Impeachment. Democratas divulgam nota manuscrita inédita sobre “caso Biden”

Olivier Douliery / POOL / EPA

Os democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgaram uma série de documentos de Lev Parnas, um colaborador próximo de Rudy Giuliani, advogado pessoal do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Entre os documentos encontra-se uma nota manuscrita para pedir ao Presidente da Ucrânia que investigue “o caso Biden”, revela a Associated Press.

Os documentos foram tornados públicos esta terça-feira, na véspera de os democratas enviarem os dois artigos de impeachment para o julgamento de Trump no Senado. Segundo os documentos, Parnas, que atuava como intermediário, estava em constante comunicação com Giuliani e em contacto com autoridades ucranianas.

Entre os documentos está uma captura de ecrã de uma carta, que não tinha sido divulgada, de Giuliani a Volodymyr Zelenski, datada de 10 de maio de 2019, quando este não tinha ainda tomado posse como Presidente da Ucrânia. Na missiva, Giuliani solicita uma reunião com Zelenski na qualidade de “conselheiro pessoal do Presidente Trump e com o seu conhecimento e consentimento”.

Na nota manuscrita, retirada de um bloco do Hotel Ritz-Carlton, em Viena, lê-se, de acordo com o semanário Expresso: “Faça com que Zelenski anuncie que o caso Biden será investigado”. Durante um telefonema em julho do ano passado, Trump pediu ao seu homólogo ucraniano que investigasse o ex-vice-Presidente Joe Biden e o seu filho Hunter, que fez parte do conselho de administração da empresa de gás ucraniana Burisma.

Os documentos agora revelados foram enviados para a comissão de Justiça da Câmara dos Representantes por três outras comissões “para serem incluídos como parte do registo oficial que será transmitido ao Senado juntamente com os artigos de impeachment”, revela um comunicado.

No ano passado, Parnas e o seu parceiro de negócios, Igor Fruman, ambos cidadãos americanos que emigraram do antigo bloco soviético, foram indiciados por acusações de conspiração, declarações falsas e falsificação de registos. Os procuradores alegam que Parnas e Fruman fizeram doações a causas republicanas após terem recebido milhões de dólares com origem na Rússia.

Julgamento do impeachment começa na segunda-feira

O julgamento do processo de destituição de Donald Trump deverá começar na próxima segunda-feira, afirmou esta terça-feira, em Washington, o líder do Partido Republicano no Senado norte-americano, Mitch McConnell.

De acordo com o também senador pelo estado do Kentucky, citado pela agência France-Presse, “etapas preliminares”, como a tomada de posse dos senadores diante do presidente do Supremo Tribunal da Justiça dos EUA, John Roberts, poderão ocorrer no final desta semana.

O julgamento do impeachment do republicano Donald Trump vai ser conduzido por John Roberts, mas vão ser os senadores a atuar como juízes, perante os advogados escolhidos pelo chefe de Estado norte-americano.

A líder da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, anunciou também esta terça-feira que aquele órgão vai votar na quarta-feira o envio para o Senado dos dois artigos para destituição de Trump, elegendo os promotores para o julgamento político do Presidente dos EUA.

Nancy Pelosi disse que os democratas estão prontos para aprovar, com a sua maioria, o envio destes dois artigos de destituição para o Senado, acusando Donald Trump de abuso de poder e de obstrução ao Congresso.

O Presidente norte-americano foi acusado de pressionar o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar o seu rival político e ex-vice-Presidente Joe Biden.

Esta chamada, cuja transcrição foi revelada na última semana após a queixa de um denunciante, levou os democratas a darem início a um processo de impeachment presidencial. Na segunda-feira, o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, recebeu uma intimação relacionada com os seus contactos com as autoridades ucranianas.

Mais tarde, o Governo australiano confirmou que houve uma segunda chamada, em que Donald Trump pressionou o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, para que este o ajudasse a descredibilizar a investigação do procurador especial Robert Mueller. O governo australiano confirmou que a chamada aconteceu e que o primeiro-ministro concordou em ajudar.

A Casa Branca restringiu o acesso à transcrição da conversa telefónica entre o Presidente dos EUA e o primeiro-ministro da Austrália a um pequeno grupo de assessores. A decisão é invulgar mas semelhante à que foi tomada no caso da chamada com o Presidente da Ucrânia.

ZAP // Lusa

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