Depois do relatório sobre a morte de Khashoggi, Biden quer “reajustar” laços com Riad

jlhervàs / Flickr

O novo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden

Joe Biden quer “reajustar” a relação com Riad e considerar o rei Salman como interlocutor, em vez do príncipe herdeiro saudita. Segundo quatro responsáveis ouvidos pela Reuters, que leram o relatório dos serviços secretos sobre o assassínio de Jamal Khashoggi, Mohammed bin Salman (MBS) aprovou a morte do jornalista.

Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca, confirmou que o Presidente dos Estados Unidos vai falar “em breve” com o rei da Arábia Saudita.

O objetivo de Joe Biden é, independentemente das consequências da acusação, alterar de forma significativa a relação entre os dois países. Segundo o Público, o norte-americano entende que é preciso “reajustar” a relação com Riad e considerar o rei Salman como interlocutor, em vez do príncipe herdeiro saudita.

“O povo americano espera que a política americana face à sua parceria estratégica com a Arábia Saudita priorize o Estado de direito e o respeito pelos direitos humanos“, disse um porta-voz do Departamento de Estado ao The Guardian, em resposta a uma pergunta sobre se a Administração Biden pretende pressionar para uma mudança na linha de sucessão que afaste MBS do poder.

Apesar de a Arábia Saudita ser um parceiro-chave em muitas áreas, a relação precisa de “refletir e ser respeitadora dos valores e interesses que os EUA trazem a essa parceria”, acrescentou o porta-voz.

Segundo um relatório dos serviços secretos dos Estados Unidos, o príncipe herdeiro e governante da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, aprovou o assassínio em 2018 do jornalista Jamal Khashoggi.

Os meios de comunicação norte-americanos indicaram que o relatório deve ser divulgado pelo governo e tem por base sobretudo informações recolhidas pela Agência Central de Informação (CIA).

“A divulgação pública (do relatório) marcará um novo capítulo nas relações dos Estados Unidos com a Arábia Saudita e uma diferença clara entre a política do Presidente Joe Biden e a do ex-Presidente Donald Trump”, disse a emissora NBC, indicando ter tido acesso ao texto em 2018.

Entretanto, os Estados Unidos anunciaram a restrição à atribuição de vistos a 76 cidadãos da Arábia Saudita acusados de “ameaçar dissidentes no estrangeiro”, nomeadamente o jornalista saudita assassinado na Turquia.

Biden insta Senado a aprovar plano de estímulo

O Senado norte-americano chumbou a discussão do aumento do salário mínimo, uma proposta incluída no plano de recuperação económica apresentado pelo Presidente, que exortou à aprovação rápida do pacote, apesar deste revés.

O plano para relançar a economia após a crise provocada pela pandemia nos Estados Unidos incluía provisões orçamentais para acomodar o aumento do salário mínimo para 15 dólares (cerca de 12 euros) por hora até 2025, mas a decisão da câmara alta do Congresso implica que a medida não vai ser discutida.

Ao abrigo das regras do processo de aprovação por maioria simples no Senado, a via escolhida pelos democratas para tentar fazer passar o pacote de estímulos, são proibidas provisões consideradas alheias aos objetivos políticos do diploma ou resolução apresentados.

Apesar deste primeiro revés, o Presidente norte-americano instou o Congresso a “avançar rapidamente para adotar o plano de recuperação”. A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que Biden estava “desiludido” por a discussão sobre o salário mínimo ter sido afastada, mas que respeitava a decisão.

“Ele vai trabalhar com os líderes do Congresso para determinar a melhor via a seguir, porque ninguém neste país deveria trabalhar a tempo inteiro e viver em situação de pobreza”, disse a porta-voz, segundo a agência Associated Press (AP).

As declarações indicam que os democratas estarão dispostos a avançar para a adoção do plano sem esta disposição, que deverão tentar fazer aprovar em diploma distinto.

A presidente dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, anunciou no entanto que vai manter a disposição no texto que deverá ser votado naquela câmara, esta sexta-feira.

O projeto deverá ser facilmente aprovado na câmara baixa, onde os democratas estão em maioria, mas isso não impedirá o Senado de retirar a disposição.

ZAP // Lusa

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