No Japão, hospitais “desertos” estão a rejeitar pacientes com coronavírus

Dai Kurokawa / EPA

Embora estejam quase desertos, vários hospitais japoneses estão a recusar pacientes com o novo coronavírus. A pandemia revelou sérios problemas estruturais no país.

A pandemia do novo coronavírus revelou sérios problemas estruturais no serviço nacional de saúde japonês. Embora numa primeira fase o Japão tenha conseguido controlar o surto, o número de casos confirmados explodiu no início de abril.

No início, o governo do Japão foi agressivo na identificação de clusters e na contenção da propagação, mas o país não teve a mesma reação em relação aos testes – sem testes não são detetados novos casos, o que significa que os números se mantêm baixos. O país conta, até esta quinta-feira, com 15.253 casos positivos e 556 mortes.

Apesar do surto continuar relativamente sob controlo, há um problema que vem à tona nesta pandemia. O OZY escreve que, no Japão, há hospitais vazios a rejeitar pacientes com covid-19 e conta a história de um caso específico que ilustra esta realidade.

O médico Fumiue Harada recebeu um paciente de 81 anos com sintomas de desidratação e decidiu enviá-lo para um hospital local. A tomografia feita revelou um alto risco do paciente ter o novo coronavírus. Perante tal situação, começou a corrida para encontrar um hospital especializado disposto a receber o idoso.

“Demorou sete horas, mas finalmente encontrei um hospital que o receberia a 40 quilómetros”, contou Harada, que administra uma clínica de cuidados primários no leste de Tóquio.

Embora o Japão tenha um número relativamente baixo de casos, vários pacientes com coronavírus têm sido recusados em dezenas de hospitais. Aliás, o Japão tem mais camas de hospital por pessoa do que qualquer outro país no mundo. Mas então qual é o problema e por que é que os hospitais não recebem estes pacientes?

Os problemas japoneses devem-se principalmente a uma elevada inflexibilidade burocrática e uma infinidade de pequenos hospitais.

“Temos muitas camas, mas um número limitado é equipado para cuidados intensivos”, explicou Shigeru Omi, um dos médicos que está na linha da frente na luta contra à covid-19, em declarações ao Financial Times. O Japão tem apenas 6 mil camas preparadas para cuidados intensivos.

Os cuidados de saúde no Japão são financiados por um seguro público universal, mas são prestados em grande parte pelo setor privado. Há também muitos hospitais de pequenas dimensões, que não têm os recursos necessários para tratar pacientes com coronavírus. Ao aceitar infetados, podem estar a pôr todos os outros pacientes em risco.

Como tal, há muitos hospitais a recusar pacientes de covid-19. “Do ponto de vista deles, se eles aceitarem pacientes com coronavírus, correm o risco de que haja infeções dentro do hospital”, explica Motohiro Sato, economista de saúde da Universidade Hitotsubashi, em Tóquio.

“Pode haver um risco de o hospital entrar em colapso, por isso é preciso uma certa coragem para cooperar no atendimento aos pacientes com coronavírus”, diz, por sua vez, Mitsuyoshi Urashima, professor de epidemiologia molecular na Faculdade de Medicina da Universidade Jikei.

O dono de uma das maiores cadeias hospitalares japonesas salienta que muitas das camas nos hospitais estão vazias porque as pessoas estão a adiar o tratamento não essencial durante a pandemia.

Hiroki Ohashi, outro dos médicos ouvidos, realça que o pico já deverá ter acontecido há uma ou duas semanas. O especialista diz que a situação na capital japonesa está a melhorar, mas a ferida deixada pela pandemia está bem aberta.

ZAP //

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