EUA com quase duas mil mortes num dia. Na China, Wuhan reabriu 76 dias depois

Roman Pilipey / EPA

76 dias depois, China levanta restrições à circulação de pessoas em Wuhan

Os Estados Unidos registaram, em 24 horas, quase duas mil mortes. Na China, a cidade de Wuhan, epicentro da pandemia, reabriu ao fim de 11 semanas fechada ao mundo.

Os Estados Unidos registaram, esta terça-feira, 1939 mortes causadas pela covid-19 em 24 horas, o pior recorde mundial diário, de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins. O número total de mortes desde o início do surto é agora de mais de 12.700.

Os EUA também são, de longe, o país do mundo com o maior número de casos confirmados: cerca de 396 mil pessoas infetadas, de acordo com a universidade norte-americana, que atualiza continuamente os dados.

Itália, um dos países mais afetados pela pandemia, registou 604 óbitos nas últimas 24 horas, indicaram as autoridades italianas, destacando que o número de contágios e de pessoas hospitalizadas está em decréscimo.

Com a atualização dos dados, Itália totaliza agora 17.127 vítimas mortais desde o início da crise e contabiliza 135.586 casos, mais 3039 em comparação com segunda-feira, número que indica que a tendência de um ligeiro abrandamento na propagação do vírus mantém-se.

Espanha registou 757 mortes nas últimas 24 horas, um número diário que aumenta há dois dias consecutivos depois de quatro a descer. O país é, assim, o segundo do mundo com maior número de mortes, registando 14.555 óbitos.

De acordo com o Ministério da Saúde espanhol, há ainda 6180 novos infetados, o que representa também o segundo dia em que o número volta a subir, sendo agora o total de contagiados de 146.690, o que faz com que já tenha ultrapassado Itália em número de casos confirmados.

Mesmo ao lado, em França, o número total de mortos é agora de 10.328 (7091 mortes em hospitais e 3237 em lares) e há 30 mil casos registados apenas em lares. Há atualmente 30 mil pessoas hospitalizadas e 7313 destes pacientes estão nos cuidados intensivos.

76 dias depois, restrições levantadas em Wuhan

As autoridades chinesas levantaram, esta terça-feira, as restrições à circulação em Wuhan, permitindo à população voltar a entrar e sair da cidade, epicentro original da pandemia de covid-19.

Segundo reporta a agência Associated Press, a proibição, que tem servido de modelo a grande parte dos países afetados pelo novo coronavírus, terminou às 00h00 locais de quarta-feira em Pequim (17h00 em Lisboa), pondo cobro às medidas decretadas a 23 de janeiro passado.

Imediatamente após o fim da proibição, os cerca de 11 milhões de residentes podem já viajar sem qualquer autorização especial de e para Wuhan, tendo, no entanto, de seguir uma série de regras decretadas pelo Governo chinês.

Todos os viajantes terão de utilizar obrigatoriamente uma aplicação nos telemóveis que junta uma série de dados de localização e de vigilância governamental que permitem demonstrar que estão saudáveis e que não estiveram recentemente em contacto com alguém contaminado com o novo coronavírus.

As restrições na cidade em que se registou a maioria das 82 mil infeções detetadas na China, que causaram cerca de 3300 mortos, têm vindo a ser aligeiradas nas últimas semanas, à medida que o número de novos casos tem descido.

Os últimos dados oficiais divulgados pelo Governo indicam que não se registou qualquer caso nas últimas 24 horas.

Imediatamente após a meia-noite local, centenas de passageiros preparavam-se para abandonar Wuhan, enchendo a estação ferroviária da cidade, relata, por seu lado a agência France-Presse.

Nas várias estações de Wuhan era percetível uma relativa efervescência, à medida que as centenas de passageiros lá chegavam e aguardavam pelo comboio.

As forças de segurança chinesas, com megafones na mão, lembravam aos viajantes as medidas de higiene e o distanciamento de um metro entre as pessoas, enquanto dos altifalantes das diferentes estações ferroviárias saíam com elogios a Wuhan, “cidade de heróis”.

No entanto, Wuhan continua a ser uma cidade enlutada pela pandemia na China, pois mais de 2500 habitantes locais morreram, parte significativa do total de vítimas mortais registadas a nível nacional.

O número de comboios e de aviões que partem de Wuhan continua, para já, limitado, uma vez que estão ainda em vigor muitas das restrições às deslocações dentro da cidade, medidas que visam evitar qualquer ressurgimento das infeções.

Wuhan, na província de Hubei, é um importante centro da indústria pesada chinesa, em particular na vertente automóvel, e, à medida que as principais fábricas retomam a produção, os pequenos e médios empresários que garantem a maioria do emprego, continuam a sofrer com a falta de trabalhadores e de procura.

A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, conta com 81.740 casos. As autoridades anunciaram 32 novos casos, todos oriundos do exterior, e pela primeira vez desde janeiro não reportou mortes.

O novo coronavírus já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 75 mil. Dos casos de infeção, cerca de 290 mil são considerados curados.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Pois…
    São números terríveis.
    Nos EUA (e brevemente no Brasil e Reino Unido) sabemos porque acontecem.
    De igual forma, como em Espanha e Itália. A indisciplina e irresponsabilidade dos latinos (celebremos por uma vez o espírito de rebanho da carneirada cá do burgo) junto com uma população envelhecida e serviços de saúde enfraquecidos por via das políticas de austeridade da última década (só por cá é que “acabaram” no dizer da troika de esquerda que nos governa há cinco anos) explicam os números trágicos.
    Aquilo que não sabemos, nem jamais viremos a sabê-lo, é qual foi a verdadeira dimensão da tragédia na China. Ou alguém é suficientemente ingénuo para acreditar nos números oficiais do Comité Central do PCC, a ditadura maoista-capitalista?

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