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Já se sabe de onde veio o cometa interestelar que chegou ao Sistema Solar

Gemini Observatory

Uma equipa de cientistas acredita ter descoberto a origem do primeiro cometa proveniente do exterior do Sistema Solar, chamado inicialmente C/2019 Q4 e rebatizado como 2I/Borisov.

O astrónomo amador Guennadi Borísov, residente na Crimeia, detetou o cometa em 30 de agosto usando um telescópio de 0,65 metros de diâmetro fabricado por ele próprio. Este cometa é o segundo objeto interestelar descoberto na história, depois do asteróide conhecido como Oumuamua, que foi avistado em 2017.

Num novo estudo, disponível no arXiv, uma equipa de investigadores polacos tentou rastrear a trajetória do cometa, o que os levou a um sistema binário de estrelas anãs vermelhas localizado a 13,15 anos-luz de distância do Sol. O sistema, onde ainda não foram encontrados exoplanetas, é conhecido como Kruger 60 e localiza-se na constelação de Cepheus.

Espera-se que o 2I/Borisov se aproxime do nosso planeta em 10 de dezembro, a uma distância de cerca de 1,8 unidades astronómicas. O cometa permanecerá dentro do Sistema Solar durante cerca de seis meses. De acordo com uma simulação da trajetória esperada do cometa, o objeto celeste passaria entre as órbitas de Júpiter e Marte.

Ao LiveScience, Ye Quanzhi, astrónomo da Universidade de Maryland (EUA), disse que as evidências de que o cometa se originou no Kruger 60 são bastante convincentes. Segundo o cientista, a observação de objetos interestelares dá uma oportunidade rara aos investigadores de estudar sistemas distantes.

Se estes resultados se confirmarem, o cometa Borisov tornar-se-ia o primeiro objeto interestelar sobre o qual se traçou a origem. Os autores do artigo apontam que os seus resultados não podem ser considerados como conclusivos, uma vez que o processo de recolha de dados adicionais na rota do 2I/Borisov pelo Espaço ainda continua.

O Oumuamua, por outro lado, parece ter vindo da direção da estrela brilhante Vega, mas, de acordo com o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, os cientistas não acreditam que esse é o local de onde o objeto veio originalmente, sugerindo que provavelmente veio de um recém-formado sistema estelar.

A importância do primeiro Oumuamua reside no facto de ser o primeiro asteróide detetado que não vem do Sistema Solar. A natureza do “Mensageiro das Estrelas” está rodeado de mistérios desde o dia em que foi descoberto por astrónomos da Universidade do Hawai, em outubro de 2017.

Depois de constatar mudanças na velocidade do seu movimento, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian sugeriu que o asteróide poderia ser uma “sonda” enviada à Terra intencionalmente por uma “civilização alienígena”.

No último ano, o mundo da astronomia debruçou-se no estudo do corpo celeste e as mais várias teorias já foram apresentadas em artigos científicos: desde o seu passado violento, passando pela possibilidade de ser um sistema binário, e até o provável local de onde veio o Oumuamua.

Investigadores também sugeriram que milhares de objetos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar.

  ZAP //

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