Dois sem-abrigo entre os novos heróis de Manchester

Andy Rain / EPA

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As 22 vítimas mortais do atentado de segunda-feira à noite, em Manchester, já foram identificadas e as respetivas famílias estão a receber apoio. Entretanto, começam a ser conhecidas as histórias de locais que se tornaram verdadeiros “heróis” nesta trágica noite.

As identidades dos mortos só podem, contudo, ser divulgadas depois de concluídas todas as autópsias, precisou a polícia britânica, adiantando que, dado o número de vítimas, isso pode levar quatro a cinco dias. Todas as famílias foram contactadas e estão a receber apoio de técnicos especializados.

22 pessoas morreram no atentado desta segunda-feira à noite, na Arena de Manchester, depois de um concerto da cantora norte-americana Ariana Grande.

O diretor dos serviços de saúde da área da Grande Manchester anunciou hoje que 64 pessoas ficaram feridas e que 20 delas estão em estado crítico. O anterior balanço era de 59 feridos.

Na segunda-feira, o “discreto” Salman Abedi, britânico de origem líbia de 22 anos, fez-se explodir junto a uma das saídas do auditório, onde estavam muitas crianças e jovens.

A primeira vítima mortal identificada pela imprensa foi Georgina Callander, adolescente de 18 anos que, momentos antes do concerto, tinha partilhado nas redes sociais uma foto com o bilhete do concerto e outra na companhia da estrela pop norte-americana.

Ontem, as autoridades também confirmaram que a vítima mortal mais nova deste ataque tinha apenas oito anos e chamava-se Saffie Rose Roussos. A criança estava no concerto acompanhada pela mãe e irmã. As duas familiares estão a receber tratamento e, segundo a imprensa, a progenitora ainda não sabe que a filha faleceu porque inspira cuidados.

Além destas duas crianças, figuram na lista de vítimas mortais já identificadas outras dez pessoas: Nell Jones (14 anos), Jane Tweddle-Taylor (51 anos), Martyn Hett (29 anos), Angelika Klis (40 anos), Marcin Klis (42 anos), John Atkinson (28 anos), Kelly Brewster (32 anos), Olivia Campbell (15 anos), Alison Howe (45 anos) e Lisa Lees (47 anos).

Esta quarta-feira, o chefe da polícia de Manchester, Ian Hopkins, confirmou que uma das vítimas é uma agente da polícia, apesar de não revelar a sua identidade. A polícia não estava de serviço nessa noite e estaria a assistir ao concerto com o marido e os filhos.

Pai do bombista diz que o filho “está inocente”

Entretanto, Ramadan Abedi, o pai do alegado autor do ataque, que vive em Tripoli, falou à Associated Press e garantiu que o filho está inocente. Salman tinha estado há cerca de um mês na Líbia e estava a preparar-se para visitar a Arábia Saudita. “Pareceu normal” quando falaram pela última vez, contou Ramadan.

“Não acreditamos em matar pessoas. Não somos assim”, afirmou. O progenitor confirmou ainda que o seu outro filho, Ismail, foi detido pelas autoridades britânicas.

O jovem de 22 anos estudava na Universidade de Salford, em Manchester e frequentava a mesquita local de Didsbury com o irmão. “Era um jovem muito discreto, sempre muito respeitoso para comigo”, testemunhou um cidadão líbio de Manchester. “O seu irmão era muito sociável, mas Salman era muito reservado”, acrescentou.

(dr)

Salman Abedi, o jovem de 22 anos identificado como o autor do atentado em Manchester

Salman Abedi, o jovem de 22 anos identificado como o autor do atentado em Manchester

Aos jornalistas, o ministro do Interior francês revelou que Salman viajou até à Síria, onde se terá radicalizado, e voltou para o Reino Unido, sendo agora o protagonista deste ataque. No entanto, segundo a imprensa britânica, a polícia acredita que a bomba terá sido fabricada por outra pessoa e que o jovem terá sido apenas encarregue de transportar o engenho explosivo até à arena.

O chefe da polícia de Manchester já disse que está a ser investigada uma rede no âmbito do inquérito sobre o atentado. O responsável confirmou que, no total, quatro suspeitos foram detidos, mas recusou dizer se a polícia já encontrou a pessoa que fabricou a bomba utilizada no ataque.

Os “heróis” de Manchester

Chris Parker, um sem-abrigo de 33 anos que costuma andar na zona da Arena a pedir moedas, estava no local quando se deu a explosão. O homem foi imediatamente atirado ao chão e quando se levantou, em vez de fugir, decidiu antes ajudar as vítimas.

“Estavam pessoas caídas no chão. Vi uma rapariga pequena no chão, sem pernas“, conta, informando que a deixou na banca do merchandising do concerto. Depois, ainda ajudou uma senhora com cerca de 60 anos, que acabou por morrer nos seus braços. “Ainda não consegui parar de chorar”, explicou o sem-abrigo.

Desde que foi conhecida a sua história, surgiu uma página de crowdfunding para ajudar Chris a recompor a sua vida, que já reuniu até ao momento mais de 35 mil libras.

Jessica Parker viu a campanha e percebeu pela fotografia que se tratava do seu filho. A mulher diz que “precisa desesperadamente de entrar em contacto” com Chris, que perderam o contacto há alguns anos e que não sabia que este era sem-abrigo. “Estou muito orgulhosa dele e acho que precisa de mim agora”, comentou.

Chris Parker, o sem-abrigo que ajudou as vítimas do atentado de Manchester

Chris Parker, o sem-abrigo que ajudou as vítimas do atentado de Manchester

Também Stephen Jones, outro sem-abrigo que estava a dormir perto da zona do concerto, se apercebeu da explosão e não hesitou em ajudar. O homem de 35 anos conta que estavam “muitas crianças cobertas de sangue a chorar e a gritar”. Teve de arrancar pregos dos braços de algumas e até do rosto de outro criança.

A coragem do sem-abrigo chamou a atenção de um empresário e do seu filho, que decidiram arrendar-lhe uma casa durante seis meses. Também já foi criada uma página de crowdfunding, que já angariou mais de 20 mil libras.

Além destes casos, foram muitas as pessoas que abriram as portas das suas casas para acolher vítimas, assim como hotéis, e também muitos taxistas que transportaram as pessoas de graça. Prova disso foi AJ Singh, um taxista muçulmano que levou “pessoas que procuravam familiares no hospital, que não tinham dinheiro, que estavam perdidos”.

Mãe de Ariana Grande também ajudou fãs

A mãe da cantora ainda estava sentada na primeira fila da sala de espetáculos quando a bomba explodiu. Ao ver o pânico instalado, Joan Grande, que estava rodeada de fãs, entre eles muitas crianças e adolescentes, ajudou a levar algumas delas para os bastidores.

Segundo o TMZ, a mãe da cantora também terá pedido a membros da segurança pessoal da filha para levarem um grupo de dez pessoas para um local seguro. No momento da explosão, Ariana já havia deixado o palco.

https://twitter.com/PopCrave/status/867066205827366913

ZAP // Move / Hypeness

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