Juiz Sérgio Moro pede desculpa por divulgar escutas de Dilma e Lula

Rovena Rosa / Agência Brasil

O juiz brasileiro Sérgio Moro

O juiz brasileiro Sérgio Moro

O juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação Lava Jato, admitiu esta terça-feira que se equivocou ao autorizar a divulgação de escutas telefónicas entre a Presidente Dilma Rousseff e o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

O juiz federal justificou-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) lamentando e pedindo “escusas” por ter autorizado a divulgação de escutas telefónicas, referindo que não teve intenção de “gerar um facto político-partidário, polémicas ou conflitos, algo estranho à função jurisdicional”.

“Diante da controvérsia decorrente do levantamento do sigilo e da decisão de vossa excelência, compreendo que o entendimento então adotado possa ser considerado incorreto, ou mesmo sendo correto, possa ter trazido polémicas e constrangimentos desnecessários. Jamais foi a intenção deste julgador, ao proferir a aludida decisão de 16 de março, provocar tais efeitos e, por eles, solicito desde logo respeitosas escusas a este Egrégio Supremo Tribunal Federal”, afirmou Sérgio Moro.

O juiz Sérgio Moro enviou as informações a pedido do magistrado do STF Teori Zavascki, após a decisão que determinou a suspensão das investigações da Operação Lava Jato que envolvem Lula e o envio dos processos para o Supremo Tribunal.

Nos áudios divulgados, Dilma Rousseff diz a Lula da Silva que mandou alguém entregar o termo de posse do ex-Presidente como ministro da Casa Civil, para ser usado “em caso de necessidade”.

As declarações foram interpretadas como um possível combinação para garantir a imunidade de Lula da Silva – que como membro do Governo deixaria de ser julgado por Moro, passando a investigação para a alçada so STF -, mas a Presidente justificou que falavam na assinatura do seu antecessor para a tomada de posse, quando ainda não era certa a presença de Lula no evento.

Sérgio Moro garante que não determinou a quebra de sigilo telefónico de nenhuma pessoa com prerrogativa de foro (imunidade jurídica) e que os diálogos envolvendo a presidente Dilma e ministro do gabinete pessoal da presidência, Jaques Wagner, o ministro das Finanças, Nelson Barbosa, e parlamentares, foi encontrada de forma fortuita nas investigações.

O juiz afirma que o seu objetivo era “dar publicidade ao processo e especialmente a condutas relevantes do ponto de vista jurídico e criminal do investigado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que podem eventualmente caracterizar obstrução à Justiça ou tentativas de obstrução à Justiça”.

No pedido de informações, Moro também afirmou que existem mais conversas telefónicas do ex-presidente que foram gravadas.

“Há outros diálogos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva intencionando ou tentando obstruir ou influenciar indevidamente a Justiça. Há também diálogos nos quais revela a intenção de intimidar as autoridadades responsáveis pela investigação e processo”, afirmou Moro.

Esta quinta-feira, o STF decidirá se Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal, continuará na condução dos inquéritos contra Lula da Silva.

Agência Brasil

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2 COMENTÁRIOS

  1. Existe uma expressão que diz… “Ups! My bad…” (desculpem qualquer coisinha…)
    E eu digo “Bullsh…!” (treta – a expressão é um pouco mais acutilante, mas não quero utilizar palavras mais fortes…)

  2. Este “cara” (de parvo) não passa de patifório da máfia golpista.
    Aonde é que estavam estes Juízes (sem juízo), quando ao longo de tantos anos se roubava impunemente à descarada no Brasil ?
    E se a direita voltar ao poder no Brasil, vai ser uma gigantesca festança de ladroagem – mas simplesmente com a aprovação da falsa Justiça brasileira.

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