O misterioso Oumuamua pode não estar sozinho

ESA / M. Kornmesser / European Southern Observatory

Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: `Oumuamua.

O Oumuamua pode não estar sozinho. Milhares de objetos semelhantes ao “Mensageiro das Estrelas”, tal como ficou celebrizado o primeiro asteróide interestelar, podem estar presos no Sistema Solar, aponta uma investigação.

De acordo com um novo estudo, recentemente disponibilizado para pré-visualização no arXiv.org, milhares de objetos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar, sendo que centenas das suas órbitas podem ser identificadas e quatro destes objetos já terão mesmo sido observados.

A publicação que agora aguarda revisão da revista da Monthly Notices of the Royal Astronomical Society foi liderada pelo investigador Amir Siraj, um estudante de Astronomia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e pelo professor da mesma instituição, Abraham Loeb, que sugeriu recentemente numa outra investigação que o Oumuamua poder ser um objeto artificial, nota a Europa Press.

Siraj e Loeb decidiram explorar as propriedades orbitais de possíveis objetos interestelares capturados no Sistema Solar de forma a identificar quantos objetos seriam semelhantes ao Oumuamua. 

Neste sentido, realizaram simulações dinâmicas de objetos semelhantes a asteróides para ver como é que estes seriam quando capturados pelo sistema Júpiter-Sol. Os cientistas recorreram a condições aleatórias para determinar as órbitas que estes objetos teriam. Posteriormente, compararam os resultados destas simulações com os dados do telescópio Pan STARRS – o telescópio localizado no Havai que descobriu o “Mensageiro das Estrelas” a 19 de outubro de 2017.

Estas comparações produziram aproximadamente um destes objetos – que se acredita ter cerca de 100 metros de comprimento, tal como o Oumuamua – pelo volume definido pelo movimento da Terra em torno do Sol.

No total, cada sistema planetário precisa de expulsar 10.000 mil milhões de objetos deste tipo durante a sua vida útil, nota a publicação. Destes objetos, uma pequena fração fica aprisionada no Sistema Solar, porque os objetos passam perto de Júpiter, perdendo energia através da sua interação gravitacional com o planeta.

O sistema Sol-Júpiter atua como uma rede de pesca que abriga alguns milhares de objetos capturados a qualquer momento, explicou Loeb em declarações à Forbes. Os objetos acabam por ser expulsos do sistema, contudo novos são capturados e, por esse mesmo motivo, mantém-se uma população estável.

Sinteticamente, os cientistas descobriram, através de simulações computorizadas, que o nosso Sistema Solar pode estar repleto de milhares de objetos semelhantes ao misterioso Oumuamua e que centenas podem ser identificados a partir das suas órbitas. Os especialistas de Harvard identificaram ainda quatro potenciais objetos interestelares.

De acordo com os cientistas, o fenómeno pode ser mais comum do que se pensava até então.Os cientistas estimam ainda que o telescópio LSST – que está atualmente em construção, devendo ficar operacional em início de 2022, será capaz de descobrir dezenas destes objetos “aprisionados”.

Os quatro potenciais candidatos

Siraj e Loeb identificaram ainda quatro candidatos específicos para os objetos presos descritos no seu estudo. De acordo com os especialistas, estes objetos podem ter sido descobertos em pesquisas anteriores. Os objetos são designados como 2011 SP25, 2017 RR2, 2017 SV13 e 2018 TL6, localizados de 8,26 a 23,65 unidades astronómicas em relação ao Sol, tendo uma órbita com período entre 23,76 a 115 anos.

“Como estes objetos estão presos, podemos ‘voar’ através deles, tirar uma fotografia ou pousar na sua superfície”, disse Loeb em declarações ao Universe Today. Desta forma, conseguiremos “conhecer a sua estrutura, composição e origens, além de permitir inferir melhor as condições existentes nos seus viveiros fora do Sistema Solar e, finalmente, permitir-nos identificar objetos de origem artificial”.

Estudar estes objetos implicaria avanços extraordinários para a Ciência. Assumindo que estes objetos se originaram naturalmente, o seu estudo irá revelar dados sobre as condições de outros sistemas planetários, o que poderia evitar a constante necessidade de enviar sondas interestelares para explorá-los.

Por outro lado, tal como Loeb apontou, se de facto estes objetos são objetos artificias, como, por exemplo, restos de sondas alienígenas – como foi sugerido para o Oumuamua -, as implicações seriam muito maiores.

“Isto será revolucionário, pois mostrará que não estamos sozinhos e lançará luz sobre as tecnologias avançadas além das que já possuímos. [Esta descoberta] tem o potencial de poder ser o resultado mais importante para a Ciência e a Tecnologia dos próximos séculos”, rematou o cientistas.

ZAP // Europa Press

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2 COMENTÁRIOS

  1. A dias era o primeiro avistado… Agora parece que são vulgares porque alguém assim decidiu. Estes estudos já parecem o dos nutricionistas que em 30 dias um alimento passa de vulgar a super e por fim faz mal a saúde. Arranjem provas primeiro depois publiquem e deixem de inventar.

  2. Mais uns milhões para estudar calhaus e criancinhas a morrer à fome. Estamos na solitária do universo. Já dizia o outro que fazer sempre a mesma coisa à espera de resultados diferentes não é inteligente.

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