetadora, verificou que “a maior parte das pessoas estava sentada com distância” no estádio, embora, “obviamente, também tenha visto outras sem máscara e demasiado juntas”.

No entanto, prefere não generalizar: “foi um grupo de pessoas que não cumpriu as regras”. Além disso, frisa, “não é por regras não terem sido cumpridas [pelos adeptos ingleses no Porto] que isso nos dá um passaporte para incumprir”.

Aos portugueses, Graça Freitas pede “um bocadinho mais de paciência e de calma”, reforçando a necessidade de “usar máscara, manter distância física e conviver sem demasiados aglomerados.

PS atira para “os próximos dias” explicação sobre organização da Champions

O secretário-geral adjunto do PS disse hoje que, “nos próximos dias”, deverá haver uma explicação sobre a organização da final da Liga dos Campeões no Porto.

“Julgo que nos próximos dias haverá uma explicação sobre a organização [da final da Liga dos Campeões] e sobre os cuidados que houve com a organização”, afirmou José Luís Carneiro à margem de uma reunião com o reitor da Universidade do Porto (UP).

Dizendo ser necessário “aguardar pela pronúncia das autoridades responsáveis pela organização do evento”, o socialista vincou ser “importante olhar” para todos os cuidados que foram adotados e “porventura para o que tenha falhado”.

“Vamos aguardar pela explicação das autoridades que vão permitir-nos tomar conhecimento de todos os esforços que foram feitos para garantir que o evento, que projetou Portugal para todo o mundo, tenha corrido nalguns aspetos muito bem e, noutros, eventualmente menos bem”, frisou José Luís Carneiro.

A final da Liga dos Campeões decorreu no Porto, no sábado, num jogo com a presença de adeptos ingleses, que durante os últimos dias estiveram aglomerados no centro da cidade, a maioria sem cumprir as regras ditadas pela pandemia de covid-19, como o uso de máscara e o distanciamento físico.

Ana Isabel Moura, ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. A “Regra” era fazer cumprir !……. Não fizeram cumprir e não cumpriram !…. Aï do Conterrâneo que não cumpra, paga forte e e feio !… . A “regra” era fazer cumprir, as Autoridades na matéria deixaram andar, e agora sacodem (mais uma vez) a água suja du capote, por um punhado de Pound’s. Com exemplos destes, estão a abrir uma Autoestrada a Extrema Direita !

    • Este governo tem sempre de aprender tudo e não consegue aprender nada. É um caso colectivo de necessidades educativas especiais! Teremos de arranjar uma turma com 50 alunos pela regra do ME, ele próprio também já cadastrado.

  2. “Graça Freitas afirma que, “se houve maus exemplos, isso não nos dispensa de cumprir as regras””. Tem toda a razão! Se houve maus exemplos TEUS (apanhaste a Covid-19 porque não cumpriste as regras) “isso não nos dispensa de cumprir as regras”.

  3. Um: apanhou o Covid às 21 horas, e, nove horas depois, livrou-se dele.
    Outra: teve Covid, porque foi tonta.
    A última: já deve ter apanhado o Covid, mas tem medo de confessar.

  4. ja se esperava o que aconteceu e vai acontecendo por imcompetencia e por ganancia das empresas amigas do rei em faturar cada vez mais a conta do pobre, quer dizer do povo.nao e justo nem correto ……mas que ha mita gente a merecer uma grande liçao nem que seja pelo voto , ha isso ha.

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