Faltou-lhe “jogo de cintura”? Rio admite que podia ter feito ajustes táticos, mas já não vai “montar nenhuma carreira”

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O presidente do PSD, Rui Rio

O ainda presidente do PSD, Rui Rio, que esta sexta-feira à noite se despede da liderança do partido, considerou que poderia ter tido “mais jogo de cintura” e feito alguns “ajustes táticos”, mas sem mudar de estratégia. De qualquer forma, “já não vou montar nenhuma carreira”, afirmou, em entrevista ao Público.

“Angústia? Nenhuma! Nenhuma! Foram quase cinco anos de uma vivência muito intensa com coisas positivas e coisas negativas”, disse sobre a saída da liderança do partido, no qual se manterá como deputado até ao debate sobre o Estado da Nação, a 20 de julho. Na Assembleia da República, ficará até ao início de setembro.

Sobre o futuro, chegou a “nenhuma conclusão”, sublinhando: “o dia 04 de julho não é o primeiro dia do resto da minha vida, porque a minha vida já tem um percurso enorme e o que falta em termos profissionais já não é muito. Já não vou montar nenhuma carreira – a minha carreira está feita”.

Relativamente ao momento que escolheu para sair, preferiu “uma transição atabalhoada” a uma “transição serena e civilizada”, não vendo “interesse nenhum no facto” de Luís Montenegro “entrar como presidente do PSD no dia 03 de julho e eu pôr-me a mexer no dia 04″.

Quanto às várias eleições que teve enquanto líder do PSD, bateu “o recorde”. “Só atos eleitorais neste espaço de tempo foram 11”, entre regionais na Madeira e nos Açores, presidenciais, europeias, autárquicas, duas legislativas e quatro diretas. “Isto somado com a gestão do dia-a-dia, é óbvio que é de uma grande intensidade”, disse.

“Na Câmara do Porto sabia com quatro anos de antecedência que ia embora, agora como presidente do PSD não sabia se sairia ao fim de um ano, dois ou dez”, apontou, sublinhando que sai “muito mais enriquecido enquanto pessoa” e reconhecendo que, apesar de “nem tudo” ter corrido bem, “não se detém a apontar ao dedo”.

“Obviamente que preferia que muitas das coisas porque tive de passar enquanto presidente não tivessem acontecido porque tinha sido melhor para o PSD, para mim e para o país”, acrescentou, reconhecendo, nessa mesma entrevista, que várias das reformas que queria fazer ficaram pelo caminho.

E acrescentou: “com a minha idade, nenhuma experiência porque passasse agora me fazia uma pessoa diferente. Todas as experiências nos enriquecem, umas de uma forma mais forte, outras menos. E é evidente que esta foi uma experiência forte que me ajustou um pouco, mas só um pouco”.

“Muita gente diz que tenho de ter mais jogo de cintura – eu acho que tive algum jogo de cintura, podia ter tido mais um bocadinho aqui e acolá…Tive um jogo de cintura contido de molde a nunca perder a minha maneira de ser e as minhas convicções”, assumiu Rio.

Embora admita que podia ter feito alguns “ajustes táticos”, considera que, “naquilo que é estratégia, linha de rumo, naquilo que é verdadeiramente relevante, não me arrependo de nada. Não é pelo facto de o resultado das eleições legislativas de janeiro [que deram a maioria ao PS] ter sido mau que vou dizer que mudava tudo para conseguir um resultado melhor”.

“Podia mudar a tática, agora a estratégia não mudava porque eu não estou na vida pública focado no resultado. Eu vivo muito focado nas ideias e no que considero importante fazer, tentando captar as pessoas para essas ideias de molde a conseguir um bom resultado e não o contrário”, reforçou.

Questionado sobre a posição do partido, explicou que “o PSD é um partido social-democrata, eu sou social-democrata. Um partido equilibrado consegue estancar blocos à direita? Sim, mas não à custa de limpar a ideologia do PSD porque a minha convicção é que é ao centro que se ganham eleições”.

“Vivia mais tranquilo com a direita fortemente marcada pelo CDS do que pela Iniciativa Liberal e pelo Chega”, cenário com o qual disse estar “mais habituado”.

Ainda ao Público, disse que não quer “ter participação ativa política”, podendo vir a “escrever um texto de opinião, dar uma entrevista, participar num movimento cívico”. Os “cargos políticos, acho que acabaram aqui. A experiência deste último cargo público que tive, julgo que funciona como vacina para não ter mais nada”, frisou.

Luís Montenegro assume a liderança do PSD no domingo.

  ZAP //

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