Mês da História Negra. Expositor de George Floyd vandalizado com relatório de toxicologia

Um expositor do Mês da História Negra, em homenagem a George Floyd, foi vandalizado com o relatório de toxicologia, procedimento feito durante a autópsia.

De acordo com o jornal britânico The Independent, que cita o The Washington Post, Matt Mohn, um caloiro de 19 anos da Duke University, estava a passar por um expositor do Mês da História Negra no seu dormitório na semana passada quando percebeu que havia algo colado ao lado de uma fotografia de George Floyd.

Ao aproximar-se, percebeu que era uma impressão do relatório de toxicologia de Floyd, procedimento feito durante a autópsia.

Nessa folha, havia ainda uma nota manuscrita a sugerir que Floyd era culpado quando morreu na custódia da polícia de Minneapolis no ano passado, depois de um polícia ter colocado o joelho no seu pescoço durante quase nove minutos. “Mistura de drogas apresenta-se na dificuldade de respirar! Overdose? Bom homem? O uso de moeda falsa é crime!”, lê-se na nota.

Mohn disse que ficou chocado com a impressão, chamando o incidente, que foi relatado pela primeira vez pelo Duke Chronicle, de ataque “racista”. “Fiquei realmente incrédulo de que alguém realmente se esforçasse para encontrar o relatório na sua forma original. Parecia quase mais audacioso do que apenas escrever uma calúnia ou colocar algo mais abertamente odioso”.

Mohn disse que o expositor nunca foi vandalizado desde que foi colocado em fevereiro.

“A mensagem toda era que ele era o responsável pela sua própria morte”, disse Mohn. “Isto porque deu positivo para drogas ou porque tinha uma nota de 20 dólares falsificada. Acho que foi racista”.

Agora, os administradores escolares e a polícia do campus estão a investigar o incidente como uma possível violação da política anti-assédio e discriminação da escola, que se referiu à nota como um “ato anónimo de parcialidade”.

“Se os alunos da Duke forem considerados responsáveis ​​por este ato, o Escritório de Conduta e Padrões da Comunidade (OSCCS) emitirá sanções ao aluno responsável”, disse John Blackshear, vice-presidente associado para Assuntos Estudantis e Líder dos Estudantes e Jeanna McCullers, diretora associada sénior do OSCCS.

A universidade acrescentou que não revelaria os nomes de ninguém envolvido no incidente se os investigadores descobrissem que eram alunos da Duke, citando as leis de privacidade dos alunos.

A investigação da escola ocorre no momento em que o caso do homicídio de Floyd ressurge nas manchetes, depois de um juiz ter selecionado um júri para o julgamento de Derek Chauvin, o ex-polícia de Minneapolis acusado da morte.

George Floyd, de 46, anos foi morto em maio passado depois de a polícia o ter detido do lado de fora de uma mercearia por supostamente ter uma nota falsificada de 20 dólares. O homem foi algemado de bruços e Chauvin ajoelhou-se no seu pescoço enquanto Floyd gritava: “Não consigo respirar”.

A autópsia revelou que Floyd morreu devido a uma paragem cardiopulmonar e compressão no pescoço. Uma autópsia independente encomendada pela família de Floyd revelou que o homem morreu de “asfixia por pressão constante”

A morte de Floyd provocou um movimento de cólera, inédito desde os anos 1960 nos Estados Unidos contra o racismo e a violência policial, que se propagou por todo o mundo, com manifestações cuja principal palavra de ordem foi a frase “Black Lives Mater” (“As vidas dos Negros Importam”).

Maria Campos, ZAP //

 

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