O primeiro dia do resto da vida do PSD aproxima-se. As prioridades estão definidas, a equipa nem por isso

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Ao longo dos últimos meses, Luís Montenegro contou com o apoio de figuras de peso do PSD. Uma situação que teve de gerir “com pinças” na escolha dos ocupantes dos novos órgãos internos, de forma a não ferir suscetibilidades.

Após anos de indecisão no que toca à liderança social-democrata, o partido tem em perspetiva, finalmente, um período de tranquilidade e coesão que será protagonizado por Luís Montenegro — que se prepara para assumir funções plenas este fim de semana, no congresso do partido. A equipa que o irá acompanhar ainda não é conhecida publicamente, mas os objetivos que a cumprir estão há muito definidos, com as táticas a serem sugeridas logo pelas distritais.

Em declarações ao jornal Público, Ângelo Pereira, líder da distrital de Lisboa, foi claro quanto ao caminho a seguir pela nova direção. “É a oposição ao Governo, que não foi feita nos últimos anos, e apresentar-se como alternativa ao PS.” Já em relação às eleições europeias, as próximas que se vislumbram no horizonte, diz que “ainda há muito tempo”.

Paulo Ribeiro, líder da distrital de Setúbal, não desvaloriza a importância das europeias, preferindo incluí-las num grupo onde estão também autárquicas e legislativas. Na opinião do responsável, é nestas “três frentes” que o novo líder tem de “jogar”, assim como “avaliar o resultado do trabalho” dos eurodeputados. Apesar do foco nas eleições, após ciclos de maus resultados, Paulo Ribeiro estabelece ainda outra prioridade: “recuperar o PSD do estado comatoso em que foi deixado pela anterior liderança”.

Paulo Cunha, em declarações ao mesmo jornal, diz que o partido tem de comunicar a mensagem de que “as pessoas não estão condenadas a este Governo“, pelo que uma boa preparação para as eleições locais e, consequentemente, os bons resultados serão um caminho natural. Como tal, perspetiva a reunião deste fim de semana como o “começo da viragem do PSD“.

O foco nas autárquicas é, naturalmente, uma das prioridades mais destacas pelos autarcas, nomeadamente Emídio Sousa, responsável pela distrital de Aveiro, ou Pedro Alves, de Viseu. Simultaneamente, há quem apele a uma organização “da casa” antes de haver uma delineação da estratégia para qualquer eleição, especialmente as europeias.

Cristovão Norte, antigo deputado social-democrata e reeleito presidente do PSD-Algarve em novembro, estabelece que o caminho do partido deve passar por fazer uma “oposição credível, afirmativa e liderante“, mas também a “reoganização do PSD para que deixe de ser um partido feio e desinteressante” “O PSD não pode em momento algum, em seu prejuízo ou em prejuízo do país, primar pela ausência polílita e pela incapacidade de liderar a oposição. Essa tarefa é primordial para o presidente do partido. ”

Dream team mantida em segredo

A poucas horas do início do congresso, pouco se sabe sobre a equipa de Luís Montenegro, para além de que o novo líder contou com uma boa base de recrutamento, atendendo ao forte apoio que reuniu durante a sua campanha interna. Ainda segundo o jornal Público, a escolha de manter os nomes que constituem a equipa em segredo teve como objetivo evitar perturbações no pré-congresso e deixar que Rui Rio tivesse um fim de mandato tranquilo.

Uma das principais dúvidas em torno da equipa do novo líder tem que ver com a liderança parlamentar, já que a saída de Paulo Mota Pinto do cargo é tida como certa entre os mais próximos de Montenegro, mas não fora desse grupo, o que fez de um assunto um tabu. Ainda assim, Mota Pinto deverá presidir à mesa do congresso e conduzir os trabalhos até que a sua substituição seja oficializada.

Como eventuais sucessores perfila-se Joaquim Miranda Sarmento, atual responsável pelo Conselho Estratégico Nacional do partido — apesar de ter um perfil mais técnico e menos político, uma característica que a equipa de Montenegro considera ultrapassável a curto prazo. Hugo Soares, aliado de longa data de Luís Montenegro,  deverá assumir o cargo de secretário-geral, ao passo que Pedro Alves, líder da distrital de Viseu, será o coordenador autárquico do partido.

Para o atual cargo de Joaquim Miranda Sarmento, o nome mais falado é o de Pedro Duarte, atualmente a trabalhar no setor privado (Microsoft) mas antigo secretário de Estado da Juventude no Governo de Santana Lopes, líder da JSD e deputado até 2011. Foi ainda diretor de campanha de Marcelo Rebelo de Sousa e em 2019 fundou o Movimento X, uma iniciativa cívica sobre políticas públicas. Ainda assim, tem estado afastado da política ativa e deixou de ser presença assídua nos espaços de comentário televisivos.

No entanto, a sua candidatura à Câmara do Porto em 2025 é dada como uma possibilidade, pelo que há quem apele para um cargo com mais visibilidade a nível nacional e protagonismo no quotidiano do partido — já que o CEN é um órgão de natureza consultiva e que funciona junto do presidente da comissão política nacional.

  ZAP //

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