Restos mortais de Khashoggi encontrados no jardim da casa do cônsul da Arábia Saudita

Ali Haider / EPA

Os restos mortais do jornalista saudita Jamal Khashoggi terão sido encontrados esta terça-feira, avança a Sky News, no jardim da casa do cônsul da Arábia Saudita em Istambul.

Partes do corpo do jornalista saudita Jamal Khashoggi terão sido encontradas no jardim da casa do cônsul da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, avança esta terça-feira a televisão Sky News, citando fontes anónimas.

As mesmas fontes adiantam ainda que Jamal Khashoggi apresentava cortes no corpo e o rosto “desfigurado”.

Esta informação surge depois de, esta manhã, o Presidente da Turquia garantir que não te dúvidas: Khashoggi foi vítima de um crime atroz e premeditado. Recep Tayyip Erdogan, garantiu que o jornalista saudita, Jamal Khashoggi, foi vítima de um crime “atroz” e “violento”, planeado com dias de antecedência pelos sauditas.

“Até agora, as informações e provas que temos indicam que Jamal Khashoggi foi assassinado de forma atroz e violenta e, encobrir tal atrocidade, prejudicará a consciência de toda a humanidade”, disse o Presidente no parlamento turco, esclarecendo, contudo, que ainda é cedo para fazer acusações.

“Temos a certeza que foi assassinado no consulado”, começou por dizer aos deputados depois de prestar condolências à família de Khashoggi.

De acordo com Erdogan, Khashoggi foi vítima de um “assassinato planeado antecipadamente”, levado a cabo por 15 pessoas que chegaram à Turquia, em voos separados, exatamente para esse fim.

Erdogan precisou ainda aos deputados que houve duas equipas envolvidas no crime, uma das quais com nove elementos – incluindo de generais – que voaram da Arábia Saudita. As autoridades da Turquia tiveram conhecimento do desaparecimento do jornalista depois de uma queixa da noiva, que temia pela vida do noivo.

O Presidente revelou também que na manhã de 2 de outubro – dia em que o jornalista desapareceu – este grupo ligou a Khashoggi que, após este contacto telefónico, dirigiu-se ao consulado em Istambul, onde entrou por volta do meio dia e nunca mais foi visto.

Turquia quer mais respostas

Erdogan reiterou que o crime não pode ser encoberto e pediu a Riade mais respostas, acusando as autoridades sauditas de impedirem a investigação. “As provas sugerem que Khashoggi foi vítima de um assassínio horrível e de uma atrocidade que não pode ser encoberta”, afirmou o Presidente.

“Porque é que foram dadas tantas explicações incoerentes?”, questionou Erdogan, referindo-se às várias versões que foram sendo dadas pelo reino.

O Presidente da Turquia deixou várias perguntas à Arábia Saudita: “Porque é que estava uma equipa composta por 15 sauditas na Turquia? Por ordens de quem? Porque é que o consulado não foi aberto aos investigadores imediatamente? Porque é que existiram tantas declarações diferentes dos sauditas? Quem é o colaborador local que se livrou do corpo de Khashoggi? Os sauditas têm de responder a todas estas questões”, indagou o Presidente turco citado pelo jornal Público.

Erdogan perguntou ainda porque é que o corpo do jornalista ainda não foi encontrado, exigindo aos responsáveis que indicassem o seu paradeiro.

“Apelo à Arábia Saudita, ao rei Salman, guardião das duas mesquitas: o local onde o crime foi cometido foi Istambul. Peço-lhe que envie esses 18 detidos para serem julgados em Istambul. A decisão é sua, mas este é a minha proposta, o meu pedido”, disse Erdogan, confirmando as 18 detenções anunciadas pelas autoridades sauditas.

Erdogan apelou a uma “investigação imparcial”, com a cooperação de outros países, de forma a descobrir tudo o que aconteceu. “Eu não duvido da sinceridade do rei Salman. Dito isto, é preciso uma investigação independente. Este foi um homicídio político”, atirou ainda.

A Arábia Saudita acabou por admitir no sábado que o jornalista, crítico do poder em Riade e colaborador do jornal The Washington Post, foi morto nas instalações do consulado saudita em Istambul. No domingo, num discurso proferido numa cerimónia pública, Erdogan disse pretender “que se faça justiça” e que “toda a verdade será revelada a verdade nua”.

ZAP // RT / Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. “Eu não duvido da sinceridade do rei Salman. Dito isto o ditador Erdogan que também já fez das suas no seu país está já a procurar proteger o ditador árabe, como se alguém duvide de onde veio a ordem para tal barbaridade. Há países mesmo onde não é nada aconselhável meter os pés!.

    • Ele quis dizer que não duvida do rei saudita, mas sabe muito bem que isto tem mão do governo/príncipes sauditas!!
      E claro que ele só ficou chateado porque isto ocorreu na Turquia, porque o Erdogan está-se pouco lixando para a morte de alguém – ainda para mais sendo jornalista!…
      Engraçado é que estes dois (Turquia e Arábia Saudita) são muito amigos dos EUA…

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