Costa quer diálogo à esquerda e recusa “direita complacente” com agenda do Chega

(dr) PSocialista / Flickr

O líder do Partido Socialista, António Costa

Esta quinta-feira, António Costa foi até à sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, para entregar a sua moção de orientação política ao Congresso socialista, que se realiza a 10 e 11 de julho.

“Acabo de formalizar a minha candidatura a secretário-geral do PS para o próximo mandato com base nesta moção de estratégia global: ‘Recuperar Portugal e Garantir o Futuro’. É esta a grande missão que se impõe ao PS, a todos os níveis da governação, a nível nacional e a nível autárquico”, disse o primeiro-ministro à saída do encontro, citado pelo jornal Público.

O primeiro-ministro voltou a insistir na continuidade estratégica de soluções à esquerda e deixou críticas a Rui Rio e ao posicionamento político atual do PSD.

“Efetivamente, há um mundo que nos separa, o que é muito bom. É bom porque a vitalidade da democracia assenta na existência de alternativas. Se os portugueses quiserem seguir este caminho, estamos cá. Se quiserem seguir um caminho diferente, então lá está o doutor Rui Rio“, atirou.

Costa foi ainda mais longe e considerou “que perigoso é quando algum dos principais partidos – o PS ou o PSD –, em vez de afirmar a sua identidade, se deixa condicionar pela agenda política dos outros”.

“Manifesto preocupação para a qualidade da democracia pela forma como o PSD se tem deixado condicionar e aprisionar pela agenda do Chega. Isso é que é perigoso, porque enfraquece a alternativa do PSD”, acentuou.

“Dizem que até é bom para o PS, porque assim muitos eleitores da área mais do centro, que às vezes votam PS e outras no PSD, sentem-se mais confortáveis para votar no meu partido. Do ponto de vista partidário, até pode ser útil. Mas para a democracia é mau. Deve haver uma clara fronteira entre os que estão do lado da democracia e os que estão do outro lado”, salientou ainda.

Tal como adianta o jornal online Observador, é também esta a ideia transmitida na conclusão da sua moção. “No quadro político em que vivemos, o PS deve ainda continuar a liderar este processo de recuperação económica e social do país, assumindo-se como um partido que dialoga com todos os setores da sociedade que defendem o aprofundamento da democracia pluralista e rejeitam a complacência da direita democrática perante uma agenda antidemocrática e xenófoba”.

O socialista acabou também por comentar a convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), que se realizou esta terça e quarta-feira, dizendo que “não se falou de um único problema que dissesse respeito à vida dos portugueses”.

“Falaram de problemas que apenas lhes dizem respeito a eles, num concurso de feira de vaidades para saber se regressa o antigo, se aparece um novo ou se mantêm o atual. Estão entretidos nas vaidades.”

Sobre o diálogo à esquerda, e depois de ter sido mais do que uma vez questionado pelos jornalistas sobre a recente Convenção do Bloco de Esquerda, Costa considerou que dali não saiu uma posição clara sobre o posicionamento deste partido face ao Governo.

“A partir da leitura da comunicação social, acho que o Bloco de Esquerda não deve ter sido muito claro, porque vi dois tipos de análise: alguns comentadores disseram que o BE tinha reaberto a porta para um diálogo com o PS; e vi outros dizerem que tinha utilizado essa convenção para colocar o PS como adversário principal, fechando as portas a uma futura negociação”, declarou, deixando também um recado aos bloquistas.

“Agora, a posição do PS é clara: diálogo à esquerda numa base construtiva, séria, sem ultimatos ou dramatizações, nem dizendo expressões – essa por acaso ouvi-a à doutora Catarina Martins – com não cedemos, não recuamos. Não é assim que falamos, porque numa negociação temos de estar de espírito aberto.”

“Quem se senta à mesa a dizer que não recua em nada, verdadeiramente não quer qualquer acordo, procurando antes impor um ultimato, o que não seria aceitável. Espero que as coisas evoluam de um ponto de vista construtivo”, atirou o primeiro-ministro.

O chefe do Executivo voltou ainda a lembrar a posição do Bloco sobre o Orçamento de Estado para 2021, dizendo que, “na verdade, quem acabou por votar à direita foi o Bloco”.

“O PCP, PAN e PEV viabilizaram o Orçamento, assim como as deputadas não-inscritas. Quem ficou isolado à esquerda foi o Bloco, que votou sozinho com a direita. Mas isso é um problema do Bloco, sou candidato a secretário-geral do PS e não tenciono estar aqui a dizer o que o Bloco deve ou não fazer. Fará o que bem entender”, concluiu.

Moção aponta regionalização para 2024

A moção, coordenada pela dirigente socialista e atual ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, debruça-se, nas palavras de António Costa, na “precariedade, no reforço do Serviço Nacional de Saúde, na melhoria das condições de habitação e na abertura de horizontes de futuro para os jovens”.

Na moção vê-se ainda o compromisso de “combater todas as formas de instabilidade laboral”, garantindo que “o PS deve assumir a revisão da legislação laboral“.

Essa terá como objetivos “regular adequadamente as novas formas de trabalho e assegurar direitos laborais e de proteção social a estes trabalhadores (por exemplo, das plataformas digitais)”, cita o jornal Público, que também teve acesso ao documento.

Para o socialista, o “centro da recuperação económica deve ser, uma vez mais, o emprego”, com “menos precariedade, mais direitos, mais qualificações e melhores salários”

Em relação ao próximo mandato autárquico, entre este ano e 2025, o líder dos socialistas defende que será de “consolidação do processo de descentralização para os municípios e áreas metropolitanas, ao mesmo tempo que prossegue o processo de alargamento das competências das CCDR (comissões de coordenação e desenvolvimento regional), agora legitimadas como representantes dos autarcas das regiões”.

“Estaremos assim em condições de no final de 2024 avaliar os resultados destes processos e promover amplo debate tendo em vista a concretização da regionalização, nos termos constitucionais”, sustenta o secretário-geral do PS.

Esta quinta-feira, o dirigente socialista Daniel Adrião também apresentou a sua candidatura à liderança do partido, sendo esta a sua terceira candidatura, cuja moção de estratégia ao Congresso Nacional do PS se intitula “Democracia plena”.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. António Costa o Grão Mestre Maçom, quer sim uma DITADURA de Esquerda, já a tem, mas quer mais sólida.
    Povo abram os olhos, tirem aa palas para verem melhor, porque o COVEIRO DA NAÇÃO vai levar Portugal para o ABISMO, se nada for feito.
    VIVA PORTUGAL SEM A DITADURA GERINGONÇA

  2. O que a maioria dos Portugueses precisa e disse nas urnas foi um entendimento entre vários partidos e não só os que o Dr. Costa acha. Não precisamos de esquerda ou de direita, precisamos do que deve ser feito. Ao dividir o país enviabiliza restruturações que só se fazem com apoios maioritários e condena-nos à estagnação de que não conseguimos sair. A maioria de votos foi no PS + PSD. O PC e o BE são mais radicais que o Chega e no entanto estamos a ser governados por eles. A leitura do “…há um mundo que nos separa…” só interessa à lógica de ter o poder a um preço que nos vai custar muito caro.

    • “O PC e o BE são mais radicais que o Chega e no entanto estamos a ser governados por eles”
      Hahaha… mais um Ventura!…

  3. O senhor Costa sempre tomou a preferência pela extrema-esquerda, foi com ela que conseguiu apoderar-se do governo e tem governado com o seu apoio, nada admira que nada queira com o Chega ou partidos que com ele dialoguem, evitado é vir-se tentar passar por virgem ofendida fazendo do Chega um furacão de desgraça quando os seus parceiros são alunos exemplares dos piores regimes existentes no planeta, veja-se o caso agora de outro aluno, o de Angola, que vem agora pedir desculpa pela chacina de 30.000 angolanos e o senhor Costa e os tais amiguinhos de extrema-esquerda nada sabiam sobre isto! Engraçadinhos!

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