Jornalista chinês que fez reportagens sobre o coronavírus está desaparecido

(dr)

O jornalista independente chinês Chen Qiushi

O número de mortos na China continental devido ao coronavírus aumentou para 908, esta segunda-feira, mais 97 do que no domingo. Jornalista independente está desaparecido desde quinta-feira.

Segundo os números divulgados pela Comissão Nacional de Saúde da China, são agora 40.171 as pessoas infetadas no país. O aumento de 97 mortes indica um recrudescimento de casos do novo vírus 2019-nCoV, depois de ter havido uma quebra no dia anterior.

A mesma fonte precisou que, até à meia noite local, contavam-se 6484 casos graves e que 3.281 tiveram alta, depois de se curarem da doença. Até agora, a Comissão fez o seguimento médico a 399.487 pessoas que tiveram contacto próximo com os infetados, dos quais 187.518 continuam em observação.

Este domingo, uma missão internacional de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), que declarou no fim de janeiro uma situação de emergência de saúde pública internacional, partiu para a China.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e de Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em 25 países. Ao todo já foram registados mais de 360 casos fora da China continental. Na Europa, o número chegou no domingo a 39, com duas novas infeções detetadas em Espanha e no Reino Unido.

No Japão, o navio cruzeiro Diamond Princess, que chegou há uma semana ao porto de Yokohama e que está sob quarentena, tem já 130 pessoas infetadas, entre 3700 passageiros e tripulantes.

As pessoas infetadas já foram levadas para centros médicos de Tóquio e de outras localidades próximas, onde estão a receber tratamento. As autoridades sanitárias continuam a realizar exames médicos aos passageiros e tripulantes.

Jornalista chinês desaparecido

De acordo com a CNN, Chen Qiushi, um jornalista independente chinês que tem feito reportagens críticas sobre o coronavírus a partir de Wuhan, o epicentro do surto, está desaparecido deste a última quinta-feira.

Familiares e amigos souberam pela polícia que o jornalista foi posto à força em quarentena, mas não sabem exatamente onde, nem desde quando. O amigo Xu Xiaodong lembra que Qiushi estava bem de saúde antes de ter desaparecido.

“Estamos preocupados com a sua segurança física, mas também com a possibilidade de ser infetado enquanto está desaparecido”, disse um outro amigo à estação televisiva, que pediu para manter o seu anonimato por receio de represálias do Governo chinês.

Esta não é a primeira vez que Qiushi, que já trabalhou como advogado, é silenciado. Em agosto, visitou Hong Kong para reportar sob os protestos pró-democracia e acabou por ser obrigado a regressar a Pequim pelas autoridades, onde foi depois chamado por diferentes departamentos do Governo para ser interrogado.

As suas contas nas redes sociais foram bloqueadas. Os seus 740 mil seguidores no Weibo, uma espécie de Twitter chinês, e os seus vídeos foram perdidos. No entanto, em outubro, o jornalista voltou através do YouTube, onde conta agora com 433 mil subscritores. O seu perfil no Twitter tem 246 mil seguidores.

O desaparecimento do jornalista intensificou o debate sobre a repressão e a censura no país. A população está cada vez mais revoltada, sobretudo depois da morte do médico Li Wenliang, que alertou para o coronavírus e que foi acusado pela polícia de “espalhar rumores”.

Surto já custou mais de 130 mil milhões à China

As receitas dos restaurantes e retalhistas, que no ano passado se fixaram em mais de um bilião de yuan (131 mil milhões de euros) durante os dias de férias, caíram este ano para metade, estimou num relatório Ren Zeping, economista-chefe e diretor da unidade de investigação Thinkgroup Evergrande.

A maior cadeia de fondue da China, o Haidilao International Holding, ou as multinacionais McDonald’s e Starbucks, encerraram parte ou a totalidade dos seus estabelecimentos, durante o período do Ano Novo Lunar, que este ano teve início a 24 de janeiro.

No final de junho, o Haidilao operava 550 restaurantes, em 116 cidades da China continental. O Jiumaojiu Group, outro operador de restaurantes listado na bolsa de Hong Kong, encerrou mais de 300 restaurantes.

Associações de restauradores de Cantão, a capital da província de Guangdong, que faz fronteira com Macau, apelaram já aos senhorios que abdicassem ou reduzissem o valor das rendas durante os próximos dois meses.

O grupo chinês Wanda Group, proprietário de mais de 300 centros comerciais em todo o país, renunciou a quase quatro mil milhões de yuan (523 milhões de euros) em rendas mensais para apoiar os comerciantes.

O turismo e redes de cinema estão a sofrer ainda mais, depois de as agências de viagens terem sido forçadas a suspender todas as viagens organizadas e os principais pontos turísticos do país encerrados.

As estreias de oito filmes, previstas para a semana do Ano Novo Chinês, o período de maior receita para o setor, foram também adiadas.

No ano passado, as cadeias de cinemas chinesas faturaram 5,9 mil milhões de yuan (772 milhões de euros), durante a semana do ano novo, representando 10% do total das receitas em 2019, e as receitas do turismo fixaram-se em 513,9 mil milhões de yuan (67 mil milhões de euros), durante os sete dias de férias.

As receitas dos setores turismo, cinema, restaurantes e retalho representaram quase 7% do Produto Interno Bruto chinês, no primeiro trimestre de 2019.

Em comparação com 2003, quando o surto da pneumonia atípica paralisou a China, abatendo dois pontos percentuais no crescimento trimestral do PIB, a proporção do consumo doméstico na economia chinesa é hoje muito maior, o que significa que a epidemia deverá ter um impacto superior, segundo Zeping.

No melhor cenário, que supõe que a epidemia possa ser contida em abril, o crescimento do PIB da China deverá desacelerar para 5,4%, este ano, depois de ter crescido 6,1%, em 2019, estimou o economista. No pior cenário, supondo que a epidemia se prolonga, Zeping estimou que o crescimento de 2020 poderá desacelerar para 5%.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. À Edição do ZAP: convém rever as datas, p.f.
    “o período do Ano Novo Lunar, que este ano calhou entre 24 de janeiro e 30 de fevereiro.”

  2. Ò XR, será 30 de Fevereiro. Março ou Abril? È que o mês de Fevereiro neste ano e porque é bissexto, só tem 29 dias. Nos outros anos, tem apenas 28! Espero que o ZAP, não siga o teu conselho à risca…

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