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Governo pediu à EDP para transformar carvão de Sines em hidrogénio. Mexia recusou

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Miguel A. Lopes / Lusa

O Governo pediu à EDP para trocar o carvão da central de Sines, que ainda lá é queimado, por hidrogénio verde, o novo foco do Governo socialista em matéria de combustíveis descarbonizados e gases renováveis. Para já, António Mexia descarta a hipótese.

O pedido foi avançado ao Capital Verde, do jornal ECO, pelo secretário de Estado da Energia, João Galamba, e confirmado pelo responsável pela tutela, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes.

Em resposta ao pedido do Governo, António Mexia descartou a possível reconversão da história central a carvão para trabalhar a hidrogénio. “A central, em si, não. A central a carvão tem uma escala e uma configuração muito diferente do que é o projeto de hidrogénio, que inclui centrais de eletrólise mais pequenas”, disse o CEO da EDP, em declarações ao Capital Verde.

Por outro lado, Matos Fernandes explicou que o consórcio industrial de larga escala para produzir hidrogénio em Sines “inclui um grande consumidor, a refinaria [da Galp], um grande produtor, a EDP, e um porto muito vocacionado para o transporte e exportação destes produtos”.

“O papel exato e concreto que as paredes daquela central a carvão vão desempenhar no futuro está a ser discutido no contexto do projeto que estamos a montar e sobre o qual haverá novidades em abril”, disse o ministro, remetendo mais pormenores para o proprietário. “O Estado é o dono dos terrenos, mas não é o dono da central”, referiu.

Ainda assim, Mexia confirmou que a EDP está “particularmente interessada” na produção de hidrogénio em território nacional, mas deixou em aberto o futuro da termoelétrica.

“Maior projeto industrial desde o 25 de abril”

Foi João Galamba, secretário de Estado da Energia, que revelou ao Capital Verde o pedido à empresa. Para já, o responsável prefere “não falar ainda do nome das empresas interessadas” no projeto Flamingo Verde, como foi batizada a nova “fábrica de hidrogénio” que vai nascer em Sines.

Em declarações ao Capital Verde, Galamba disse que este é “um grande projeto industrial com um horizonte de desenvolvimento até 2030 e além dessa data. É o maior projeto industrial em Portugal desde o 25 de abril”. Segundo o responsável, a sua construção nunca começará antes de 2021.

Já antes Galamba tinha mostrado vontade de “reciclar” as centrais a carvão do Pego e de Sines: uma central solar de 1 Gigawatt, que equivale à energia consumida por um milhão de casas, como suporte para uma “fábrica” de electrólise da água avaliada em 600 milhões de euros. Na altura, foi noticiado que, se trabalhasse oito mil horas por ano e usasse 1,5 metros cúbicos de água, a unidade de Sines, poderia produzir 160 milhões de quilos de hidrogénio.

Na tomada de posse para o segundo mandato, o primeiro-ministro António Costa disse que se queria ver livre do carvão e encerrar a central de Sines em 2023, mas a EDP não descarta antecipar a data.

Sobre uma eventual compensação financeira à empresa pelo fecho antecipado da central a carvão, que o Governo já garantiu que não pagará, Mexia afirmou que “o setor da energia não pode ser o único negócio do mundo onde as pessoas são obrigadas a operar e a perder dinheiro”.

  ZAP //

9 Comments

  1. O maior problema do Hidrogénio é a segurança!
    Projetos em larga escala necessitam de muito cuidado com a segurança. Há imensa preocupação de quem trabalha em segurança industrial com estas ideias de panaceias sem pensarem na segurança!

    • O maior problema do Hidrogénio nem é a segurança, apesar de esse ser um problema muito sério. É devolver sempre menos energia que a aplicada na produção dele. É um processo de perdas, que andam à volta dos 30% O que significa que produzir hidrogénio a partir de electricidade de uma central a carvão ou a gás, pra depois o converter novamente em electricidade, são logo 30% dos KWh que vão à vida. Nos carros, teria a vantagem de uma autonomia maior que as baterias e do tempo de carregamento. Em contrapartida, é muito menos eficiente e os carros são caríssimos de produzir.

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