Houve mortes por atraso no socorro em Pedrógão

Paulo Nobre / Lusa

Algumas das pessoas que acabaram por morrer devido ao incêndio de junho, em Pedrógão Grande, teriam sobrevivido se não tivesse havido atraso dos meios de socorro, revelou esta quinta-feira o investigador Xavier Viegas.

Nalguns dos casos de pessoas que perderam a vida naquele fogo, no dia 17 de junho, houve “demora no socorro e no tratamento médico”, reiterou Domingos Xavier Viegas, líder da equipa da Universidade de Coimbra (UC) que elaborou um relatório sobre a tragédia, encomendado pelo Governo.

“Creio que algumas das vítimas que acabaram por falecer talvez tivessem sobrevivido” se os meios de socorro tivessem chegado aos locais mais rapidamente, disse.

Xavier Viegas falava no auditório do Polo II da UC, durante o seminário subordinado ao tema “As lições de Pedrógão Grande”, em que participaram centenas de investigadores, autarcas, bombeiros e dirigentes da Proteção Civil, além de outros especialistas e profissionais.

O catedrático, diretor do Centro de Estudos de Incêndios Florestais, salientou que os tratamentos médicos a queimados evoluíram significativamente nas últimas décadas.

A medicina tem registado “avanços neste tipo de problemas”, o que, quando se verifica um socorro rápido das vítimas, estas têm mais possibilidades de sobreviver, defendeu.

Xavier Viegas proferiu estas afirmações enquanto relatava e comentava diversas situações de pessoas com quem falou na fase de preparação do relatório que entregou ao Governo, designadamente habitantes de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria.

Um dos entrevistados citados na apresentação foi o adjunto de comando dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Sérgio Lourenço, que sobreviveu após ter percorrido diversas povoações serranas, tendo conseguido salvar alguns moradores em perigo.

Estes relatos dizem o que aquelas pessoas viveram e sentiram naquelas horas“, tendo “muitas delas” chegado a arriscar a própria vida para prestar auxílio a outras, afirmou. O incêndio provocou, de acordo com a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos.

Em novembro, o especialista em incêndios florestais da Universidade de Coimbra, que coordenou a equipa que produziu a pedido do Governo o relatório sobre o incêndio de Pedrógão, deu ao Executivo um mês para revelar um capítulo de 70 páginas que foi mantido em segredo.

Segundo o perito, que coordena o Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, nestas 70 páginas são apontadas falhas “arrepiantes” no socorro às vítimas.

No fim do mês, o investigador, que preparou uma nova versão deste capítulo de forma a omitir os nomes das pessoas envolvidas, e “tornando o texto impessoal e de difícil leitura mas ainda assim compreensível”, acusou a Comissão Nacional de Protecção de Dados de censura por ter vetado a publicação integral do capítulo 6 do Relatório.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Governo chega a acordo com Madrid para alargar restrições a toda a comunidade

O Governo espanhol anunciou, esta quarta-feira, um acordo que estende medidas para combater a covid-19, já em vigor em partes da Comunidade Autónoma de Madrid, a toda a capital e várias localidades da periferia onde …

Ciclista suspenso por defender Trump

Quinn Simmons respondeu no Twitter a uma jornalista e a sua equipa suspendeu o atleta. Um "adeus" e uma mão negra na origem da polémica. Quinn Simmons foi campeão do mundo de ciclismo no ano passado, …

Bolsonaro considera "lamentável" discurso de Biden que apela ao país que pare de destruir a Amazónia

Jair Bolsonaro classificou como “lamentável” o comentário de Joe Biden durante  o debate presidencial que ocorreu na madrugada de terça-feira. O candidato democrata mostrou-se preocupado com o facto das florestas tropicais no Brasil estarem a …

Ex-responsável militar acusado de fazer compras pessoais e cobrar ao Exército

Um antigo responsável militar mandou cobrar ao Exército compras pessoais no valor de 7.600 euros, feitas ao longo de seis meses. Um antigo responsável militar no Porto mandou cobrar ao Exército compras pessoais no valor de …

American Airlines e United Airlines preparam-se para despedir 32.000 funcionários

As companhias aéreas norte-americanas American Airlines e United Airlines preparam-se para despedir, no total, 32.000 funcionários, situação que admitem travar se os apoios do Governo forem prorrogados.  A American Airlines anunciou que começará a despedir 19.000 …

Lei da Nacionalidade. PS deixa cair artigos que motivaram veto de Marcelo

A vice-presidente da bancada socialista Constança Urbano de Sousa disse à agência Lusa que o PS vai "atender plenamente" às objeções que estiveram na origem do veto do Presidente da República à revisão da Lei …

Promulgada lei que prolonga proteção de arrendatários até 31 de dezembro

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou esta quinta-feira o diploma do Parlamento que prolonga a proteção de arrendatários até 31 de dezembro, por considerar que neste período "é necessária uma especial proteção …

Nuno Melo lança petição para retirar “o que é político” da disciplina de Cidadania

O eurodeputado centrista Nuno Melo lançou uma petição pública que pede a revisão dos conteúdos da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento ou o seu caráter opcional, numa tentativa de “expurgar” da disciplina “o que é …

Governo "não se pode queixar de falta de empenho da direita"

O presidente do CDS-PP considerou, esta quarta-feira, que o Governo “não se pode queixar de falta de empenho da direita” na construção do Orçamento do Estado, e recusou “especular uma crise artificial” entre os partidos …

Mais seis mortos e 854 casos de covid-19. Lisboa com 49% das novas infeções

Portugal contabiliza esta quinta-feira mais seis mortos relacionados com a covid-19 e 854 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). Desde o início da pandemia, Portugal …