Furto de Tancos pode ter sido manobra para justificar armas em falta

Paulo Novais / Lusa

Militares à entrada dos Paióis Nacionais do Polígono Militar de Tancos

Militares à entrada dos Paióis Nacionais do Polígono Militar de Tancos

O furto de armas e munições em Tancos poderá ter sido aproveitado para esconder a falta de outro material de guerra, cujas entradas e saídas deveriam ter sido registadas.

Está sob investigação, no âmbito dos inquéritos que decorrem relativos ao furto de armas em Tancos, a possibilidade de o assalto aos Paióis ter sido utilizado como manobra de “diversão” para esconder a falta de material, avança o Jornal de Notícias.

A ligação entre a falta de registo do armamento e o desaparecimento de material é uma pista que está a ser verificada, com particular destaque para o que diz respeito às averiguações de natureza disciplinar.

A questão tinha já sido avançada pelo militar português na reserva Vasco Lourenço, em análise feita na SIC Notícias, a propósito do furto: “Quem furtou o material ao longo do tempo provoca um assalto para justificar que o material não está lá. Outra, que também acontece muitas vezes: o material é usado em instrução e não é justificado”.

O capitão de Abril disse, na altura, que “tudo neste acontecimento continua a ser muito mal contado”, deixando no ar a ideia de que o assalto poderá ter sido inventado.

“Eu suspeito que isto é encenado”, disse Vasco Lourenço, acrescentando: “Não houve assalto. Continua a falar-se em assalto, mas se tivesse havido um assalto as rondas faziam a diferença. É preciso averiguar bem porque estiveram 20 horas sem fazer ronda, naturalmente para justificar a denúncia da falta de material. Na minha opinião, o material já não estava lá no dia em que foi denunciado”.

O presidente da Associação 25 de Abril avançou ainda com outro cenário: “Outra hipótese, quem quis promover um facto político para juntar à tragédia dos incêndios e fazer um ataque cerrado a este Governo“, alimentando que o furto poderá ter sido manobra da oposição.

Fontes militares referiram que é frequente não ser registada a totalidade do material gasto na instrução, aquando do regresso ao paiol. O que conduz a falhas, sem qualquer justificação, nos registos.

Ainda segundo o Jornal de Notícias, estaria a ser preparado para breve um levantamento do material em depósito, que deveria revelar as várias falhas no registo do paiol, justificando-se assim o ‘timing’ do assalto.

As hipóteses inicialmente especuladas por Vasco Lourenço encontram-se então agora sob investigação.

ZAP ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Será que já alguem se questionou, para que querem os terroristas ou outros granadas ofensivas que apenas fazem uma especie de sopro ? Uma rede profissional sabe ao que vai e nao comete enganos deste tipo.

  2. Incompetência!
    Não há controlo das armas existentes nos paióis? Porquê?
    Digam que tipo de armas desapareceram e a sua quantidade. Não procurem desvalorizar a situação.
    Não foi esta a “tropa” que eu servi no serviço militar obrigatório.

  3. Isto mais parece um bando de malfeitores que umas F Armadas. (Colégio Militar, Submarinos, mortes dos instruendos, Messes da F Aérea). Fora tudo o resto que se desconhece. Enfim…

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