Ex-secretário de Estado afinal garante que ministro interferiu em exoneração

Mário Cruz / Lusa

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto

O ex-secretário de Estado João Wengorovius Meneses esclareceu publicamente o caso do chefe de gabinete que afinal não tinha duas licenciaturas, confirmando que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, interferiu por e-mail na exoneração de Nuno Félix.

Ao abrigo de um direito de resposta, a pretexto de um artigo de opinião de João Miguel Tavares no jornal Público, João Meneses confirma a existência do email em que o ministro pede para que o secretário de Estado adie a exoneração de Nuno Félix.

“Na terça-feira passada (1/11), o sr. ministro da Educação deu uma entrevista à SIC, na qual, entre outras coisas, alegou nunca ter interferido em defesa do chefe do gabinete, Nuno Félix, nem na composição do meu gabinete em geral. Não confirmo essas declarações”, escreve Wengorovius Meneses na carta enviada ao Público.

Na entrevista à SIC, Tiago Brandão Rodrigues negou saber que o despacho de nomeação de Nuno Félix continha “inverdades” – as duas licenciaturas que este nunca concluiu – e sublinhou que as equipas eram escolhidas e constituídas pelos governantes.

“O chefe do gabinete, Nuno Félix, foi-me indicado pelo sr. ministro, por ser alguém da sua confiança pessoal, foi-me pedida reiteradamente a demissão de uma adjunta”, explica Wengorovius Meneses.

“Quando informei o sr. ministro da necessidade de concretizar a substituição do chefe do gabinete (já o havia informado há uns dias de quem iria substituí-lo), recebi o seu pedido – por email – de que não o fizesse nessa altura (o chefe do gabinete demissionário estava ausente há 15 dias e acabava de apresentar uma baixa para acompanhamento à família por mais 15 dias, situação que se estava a tornar danosa para o regular funcionamento da secretaria de Estado)”, descreve o ex-governante.

Na semana passada, quando o Observador avançou que Nuno Félix se havia demitido por causa de duas licenciaturas inexistentes (mas que constavam da sua nota curricular inicialmente publicada no primeiro despacho de nomeação em Diário da República), o jornal contava que João Wengorovius Meneses afirmava que o ministro da Educação sabia há vários meses que o chefe de gabinete do secretário de Estado do Desporto tinha prestado falsas informações sobre o seu percurso académico.

Tiago Brandão Rodrigues acabou a dar explicações na terça-feira à noite, negando as acusações. “Em nenhum momento pedi ao Dr. João Meneses que não exonerasse o seu chefe de gabinete”, afirmou.

No entanto, esta quinta-feira, o jornal i citou um email de Brandão Rodrigues para Wengorovius Meneses em que o ministro teria impedido a referida exoneração, desmentindo a versão do Ministro da Educação.

ZAP

PARTILHAR

5 COMENTÁRIOS

  1. será possível que a vergonha tenha abandonado há muito aqueles que de entre nós deveriam ser os mais honestos e retos ? Estes tipos têm sempre 2 palavras. 1 para os safar e outra quando se lhes descobre a careca. Que nojo do que se transformou esta nação !

  2. O Ministro, como se vê, é um aldrabilhas e está bem no governo de vendedores da banha da cobra que temos agora.Gente sem ética e já nem o republicanismo os safa.Uns verdadeiros trapaceiros, mentirosos e demagógicos.Caminhamos a passos largos para a termos uma Venezuela em Portugal.Tenho nojo desta gente que nos desgoverna.Acudam-nos….

  3. Ninguém tinha duvidas que o ministro estava a mentir. Mas em Portugal mentir publicamente e safar-se, são medalhas e não um motivo de vergonha e demissão como deveria ser.

  4. Que história tão mal contada, onde está o email? porque não o divulga? E porque haveríamos de acreditar na palavra de um ex-secretário de estado que mentiu descaradamente quando disse que o ministro sabia das licenciaturas falsas do chefe de gabinete? Quem mente uma vez mente duas. A pergunta é: se quem quer tramar o ministro se serve de pessoas como esta tão sem credibilidade nenhuma como o Wengorovius é porque o ministro está a cima de qualquer suspeita. Querem queimar o ministro por causa do lobby dos colégios privados e editoras dos manuais escolares e os pobres de espírito portugueses acreditam!

  5. É preciso não ter vergonha!
    Estes senhores que nos governam não têm palavra nem vergonha. Claro que entre o que diz o ex-Secretário de Estado João Meneses e o Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues acredito mais no ex-Secretário de Estado. Ao Ministro da Educação só lhe resta pedir a demissão. Mentir descaradamente e não assumir as decisões que toma só resta que alguém o demita ou force a sua demissão. As asneiras e precipitações nas decisões do Ministro têm sido tantas que já há muito perdeu toda a credibilidade. Agora é o orçamento da Educação para 2017, que o Ministro da Educação diz que aumentou. Contudo, a eminência parda do Ministro, Mário Nogueira, que andava desaparecido, já veio à televisão avisar que o Ministro tem dizer onde vai haver os cortes, pois houve corte no Orçamento da Educação. A máscara aos poucos vai caindo e descobrindo-se a verdade.

Responder a FP Cancelar resposta

Grupo avisa Bruxelas que Portugal pode tornar-se ilha ferroviária na Europa

Um grupo de portugueses ligados ao setor ferroviário alertou a comissária europeia dos Transportes para a possibilidade de Portugal se tornar uma ilha ferroviária na Europa devido ao atraso em adotar "a bitola europeia" nas …

China encontra traços do coronavírus em asas de frango importadas do Brasil

Traços do novo coronavírus foram encontrados em asas de frango importadas do Brasil, na cidade de Shenzhen, no sul da China, noticiou, esta quinta-feira, um jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC). Os traços foram detetados …

Denúncia de Rui Pinto leva a congelamento de conta bancária da Doyen

Oito milhões de euros que estavam numa conta bancária do fundo de investimento Doyen foram congelados pelas autoridades portuguesas. Uma denúncia do whistleblower português Rui Pinto levou o fundo a ser investigado por suspeitas de fraude …

Preocupado com a Bielorrúsia, Macron ligou a Putin (e aproveitaram para falar da vacina russa)

O Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou esta quarta-feira ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, "uma preocupação muito grande" quanto à situação na Bielorrússia após a reeleição do chefe de Estado autoritário bielorrusso, Alexander Lukashenko. Segundo indicou …

Obras do Hospital Militar de Belém custaram mais do triplo do valor estimado

As obras no Hospital Militar de Belém, em Lisboa, custaram mais do valor inicialmente estimado, avançou o Diário de Notícias esta quarta-feira. De acordo com o jornal, estava inicialmente previsto que a reabilitação de três …

Autópsia a Valentina revela descolamento do crânio

A autópsia a Valentina, a menina de 9 anos encontrada morta na serra D’el Rei, em Peniche, distrito de Leiria, em meados de maio, revela descolamento do crânio, avança esta quinta-feira o Correio da Manhã. …

Rio pede "coerência" na lotação do Avante e faz comparação com estádios

O líder do PSD pronunciou-se sobre a lotação da festa do Avante, lembrando que, se for reduzida para metade, isso é o mesmo que os estádios do FC Porto ou do Sporting estarem cheios. Na sua …

Juiz Carlos Alexandre desiste de queixa contra Rui Pinto

A proposta do Ministério Público (MP) para que o pirata informático não continuasse a ser investigado dependia da autorização do "super-juiz", avança o Correio da Manhã. De acordo com o Correio da Manhã, o juiz Carlos …

Surto na Nova Zelândia faz 17 novas infeções (e não se sabe de onde veio)

Após 102 dias sem casos de covid-19, a Nova Zelândia registou um novo surto na sua maior cidade, Auckland. O número de infeções subiu para 17, mas não se sabe de onde veio. De acordo com …

Ameaças de morte a deputadas. Bloco vai fazer queixa ao Ministério Público

O Bloco de Esquerda vai apresentar duas queixas ao Ministério Público, uma por cada deputada ameaçada no e-mail enviado à SOS Racismo. A Polícia Judiciária está a investigar um e-mail enviado a um grupo de dez …