Maratona final de interrogatórios pode atrasar (mais uma vez) acusação a Sócrates

José Sena Goulão / Lusa

O antigo primeiro-ministro, José Sócrates

O antigo primeiro-ministro, José Sócrates.

A quatro dias do fim do prazo dado pela Procuradora-Geral da República para a saída da acusação na “Operação Marquês”, José Sócrates vai ser, novamente, interrogado numa maratona final de audiências que envolve outros arguidos do caso e que poderá atrasar, mais uma vez, a dedução da acusação.

José Sócrates vai ser interrogado pela terceira vez, pelo Ministério Público (MP), no âmbito da “Operação Marquês”, quando faltam apenas quatro dias para terminar o prazo anunciado para a conclusão do inquérito.

O interrogatório ao ex-primeiro-ministro – indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais – deverá incidir sobre os últimos elementos da investigação que estão relacionados com os negócios da Portugal Telecom (PT) e com a transferência de vários milhões de euros do Grupo Espírito Santo (GES) para o empresário Carlos Santos Silva, apontado como o ‘testa de ferro’ do antigo líder socialista.

Ricardo Salgado, que é suspeito de ter desembolsado cerca de 100 milhões de euros em “luvas” alegadamente pagas a Sócrates, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro e Armando Vara, nomeadamente com o intuito de “enterrar a PT”, também vai ser novamente interrogado.

Defesa fala em “nova fuga para a frente”

“Sem factos ou provas que sustentassem as imputações que lhe serviram para prender José Sócrates, o MP ensaia agora nova fuga para a frente e tenta envolver José Sócrates nos processos da PT e do BES”, consideraram em comunicado, na sexta-feira passada, os advogados do ex-primeiro-ministro.

Contactado no domingo, o advogado João Araújo garantiu à Lusa que Sócrates vai efectivamente comparecer ao interrogatório, depois de terem surgido dúvidas sobre a forma escolhida para notificar o ex-primeiro-ministro – uma vez que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) notificou os advogados, solicitando-lhes que notificassem Sócrates para o interrogatório complementar.

No passado mês de Fevereiro, Sócrates anunciou que vai processar o Estado pela “escandalosa violação dos prazos máximos do inquérito” que já decorre há mais de dois anos.

Procuradores decidem quarta-feira se pedem adiamento

A inquirição de Sócrates surge após o empresário Carlos Santos Silva ter sido novamente interrogado, na passada sexta-feira, com a Procuradoria-Geral da República a divulgar que “estão, ainda, previstos interrogatórios de outros arguidos no decurso” desta semana.

Com esta maratona de interrogatórios na “Operação Marquês”, na recta final do prazo para a conclusão do inquérito, têm crescido as dúvidas sobre se o MP terá a investigação completamente pronta até ao dia 17 de Março.

O jornal i e o Público sustentam que os investigadores precisam de, pelo menos, mais um mês para ultimar a acusação, tendo em conta as audições que estão previstas para estes dias.

Já a SIC Notícias garante que os procuradores do caso vão reunir-se na quarta-feira para decidir se pedem um adiamento.

A “Operação Marquês” conta, até ao momento, com 25 arguidos – 19 pessoas e seis empresas, quatro das quais do universo do Grupo Lena.

Entre os arguidos estão Armando Vara, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos e antigo ministro socialista, Carlos Santos Silva, empresário e amigo de Sócrates, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista de Sócrates, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, ex-administradores da PT, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira, os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro e o empresário luso-angolano Hélder Bataglia.

  ZAP // Lusa

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