Ex-governador do Rio de Janeiro revela subornos a ex-procurador-geral de Justiça

O ex-governador do estado brasileiro do Rio de Janeiro Sérgio Cabral afirmou que pagou subornos ao ex-procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes, envolvendo o Ministério Público daquela região na Operação Lava Jato.

Sérgio Cabral prestou o depoimento no dia 25 de março, no Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, onde está preso, afirmando que pagou 200 mil reais (cerca de 45 mil euros) a Cláudio Lopes, para o ajudar na campanha para o comando do ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) em 2009.

Cabral relatou ainda o pagamento mensal de 150 mil reais (cerca de 34 mil euros) ao ex-procurador-geral, após este ter assumido a chefia do MPRJ, com o intuito de se livrar de investigações.

Lopes comandou o Ministério Público do Rio entre 2009 e 2012, chegou a ser preso, em 8 de novembro, considerado culpado de receber cerca de sete milhões de reais (1,6 milhões de euros) em subornos para proteger uma organização criminosa liderada por Cabral. Um mês depois, o Tribunal de Superior Justiça (STJ) concedeu-lhe um habeas corpus e foi libertado.

O ex-governador do Rio de Janeiro, já condenado nove vezes, com penas que somam 198 anos de cadeia, declarou que no primeiro semestre de 2008, foi procurado por Cláudio Lopes, no Palácio Guanabara, tendo este alegadamente lhe pedido ajuda na eleição para o cargo de procurador-geral no ano seguinte.

“Ele disse: Olha, tenho muitos jantares, de muitos gastos e eu não tenho esses recursos. Eu tenho um grupo de amigos que me ajuda, mas isso não vai ser suficiente. Eu preciso que você… Eu precisaria de uma ajuda”, referiu Cabral no depoimento a que o GloboNews teve acesso.

“Eu disse que o pedia ajudar e ele falou que seria ótimo. Eu perguntei o que é que ele achava de 200 mil [reais], e ele falou que estava excelente”, relatou o ex-governador. O antigo político contou ainda que, mesmo depois de eleito procurador-geral de Justiça, Lopes continuou a pedir mais dinheiro porque precisava de fazer um “pé-de-meia”.

“Passou o carnaval e aí, em março, ele procurou-me outra vez e disse: Olha, é dura essa situação, eu tenho muitas preocupações com o meu futuro, a minha família, os meus filhos, a minha mulher. Eu ganho bem como procurador, mas, enfim, preciso de fazer um pé-de-meia’. Estava nítido para mim que era um pedido de apoio financeiro, e eu perguntei se ele queria um apoio mensal e ele disse que isso seria muito bom”, descreveu, acrescentando que decidiu ceder 150 mil reais mensalmente.

Sérgio Cabral disse ainda no seu depoimento que nomeou dois desembargadores ligados a outro ex-procurador do Rio de Janeiro, Marfan Vieira, em troca do arquivamento da investigação no episódio que ficou conhecido como a “farra dos guardanapos”. Na ocasião, secretários de Cabral e empresários foram fotografados com guardanapos na cabeça durante um jantar em Paris, em 2009.

Em comunicado, segundo o portal de notícias G1, Marfan declarou que as “imputações formuladas pelo ex-governador não coincidem com a cronologia dos factos narrados e não merecem qualquer credibilidade.

Lava Jato é a designação dada à vasta operação que investigou desvios milionários que ocorreram durante quase uma década na empresa estatal Petrobras e que levou à prisão de empresários e políticos, entre eles o ex-Presidente brasileiro Luíz Inácio Lula da Silva (2003-2011).

// Lusa

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