Portugal entrou “numa fase de aumento exponencial”. DGS equaciona recurso a privados

José Sena Goulão / Lusa

Este sábado, em conferência de imprensa, Marta Temido disse que Portugal entrou numa “fase de crescimento exponencial” da epidemia.

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse este sábado, em conferência de imprensa, que Portugal entrou “numa fase de crescimento exponencial da epidemia”, depois de confirmar os 169 casos de infeção. Este crescimento acontece “de forma alinhada com outros países”.

“Esperamos que possamos ter reflexo das medidas que estamos a implementar de restrição do contacto social. Para isso é preciso que todos colaborem”, apelou a governante. “O isolamento social é uma prática para ser levada a sério.”

Temido anunciou ainda estar a trabalhar no redesenho dos fluxos de tratamento: os casos mais ligeiros serão tratados em casa e as pessoas que apresentem sintomas graves serão acompanhadas nos estabelecimentos de saúde.

A partir da próxima semana, anunciou ainda, todos os hospitais vão ter de receber doentes infetados com o novo coronavírus. Além dos hospitais de referência e de segunda linha, “vamos passar para uma fase em que todos os hospitais têm de receber doentes”. “Esperamos no início da próxima semana tê-los ativos no terreno.”

Nos hospitais, só os casos mais urgentes serão atendidos e as consultas de acompanhamento de rotina serão adiadas. “Precisamos de que as estruturas concentrem as respostas no atendimento à Covid-19. Vamos ter de garantir um esforço durante algum tempo”, justificou Temido.

Serão ainda criados centros específicos para fazer testes ao coronavírus e as receitas para os doentes crónicos serão alargadas para as pessoas não precisarem de ir tantas vezes ao médico.

Já as farmácias portuguesas passam a atender ao postigo na próxima semana, de forma a evitar contágios. O modelo será aplicado a partir da meia-noite.

“Sabemos que estamos numa curva ascendente, não sabemos quando vai descer, mas depende do comportamento de cada um de nós”, reforçou a ministra da Saúde, num apelo à população. “Antecipamos que as próximas semanas sejam duras.”

Segundo o boletim epidemiológico, divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), há 169 casos confirmados, 1704 suspeitos e 126 aguardam resultado laboratorial. O número de cadeias de transmissão ativas mantém-se nas 11, sendo que nesta altura existem 5011 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Apenas 114 pessoas estão internadas em unidades hospitalares, sendo que 10 delas se encontram em unidades de cuidados intensivos.

DGS “equaciona” recurso a privados

Na mesma conferência de imprensa, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, garantiu que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “não está a privilegiar doentes com Covid-19 em relação aos outros”. “O que define o acesso aos cuidados é a gravidade do estado do doente, com Covid-19 ou não.”

Questionada sobre o eventual recurso a profissionais de saúde do privado, Graças Freitas disse que “está a ser equacionado“.

“Estamos a receber pessoas que se estão a voluntariar para vir a participar e estamos a estabelecer os nossos próprios critérios de necessidade”, afirmou a diretora da DGS. “Podem ser úteis em diversos níveis: assistenciais, se chegarmos a esse ponto, de atendimento telefónico de apoio em convalescença.”

Em relação aos equipamentos, o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, garantiu que há dois milhões de máscaras de reserva e que há ventiladores disponíveis. Além disso, adiantou que estãi ainda a ser feitas novas aquisições destes materiais de acordo com as prioridades do Ministério da Saúde.

“O recurso aos avós não é uma boa solução”

Graça Feitas deixou, por último, um apelo: o recurso aos avós para ficar com as crianças não é uma boa alternativa nesta altura. “Pais que têm crianças pequenas, desta vez o recurso aos avós não é uma boa solução porque podem ficar contagiados através destes contactos com os seus netos e familiares.”

A diretora da DGS pediu aos jovens que, sempre que saírem, pensem que ao voltarem para casa podem contagiar as pessoas mais velhas da família.

Os idosos são a população mais vulnerável. Queremos que as famílias tenham contenção nas visitas ao lares. Quanto menos contacto houver do exterior para o interior será melhor nesta fase que é difícil e transitória.”

“Não estamos a impor isolamento obrigatório, mas há o mínimo de consideração. Porque se um jovem adoecer pode provocar a morte ao seu tio-avô, tia-avó, avó, ou avô”, alertou.

Liliana Malainho LM, ZAP //

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