Especialistas dos EUA aprovam vacina da Pfizer. Petição de 99 países pede fim de patentes

O painel de 22 especialistas norte-americanos encarregado de emitir um parecer técnico sobre a vacina da Pfizer contra a covid-19 aprovou na quinta-feira o produto, de acordo com a imprensa norte-americana.

Segundo avançou o Observador, que cita o New York Times, este é o último passo nos esforços da Food and Drug Administration (FDA) – responsável pelos medicamentos nos Estados Unidos (EUA) – para aprovar o uso de emergência da vacina da Pfizer.

O painel votou a favor da autorização de emergência para a vacina, que deverá ser formalizada pela FDA nos próximos dias, sendo possível que no início da próxima semana comece o processo de vacinação. Na votação, 17 especialistas votaram a favor, quatro contra e um absteve-se.

Na semana passada, o Reino Unido autorizou o uso de emergência da vacina da Pfizer e a vacinação já começou. Nos países da União Europeia (UE), a autorização só deverá chegar no fim de dezembro.

Austrália suspende teste que dá falsos positivos para HIV

A empresa australiana de biotecnologia CSL anunciou na quinta-feira a suspensão dos testes da vacina anti-covid-19 desenvolvida com a Universidade de Queensland, após um número indeterminado de participantes na fase 1 dar “falsos positivos” em testes de HIV, noticiou a agência Lusa, citando a agência EFE.

A CSL esclareceu que, embora não tenham sido observados efeitos adversos nos testes de fase 1, iniciados em julho passado e dos quais participaram 216 pessoas, os dados científicos revelaram que os anticorpos desenvolvidos neste processo interferiram no diagnóstico de HIV, abrindo caminho para “falsos positivos”.

Numa declaração à Australian Stock Exchange (ASX) para anunciar esta decisão, que foi tomada com o governo australiano, o diretor científico da CSL, Andrew Nash, vincou que no desenvolvimento inicial de uma vacina há sempre um “risco de falha”.

O desenvolvimento adicional da vacina UQ/CSL v451 – que foi demonstrado na fase 1 ter “uma resposta robusta” ao novo coronavírus, bem como “um forte perfil de segurança” – exigiria mudanças significativas no projeto, admitiram os especialistas.

“Isso ia atrasar o projeto 12 meses ou mais. Foi uma decisão muito difícil de adotar, mas atualmente há uma necessidade urgente de se ter uma vacina e essa é a prioridade”, comentou Paul Young, um dos líderes do projeto de vacina da Universidade de Queensland.

Após a decisão, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, declarou, em Camberra, que o seu governo autorizou um aumento de 33,8 milhões para 53,8 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford e de 40 para 51 milhões de doses da vacina Novavax.

“As vacinas da AstraZeneca serão, é claro, produzidas pela CSL em Melbourne”, disse Morrison, insistindo que “saúde e segurança têm sido o ponto de partida para todas as respostas à pandemia covid-19”.

Hendrik Schmidt / EPA Pool

O governo australiano, que planeava fornecer a vacina covid-19 desde março, também tem um acordo com a BioNtech-Pfizer, para adquirir e transportar 10 milhões dessa vacina, que precisa ser mantida a 70 graus abaixo de zero.

A Austrália, onde foi atribuído ênfase aos sistemas de rastreamento, acumulou quase 28 mil infeções desde o início da pandemia, incluindo 908 mortes, a maioria devido ao surto ocorrido em Melbourne.

Vacina Sanofi-GSK adiada até ao 4º trimestre de 2021

A vacina contra a covid-19 que está a ser desenvolvida pelos grupos farmacêuticos Sanofi e GSK (GlaxoSmithKline) não estará pronta no início do segundo semestre de 2021 como esperado e será adiada pelo menos até ao quarto trimestre, apontou a Lusa.

Em comunicado, o grupo francês Sanofi e o britânico GSK explicaram este adiamento com a “resposta insuficiente” que tem sido observada entre os idosos durante os estudos de fase intermediária I /II que estão a ser realizados.

Na nota, o grupo especificou que os resultados obtidos mostraram uma resposta imunológica em adultos dos 18 aos 49 anos “comparável à dos pacientes que se recuperaram de uma infeção covid-19, mas uma resposta imunológica fraca entre adultos com mais velhos”.

Os laboratórios consideram que isto se deve “à concentração insuficiente de antígeno”. Por isso, o grupo quer “afinar a concentração de antígenos para obter uma alta resposta imunológica em todas as faixas etárias”.

Tendo em conta estes factos, a Sanofi e a GSK vão lançar um estudo de fase IIb que deve começar em fevereiro próximo e, se os resultados forem positivos, passará para a fase III (envolvendo várias dezenas de milhares de pessoas) “no segundo trimestre de 2021”.

“A formulação do produto não é satisfatória. É importante otimizá-la, pode demorar um pouco mais”, referiu à agência AFP Thomas Triomphe, vice-presidente da área de vacinas da Sanofi.

A Sanofi, que está a desenvolver a vacina em conjunto com a GSK – que a fornece com o seu adjuvante -, tinha iniciado recentemente a última fase dos testes em humanos antes da aprovação das autoridades (“fase 3”). A gigante farmacêutica francesa, uma das principais produtoras de vacinas, esperava poder produzir um bilião de doses em 2021.

Em 09 de novembro, a Pfizer e a parceira biotecnológica alemã BioNTech anunciaram que a sua vacina experimental para a covid-19 tinha 90% de eficácia, partindo da análise de 94 casos de infeção. Mais recentemente, a norte-americana Moderna indicou que a sua vacina candidata é 94,5% eficaz na prevenção da covid-19, tendo em conta a análise de 95 casos.

A Rússia também anunciou que a sua vacina Sputnik V contra a covid-19, desenvolvida pelo Centro Nacional de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya em Moscovo, tem uma eficácia de 95%, segundo resultados preliminares. O primeiro lote para o mercado externo chegará em janeiro de 2021 com base nos acordos já firmados com parceiros estrangeiros.

O laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford anunciaram também que a sua vacina tem uma taxa média de eficácia de 70 por cento.

 

Guerra entre países ricos e pobres pelo fim das patentes

Uma petição que inclui 99 países, localizados na zona sul do planeta, foi enviada à Organização Mundial do Comércio (OMC) pedindo que as patentes de tecnologias, medicamentos e vacinas sejam suspensas enquanto durar a pandemia, informou na quinta-feira o Diário de Notícias.

A petição, liderada pela África do Sul e pela Índia, pede que o desenvolvimento técnico e científico fique disponível aos países mais pobres, visto que os mais ricos já asseguraram doses suficientes da vacina. O pedido surge apesar da existência de um mecanismo internacional – o Covax -, que pretende garantir a equidade na sua distribuição.

De acordo com a People’s Vaccine Alliance – que reúne organizações como a Oxfam, a Amnistia Internacional ou a Global Justice Now -, citada pela agência Reuters, nove em cada 10 pessoas de nações pobres podem não ser vacinadas contra a covid-19 no próximo ano, porque os países ricos estão a comprar doses para lá das suas necessidades.

A People’s Vaccine Alliance referiu que os países onde vive 14% da população mundial compraram 53% do total de doses das vacinas mais promissoras no último mês.

Sobre a petição, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou: “Damos as boas-vindas aos esforços para ampliar o acesso a provas, tratamentos e vacinas, como a recente proposta da África do Sul e Índia”.

Guterres alerta para o “vacinismo”

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, lamentou que esteja a decorrer uma corrida entre países para conseguir rapidamente a imunização das suas populações contra a covid-19, fenómeno que designou como “vacinismo”.

“É verdade que o que estamos hoje a presenciar é um enorme esforço de vários países para garantir vacinas para suas próprias populações”, declarou, em entrevista coletiva após uma reunião por teleconferência com o presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat.

 

Guterres defendeu que a forma de garantir que a África tenha acesso às vacinas de que necessita é apoiar financeiramente a Covax, que necessita de 4,2 mil milhões de dólares (cerca de 3,48 mil milhões de euros) até ao final do ano. “Se África não tiver um apoio adequado, não conseguiremos combater eficazmente a pandemia noutros locais”, frisou.

O responsável espera, assim, que as vacinas aprovadas pela OMS possam ser distribuídas aos países africanos antes do segundo trimestre deste ano.

Com reunião marcada para esta quinta-feira, o Conselho de Acordos de Propriedade Intelectual da OMC deverá tomar uma posição para a reunião de 17 de dezembro, dia em que deverá ser tomada uma decisão sobre a petição.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. O fim das patentes seria um erro gigantesco com repercussões dramáticas na investigação e no progresso da saúde. As empresa só investirão enquanto for possível ter um período de tempo em que possam explorar os proveitos dos investimentos gigantescos feitos na fase de investigação. Caso contrário não haverá inovação e investigação no privado. Aprovarem esta medida seria em grande parte matar a investigação das farmacêuticas.

    • Olha que não sei …
      Concordo em parte, mas não se deveria ter em conta, que:
      1- Na grande maioria dos casos, a investigação que levou ao desenvolvimento e produção de vacinas num tão curto espaço de tempo, teve grandes subsídios públicos?
      2 – Que as empresas que agora comercializam as vacinas, que terão proveitos, quer ao nível dos lucros quer das respetivas cotações em bolsa, pediram dispensa de responsabilidade por eventuais problemas que possam vir a acontecer com as vacinas (p. ex efeitos secundários graves)?
      3- Algumas empresas farmacêuticas já subiram o preço das vacinas e negoceiam o seu valor de venda de uma forma livre?
      4 – Estamos numa situação de pandemia?
      5 – A respnsabilidade social das empresas não traduzir-se nem resumir-se a meros atos simbolicos ou demagógicos, e que neste caso, estas empresas, deveriam fazer algo bem significativo?

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