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Instituto Ricardo Jorge investiga vários casos de reinfeção

Paulo Novais / Lusa

O Instituto Ricardo Jorge está a investigar vários casos de doentes com covid-19 que ficaram negativos e, meses depois, voltaram a ter sintomas da doença.

Esta semana, foi registado o primeiro caso oficial de reinfeção de covid-19 em Portugal. Tratava-se de uma mulher, residente na Grande Lisboa, que esteve infetada com o novo coronavírus em julho e voltou, em outubro, a manifestar sintomas da doença.

Porém, de acordo com o semanário Expresso, o Instituto Ricardo Jorge está a receber dezenas de pedidos para investigar possíveis casos de reinfeção.

“Acontece variadíssimas vezes recebermos pedidos de médicos para analisarmos doentes com covid que três, quatro ou cinco meses depois de terem tido um ou mais testes negativos voltam a ter sintomas e um resultado positivo”, disse João Paulo Gomes, investigador do Instituto Ricardo Jorge (INSA).

Quanto ao caso da mulher lisboeta, os investigadores admitem duas possibilidades: a reinfeção ou a reativação do vírus no organismo.

“A amostra para o primeiro PCR ficou congelada, mas deve ser insuficiente para sequenciar o genoma e compará-lo com o vírus da segunda amostra, pelo que não deverá ser possível determinar se ocorreu uma mutação no vírus que permitiu uma reinfeção”, explicou. “A alternativa é analisar parâmetros imunitários da doente para perceber se ocorreu uma alteração que tenha levado à ausência ou a perda de imunidade após a infeção inicial”.

Os casos de reinfeção são raros, havendo mesmo de 10 cientificamente demonstrados em todo o mundo. Os cientistas acreditam que a reativação do vírus no organismo é a explicação mais plausível. A reativação traduz que o vírus nunca chegou a sair do organismo.

“Escondeu-se, permanecendo com uma carga viral não detetável pelo PCR, após a primeira infeção, e o teste dá negativo. Depois, por alguma debilidade no sistema imunitário, volta a replicar-se, e os sintomas reaparecem, assim como o teste positivo”, explicou.

Até agora, a equipa não confirmou qualquer caso de reinfeção, uma vez que não tem sido possível sequenciar a totalidade do genoma das amostras devido à reduzida carga viral detetada.

  ZAP //

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